domingo, 30 de setembro de 2018

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Citação

'
Viver é a coisa mais rara do mundo.
A maioria das pessoas apenas existe.
'

Oscar Wilde

e depois há aqueles como eu
que escreveram querer apenas Ser ou Existir,
um sinal de que não vivem verdadeiramente
e tentam, isso sim, sobreviver ao tédio e ás conveniências.
Quando o meu fusível queimou fui relegado para a condição de sub-humano,
mas escapei da periódica injecção anti-psicótica, escapei de cair na rua e na fome,
isso faz de mim um sobrevivente.
Também eu estou cansado mas não darei mais nenhum passo para apressar a morte
-- ela virá um dia -- mas terá de trabalhar para isso.
Sobrevivo ao burn-out rijo como um corno e mole ou moldável o suficiente
para virar costas, sigo livre e só.
Não tenho paciência para novidades e coisas ás quais já sei o epílogo,
prefiro passar o tempo a ler as atrocidades do Capitão Ahab:
quem nunca sentiu ressentimento que atire a primeira pedra
e quem disser que nunca chamou «puta» ou «paneleiro» a alguém, estará a mentir.
Goebbels dizia para acusar o outro de atrocidades que nós mesmo queremos cometer.
Há muita gente a imitar os actos daqueles que odeiam, dizem:
se ele fez eu também posso
se ele conseguiu eu também hei-de ser mais bonito do que ele..
Não há santos, não há santas. há interesses,
há a vontade de bajular para que nos bajulem e nos mandem
um bj para que possamos dormir sentindo que temos a propriedade a salvo:
é nessa altura que vamos ao museu comparar a nossa pila com as pilas do Mapplethorpe
e mostrar que somos condescendentes, paternalistas, poderosos e influentes,
queremos ser todos presidentes, assistentes nunca, queremos o topo e nunca o vão de escada
queremos todos ser dirigentes máximos do nosso lóbi: eu cá preferia ver uma exposição de conas
mas isso sou eu que gosto do órgão que não possuo,
não tenho espelho para vos dar a ver a nossa miopia, justa ou injusta
boçal ou trendy a morte há-de chegar,
é a única condição verdadeiramente democrática e não-hipócrita:
levar-nos-á a todos,
bons, maus, loucos, puras e santos, conselhos de administração e de condomínio.
ignorem tudo isto, são apenas frases avulsas umas atrás das outras,

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O diabo na mão

'
Pinto uma tela a pensar
                    na filósofa que conheci.
Entitulo: a beleza está a dormir para 
                        manter a tinta limpa.
De tão narcísico tinha antes dislexiado:
uma beldade está a pintar para
                        manter o sono limpo.
Escuto Zeca Afonso. Tenho o diabo na mão.
Vou cair das nuvens para ir ao futebol.
É verdade: não me apetece incorporar 
               a couve do quintal no quadro.
Saio para a galeria.
A inauguração correu ontem.
Leio os comentários no livrinho.
Gostaram do Old woman de 1998.
Coloco o preçário. 
Saio para beber um galão dragão.
Chego a casa. Spino Nirvana unplugged.
Fico a saber: os meus dois bosses 
                           também fumam ganza.
É tarde. Preciso de dormir.
Apetece-me escreve mas...
'estou tão bem debaixo dos lençóis.'
Apago a luz.

'

Claudio Mur 



Chamaram-me um dia Cigano e maltês Menino, não és boa rés Abri uma cova Na terra mais funda Fiz dela A minha sepultura Entrei numa gruta Matei um tritão Mas tive O diabo na mão Havia um comboio Já pronto a largar E vi O diabo a tentar Pedi-lhe um cruzado Fiquei logo ali Num leito De penas dormi Puseram-me a ferros Soltaram o cão Mas tive o diabo na mão Voltei da charola De cilha e arnês Amigo, vem cá Outra vez Subi uma escada Ganhei dinheirama Senhor D. Fulano Marquês Perdi na roleta Ganhei ao gamão Mas tive O diabo na mão Ao dar uma volta Caí no lancil E veio O diabo a ganir Nadavam piranhas Na lagoa escura Tamanhas Que nunca tal vi Limpei a viseira Peguei no arpão Mas tive O diabo na mão

sábado, 22 de setembro de 2018

Três quadros meus na parede da Galeria Cruzes Canhoto



(disponíveis para venda)

Enquadrados numa mostra de artistas outsider
com Idalécio, Damião Vieira, João Alves, Sátrapa, Monica Faverio e ZMB

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Uma vida a salvar vidas

Uns chamam-lhe o barco dos afogados, outros o dos salvamentos. Na madeira, a letras brancas sobre tinta azul, lê-se apenas Lobo do Mar. No início, servia para a pesca, mas o tempo mudou-lhe a função. É a bordo dele que Gastão Teixeira, de 65 anos, resgata quem cai ou quem se atira ao Douro. Há já 23 anos que assim é - sempre a título voluntário. Gastão é quem lá está, de vigia, antes de a Polícia Marítima ou de os Sapadores chegarem. É quem salta para o barco antes que o corpo se afunde.


