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segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Casa da Horta 2014 / 2015


'Casa da Horta 2014'
Lápis de cera sobre traço preto em papel
ZMB

Em 2014, fiz, enquanto tomava café. um desenho a caneta preta 
do interior do restaurante vegetariano Casa da Horta, situado na Ribeira, Porto.
O desenho (o traço preto) foi digitalizado e 
a folha original posteriormente pintada com lápis de cera.
Em 2015, imprimi a laser em papel de aguarela e realizei a aguarela seguinte:


'Casa da Horta 2015'
Tinta de aguarela sobre impressão de traço preto em papel de aguarela
ZMB

(Esta aguarela está na exposição 'Arte quase bruta'
realizada na Casa da Horta em Dezembro 2015)

sábado, 2 de maio de 2015

O perguntador


'O perguntador'
óleo sobre pano crú
49 cm por 62cm
2015
ZMB

No início de Fevereiro de 2012 terminou a minha última ligação contactual a uma empresa.
Alistei-me no centro de desemprego.
Tive que deixar o palácio onde estivera a residir nos últimos seis meses
e procurar algo mais barato.
Voltou também a vontade de pintar, estivera ocupado nos últimos dois anos
a trabalhar e pouco tempo tinha livre para me dedicar à bela arte.
Ingressei assim em Labutes radio tower como residente.
Este trabalho: O Perguntador: foi começado nesta altura e ainda de modo nenhum terminado
utilizei-o para criar juntamente com outros elementos
 um ecran para o agora defunto site das Edições Cassiber.

Em 2014, pus-lhe uma grade e comecei a pensar em terminá-lo.
Algo que fiz este ano em Abril, após descobrir a fotografia de MCS
que pode ser visualisada aqui :

Utilizei desta fotografia alguns elementos visuais e a perspectiva
para transformar o que no meu pano crú era um céu informe e mal pintado de violeta
numa bela paisagem que dá profundidade de campo ao perguntador.
Dou os parabéns ao MCS pela sua fotografia e agradeço porque 
sem ela este meu trabalho não teria tanto interesse.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Mudar de vida


'Mudar de vida'
óleo sobre tela
60cm por 70cm
2007-2015
ZMB

Filho de um pai reaccionário e de uma mãe adepta da hipocrisia da jonet
(porque assim ainda se consegue dar uma côdea a um pobre e o céu fica garantido, dizem)
que poderia eu ser, que poderia eu fazer da minha vida?
Se ele fosse director de uma empresa e eu o bajulasse tanto como os meus cunhados
podia quem sabe ter o meu lugar ao sol e agradecer ao papá
e dar-lhe netos para que também ele pudesse invejar o tablet oferecido
mas não...
não foi esta a vida que escolhi.
Mas queriam o quê então? Que fosse revolucionário e assassinasse o pai?
Não, apenas o escrevi morto. Nada aprendi com ele a não ser fascismo.
E então como vivo?
Fugindo, recusando o seu dinheiro, sendo pobre por opção,
ele não gosta de mim e eu não gosto dele.
E sinto vergonha, escondo-me, não saio à rua.
Eu não nasci maluco nem foi a droga que me fez um doente psicótico.
Acho que foi a falta de amor filial.
Ser maluco foi uma escolha que fiz para ser livre.
Sim, eu mudei de vida: sofro menos se me desligar.
O meu papá tem quem lhe dê vales de desconto.
Não precisa de mim para nada.
Ele nunca mudará e eu estou farto de tentar conciliar o impossível.
A minha família acabou.


(fotografia de época)

segunda-feira, 2 de março de 2015

A natureza, Diotima e Herberto Hoelderlin


'A natureza, Diotima e Herberto Hoelderlin'
óleo sobre tela
40cm por 50cm
2013-2015
ZMB


'
(coroação)

Ultimamente, ando a apalpar com muita investigação a minha cabeça. Deve haver um significado nisso de a gente apanhar com uma pedra de sessenta quilos (de mármore!) em cima dela, e aparecer -- oh prestígios! -- coroado a toda a volta por estilhaços de vidro. A cabeça tem de responder a propostas tão pouco discretas! Engenheiros de cabeças estiveram em África a olhar para dentro da minha, mas fazia muito calor e, com calor, que se pode pedir da atenção veloz ao longo de um hospital cheio de cabeças? Um meu amigo suicida costumava dizer: esta cabeça não é minha. Não andarei eu a usar uma cabeça alheia? Sabe-se lá o que perpetram mãos em regime extraordinário pelos hospitais da cabala herética. Pergunto-me -- se assim tudo for -- o que anda a minha cabeça a fazer da pessoa que enganadamente a traz, que pervertida ignorância nela executa e que percursos desavindos a insinua? A dúvida da correspondência correcta da cabeça -- eis outro problema. Portanto, cada vez menos sei se posso ser, porque (nas circunstâncias) o «penso, logo existo» cai pela base, digamos, da própria cabeça.
'

,página 123

"Photomaton & vox"
Herberto Helder
Edição: Assírio & Alvim

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O avô cavernoso instituiu a chuva


'O avô cavernoso instituiu a chuva'
óleo sobre tela
18cm por 24cm
2015
ZMB

(Este quadro foi comprado no início do Verão de 2015
por um casal de holandeses)


'Vinte mil léguas de virgens vieram'
óleo sobre tela
18cm por 24cm
2015
ZMB

(Este quadro está exposto na exposição 'as pessoas dizem, nem sempre acertam'
realizada na Galeria Inklusa 2016)

(Este quadro está exposto na exposição 'Arte quase bruta' 
realizada na Casa da Horta em Dezembro 2015)




segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Numa casa de fados: O mal cozinhado


'Numa casa de fados: O mal cozinhado'
óleo sobre tela
40cm por 60cm
2014
ZMB

Termino a etiqueta 'Guitarradas e alguns fados'
apresentando o trabalho por onde a série começou.

