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sábado, 11 de junho de 2016


As pessoas dizem, nem sempre acertam
from zmb_mur on Vimeo.

Video description from the art exhibition of Rui Lourenço, aka ZMB, at Galeria Inklusa, Porto, Portugal.
From June 10 to August 31, 2016.
Pictured on the video are also dozens of works of art by other students of Espaço T.
In the video,
'Ishmael' by Dollar Brand on the album 'At Montreux' was used as the sound base to the soundtrack processed and altered by ZMB
The title of the exhibition and this video translates to English, more or less as
'People say, but not always correct things'

Corpo do meu corpo, corpo do teu corpo

A mostra que se dá corpo neste catálogo nasce de um projecto galerístico diferenciador e original. A Galeria InKlusa, sediada na cidade do Porto, é um espaço 'de convergência de diferentes tipos de Arte, desde a arte 'marginal' até à arte contemporânea'. A galeria pretende ser um 'catalizador de arte feita por pessoas com deficiência e com potencial artístico'. Um projecto democrático, democratizante e inclusivo que se deve aqui realçar.
A exposição de ZMB pretende contribuir para ultrapassar o confinamento geográfico que, tradicionalmente, delimita a arte bruta, a outsider art, a arte singular e os seus protagonistas.
A exposição individual agora patente na galeria Inklusa do artista ZMB reúne trabalhos executados entre os anos 1996 e 2016. As quinze obras expostas [nota do pintor e blogger: mais uma realizada nos ateliers do EspaçoT], de pequeno e médio formato, dividem-se em treze [catorze] óleos sobre tela, um trabalho em técnica mista, óleo e cera sobre tela, e um desenho a lápis e pastel sobre papel.
Os trabalhos expostos levam-nos numa viagem. Uma viagem sem ponto de partida nem retorno, vamos sim, graciosamente, de mão dada com o artista mergulhar no seu corpo, na sua mente, nas suas tormentas, no universo que o habita.
A arte é uma representação, é uma manifestação exterior da diversidade, a diversidade do homem e da sua relação com a vida. Todos estabelecemo esta relação, todos somos vozes do coro humano, todos somos a expressão da vivência humana, todos a representamos, todos temos uma voz nesta melodia, individual e original, todas as vozes devem ser ouvidas e expressas. A arte é a manifestação por excelência da individualidade da existência, da diferença. Toda a arte é Inklusa. Todo o corpo é um manifesto.
Somos aquilo que representamos, quer nos papéis que ocupamos no nosso quotidiano, em que imprimimos a nossa textura e espessura nas relações que estabelecemos, quer nas representações físicas que executamos, sejam textos, desenhos ou pinturas, ambos os momentos são traços de um mesmo giz, indissociáveis do nosso corpo, o corpo que habitamos, o corpo em que vivemos, o corpo que expomos, são socalcos da mesma ardósia em que escrevemos o pó da nossa existência.
Nesta exposição de ZMB, alter-ego de Rui Lourenço, uma das suas vozes, somos confrontados com o corpo, figurado ou literal, em composições intuitivas habitadas por ausências, o corpo sempre presente, interrogativo, exclamativo, inquisidor e acusador, carrasco e vítima. Em 'People think people say' ZMB mostra-nos um reflexo, o outro lado do espelho de MAI (I AM), uma acusação, um julgamento, o estereótipo vertido em cor, um plano redutor, um mundo estigmatizado em que a arte é uma janela, o pólo libertador e aglutinador, o veio de ligação da viagem.
Noutros trabalhos como em 'A natureza, Diotima e Herberto Hoelderlin' somos remetidos para Diotima de Mantineia filósofa e sacerdotisa grega que está na origem do conceito platónico do amor, Diotima no poema de Hölderlin, Hyperion, diz "Tu queres um mundo. É por isso que tens tudo e não tens nada", a ânsia e a vontade, a realização de um corpo, entre tudo querer e nada ter, todos tocar sem nunca alcançar. Os trabalhos expostos nesta mostra são plenos de originalidade, visões assertivas e audazes do inconsciente, numa linguagem crua e despida das normas que formatam a linguagem artística, são peças directas, no título e na representação, são um bilhete de ida para a mente, para os impulsos, são trabalhos feitos de um jorro, uma arte pura, crua, sem subterfúgios, que se encontra despida de preconceitos, que se expõe lívida na clareza da sua nudez.