Bem haja
e
obrigado.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Welcome to paradise! city


'Welcome to paradise! city'
Vários tipos de cor aplicada em cartão
114cm por 83,5cm (com moldura)
1997
ZMB

Este quadro foi re-emoldurado este ano de 2018
porque a moldura azul que tinha sido colocada em 1999 estragou-se.

A história que este quadro conta é a história de uma mulher de branco
que caminha numa espécie de pontão onde no final do percurso
encontra um guardião disforme que lhe diz:
«Benvinda à cidade paraíso»

Em 2008 pintei o reverso deste quadro e chamei-lhe:
«Não és benvindo à cidade paraíso»

(Desculpem o erro ortográfico no inglês do link)

(fotografia de época)



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

I find her pretty



Don't come knocking 'round my door
I don't wanna see your face no more
Colored lights can hypnotize
Sparkle someone else's eyes
Woman

"Alright you three, come on out of there!
We know your names!
We've got you right here in our files!
We've got automatic weapons, the building is surrounded, you're gonna fall! You're gonna fall!
Just remember this:
No matter what happens, no man is an island!
Remember that, no man is an island!
Come on outta there!
Come on outta there, we know you've killed thousands!
Here's a thousand more!"

Don't come knocking 'round my door
I don't wanna see your face no more
I don't need your war machines
I don't need your war machines
I don't need your war machines
I don't need your war war war war

Woman, I said get away
American woman, listen what I say

American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Pyramid of skulls by Carlos Casas





https://www.discogs.com/Carlos-Casas-Pyramid-Of-Skulls/release/10387374

O segundo disco deste álbum é o que gosto mais.
^Tem voz e instrumentos de cordas
gravados numa região muçulmana (penso eu) da antiga URSS.

Também gosto dos visuais que fazem a promoção deste álbum,
especialmente o uso da imagem fantasmástica (ghosting) e outros filtros.
Os sons fazem sentido com as imagens. estas amplificam o significado do som.

Fico contente igualmente porque sinto alguma afinidade com este trabalho
tanto a nivel sonoro como visual.
gostaria de poder ver um vídeo completo.

Carlos Casas (Barcelona, 1974) is a Spanish director and visual artist.
http://www.carloscasas.net

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Baby sitter and seated sister 2


'Baby sitter and seated sister 2'
óleo sobre tela
150cm por 100cm
2006 - 2018
ZMB

Uma revisitação com mais cor em pormenor deste trabalho:
http://zmb-mur.blogspot.pt/2014/05/baby-sitter-and-seated-sister.html

Este trabalho é puramente ficcional, 
não é baseado em qualquer casal lgbt que possa conhecer ou ter conhecido.
As poucas coisas verdadeiras são o narguilé e as referências a dois desenhos eróticos,
que reinterpretei e que reproduzo os originais em baixo: 
um de Aubrey Beardsley (Lysistrata) e 
outro de Thomas Rowlandson (The old client)
retirados de um livro chamado 'Sexuality in Western art' com capa de Paula Rego.

Beardsley

Rowlandson

'Sexuality in Western art'


(fotografia de época)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Kulu Sé Mama

~

John Coltrane — tenor saxophone Pharoah Sanders — tenor saxophone, percussion McCoy Tyner — piano Jimmy Garrison — double bass Donald Rafael Garrett — bass clarinet, double bass, percussion Frank Butler —drums, vocals Elvin Jones — drums Juno Lewis — vocals, percussion, conch shell, hand drums Recorded on October 14, 1965.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A via do funâmbulo


'A via do funâmbulo'
óleo sobre tela
150cm por 100cm
2007 - 2018
ZMB

(fotografia de época)


sábado, 1 de setembro de 2018

For Val Denham


'For Val Denham'
tinta acrílica e aguarela sobre desenho em papel colado em cartão canelado
49,5cm por 45,5cm (com moldura)
2017
ZMB

emoldurado em 2018


 Val Denham é uma artista visual transgénero, também faz música.
Vive em Inglaterra.


As suas imagens no google aqui

(fotografia de época)


All people are tripping around


'All people are tripping around'
vários tipos de cor sobre placa de canvas
62,5 cm por 42,5cm (com moldura)
2000
ZMB

Emoldurado em 2018
segundo me explicaram na loja de molduras:
o suporte canvas é uma superfície de cartão
que foi revestido, na parte a pintar, de uma camada de tela

Este é um trabalho de poesia visual.
As palavras são da época,
o seu significado perdeu-se:

'
All people are tripping around
It's time for another smoke
A professional liar looking for the fun
Flipping with people's mind and conscience
Just a game after all
What do you think you are?
People say
You are what 2 thousand people say you are
Other people say
Other people like to talk around the back
All bullshit and lies
People don't like to be told on the face about what they really are
They are coward we are coward too much humble
They became angry
We told different stories
Half truths half lies
A book of fiction
They told their stories
They were wrong
They talk to the wrong person
There is no argument
'

(fotografia de época)