Agradeço à gerência d' O mal cozinhado o convite que me endereçaram em 2014
para desenhar a casa e o seu grupo de fadistas residentes.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

O fado na Sé-Barredo


'O fado na Sé-Barredo
óleeo sobre tela
35cm por 45cm
2014
ZMB

Neste trabalho coloquei os fadistas no arco da ribeira.

O arco da ribeira no início da descida do morro da Sé
fica situado entre as escadas das verdades e as escadas do barredo.
Era antes da construção da ponte Luis I um local popular de passagem.

Considero este trabalho uma miniatura
e talvez no futuro mereça uma tela de maior envergadura.

sábado, 10 de janeiro de 2015

A sereia do fado


'A sereia do fado'
óleo sobre tela
45cm por 35cm
2014
ZMB


'
A whole line of young Russians now followed the first; and when the Count once asked his wife, in a happy moment, why on that terrible third of the month, when she seemed ready to accept any villain of a fellow that came along, she had fled from him as if from the Devil, she threw her arms around his neck and said: he wouldn't have looked like a devil to her then if he had not seemed like an angel to her at his first appearance.
'

The Marquise of O-
Heinrich von Kleist


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Madonna and child 2


'Madonna and child 2'
óleo sobre tela
50cm por 60cm
2007-2014
ZMB

Uma revisitação deste trabalho de 2002


Eu também tenho umas linhas sobre a observação do fogo numa lareira
mas prefiro transcrever palavras de um prémio Nobel da literatura:

'
Ao pequeno número de experiências que fizera até então, no caminho para encontrar o meu próprio desígnio, veio juntar-se mais esta: a contemplação de tais formações, a entrega a tais configurações da natureza, irracionais, contorcidas e estranhas, liberta um sentimento de consonância do nosso íntimo com a vontade cujo poder deu origem àqueles efeitos. Sentimos, em breve, tendência para considerá-los disposições do nosso humor e supô-los criações nossas. Vemos abalar-se e desvanecer-se a demarcação existente entre nós e a natureza, e aprendemos a conhecer o estado de espírito pelo qual não sabemos já se as imagens, na nossa retina, são originadas por impressões oriundas do exterior, se do interior. Não há lugar algum onde, tão fácil e simplesmente, possamos fazer a descoberta do quão somos criadores, de quanto a nossa alma toma parte na perene criação do mundo, como através deste exercício. Mais ainda, em nós e na natureza, está operante uma e a mesma indivisível divindade e, se o mundo visível desaparecesse, qualquer pessoa teria aptidão para tornar a edificá-lo; porque, quer a montanha quer a torrente, a árvore e a folha, raíz ou flor, tudo o que na natureza foi moldado, está pré-formado dentro de nós e provém da alma, cuja essência é eternidade, cuja natureza não apreendemos, mas que se manifesta, principalmente, por impulsos amorosos e criadores.
Só anos mais tarde encontrei a confirmação destas reflexões, precisamente num livro de Leonardo da Vinci que refere quão agradável e profundamente estimulante se torna observar uma parede sobre a qual diversíssimas pessoas tenham escarrado. Perante aquelas manchas, sobre a superfície húmida, ele sentia o mesmo que o Pistorius e eu perante o fogo.
'

, página 97
"Demian"
Hermann Hesse
Edição Dom Quixote



(foto de época)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Incorporação canibalista


'Incorporação canibalista'
óleo sobre tela
60cm por 50cm
2007-2014
ZMB

Quando saí do meu terceiro reality show demorei quase quatro anos
a arranjar motivação para novamente fazer um esforço para voltar à superfície
como ser humano e não bicho.
Na altura o meu psiquiatra deu-me uma prenda
e deu-ma porque eu sabendo que ele se ia reformar lhe abri o jogo:


A prenda que ele me deu foi dizer que eu talvez não fosse um doente crónico
e portanto não fosse talvez um maluco
mas apenas um desadaptado.

Assim, investi dinheiro a comprar livros relacionados com psicologia e afins.
Para me cultivar, 
para saber até que ponto os sintomas que eu reconhecia em mim próprio
eram descritos na literatura e para saber como outros como eu
(ah como foi libertador saber que há outros como eu),
para saber como outros como eu se integram no mundo.
Penso que comecei a ter um pouco de respeito por mim próprio 
ao fazer uma tentativa para compreender que 
os médicos são mais que aquela imagem do livro 
'arranca-corações' do Boris Vian,
tão vazios no seu interior que arrastam ainda hoje a asa 
para cima do maluco do bairro
com o intuito de o comer, 
com o intuito de incorporar em si uma vida alheia
e tornarem-se eles próprios essa outra pessoa, esse maluco que admiram.
No livro, o psicanalista torna-se o executante da profissão do seu único cliente: remador.
Os livros são isso mesmo, são portas que se abrem 
e algumas dessas portas são ilusões, absurdos formalmente belos 
que a realidade um dia reconfigura e lhe dá a forma definitiva
a que se chama destino.
O tempo não volta para trás.

--


(uma foto de época)