Texto de
Hugo Andrade e José António Costa
no catálogo da exposição 'As pessoa dizem, nem sempre acertam'



Galeria Inklusa

O Espaço surgiu, criando o lugar
Cada um criou o seu.
Um ponto, uma recta, um círculo,
Um saco, um desenho, um lugar.
Cada um no seu lugar e todos no seu lugar.
Lugar físico mas também imaginário,
Lugar para afectos, mas também para afirmações e decisões.
Lugar criado onde o Homem se afirma e vive na plenitude possível.
Com um ponto, uma recta, um círculo, um saco, um desenho, um lugar.
Este é o desejo desta luta de vinte anos para que nos próximos cem, os pontos, as rectas, os círculos, os afectos, os desenhos, os lugares e os sacos se unam; para dar lugar a um só lugar onde todos façam parte dele e sejam dele.
Criar um lugar incluso é um começo do fim do caos. O caos que existe nos semáforos, na lógica das cores, na lógica dos conceitos, nas pedras da rua.
Vinte anos passaram e o lugar foi criado só com um ponto.
São precisos milhares de pontos, de sacos, de círculos, de rectas, de afectos, de vidas.
Mas surgem no tempo com o tempo.
Para isso surgimos para lutar por um lugar.

Jorge Oliveira
Presidente do Espaco t

http://www.espacot.pt

, texto incluído no catálogo da exposição 'As pessoas dizem, nem sempre acertam'





quinta-feira, 9 de junho de 2016

«As pessoas dizem, nem sempre acertam», exposição de pintura

É já amanhã,
às 4h da tarde, dia 10 de Junho, na galeria Inklusa


(A exposição montada.)


O convite:

'As pessoas dizem, nem sempre acertam'

Inauguração 10 Junho às 16h00
exposição de pintura de Rui Lourenço

com a curadoria de Hugo Andrade e José António Costa
de 10 Junho a 31 Agosto de 2016
na Galeria Inklusa (Espaço T)

Edifício Escola EB1 da Sé
Rua do Sol, nº14, 2º andar
Porto, Portugal

Evento facebook:


sábado, 23 de abril de 2016

Espelhos

em 1996:


'O espelho'
lápis e pastel de óleo sobre papel
33,5cm por 43,5cm (com moldura)
1996
ZMB



em 2008:

The vault of Paris

desenhos A5 a caneta azul 
digitalizados a preto e branco


fotografia de época:



segunda-feira, 18 de abril de 2016

Meister Cão


'Meister Cão'
óleo sobre tela
40cm por 40cm
2016
ZMB

Mais uma tela reciclada.

Este trabalho pertence ao Espaço T.

É o trabalho-companhia da 'Lady Cão':

sábado, 16 de abril de 2016

sexta-feira, 8 de abril de 2016

Suicide, the dream ing tense


'Suicide, the dream ing tense'
óleo sobre tela
50cm por 40cm
2001 - 2016
ZMB

O ano 2000 começou mal para mim, 
terminei o mês de Janeiro sendo internado no Conde Ferreira.
Coincidiu com, ou porque a minha mente se acalmou, o final do acto de escrever 
[o que viria a ser o primeiro rascunho do livro] 'Kcoillapso.'

Este livro tinha um capítulo por cada letra do alfabeto
e cada capítulo tinha uma numeração algo obscura e um título
e um desenho de capítulo associado além de desenhos interiores ao próprio capítulo.
Cada capítulo tinha igualmente propostas de audição sonora que 
ou estavam relacionadas com o conteúdo do texto ou 
com a audição no momento em que o texto foi escrito.
Ou seja, era um complexo encadeamento de ideias baseadas em factos reais.

Com o decorrer do ano 2000, tive a mégalomana ideia de, a todo este sincretismo,
juntar mais uma camada: quadros pintados a óleo sobre tela, um por cada capítulo.
Este trabalho é assim o portal do capítulo:

'V Chapter IX Suicide the dreaming'
Astonishing Urbana Fall: Acetaminophen

em português: 
in english:


'Acetaminophen' é o título de um CDEP com quatro temas
dos Astonishing Urbana Fall, editado em 1996:



Em baixo, fotografia de época:


sexta-feira, 25 de março de 2016

People think People say


'People think People say'
óleo sobre tela
50cm por 40cm
2001-2016
ZMB

As palavras que foram usadas para este quadro são datadas de Julho de 1999
e revelam a tensão e a paranóia que eu sentia na altura,
a verdade é que me sentia um estrangeiro, não me sentia português, 
sentia-me absorvido pelas coincidências que só tinham uma explicação
(ainda hoje a explicação está latente mas já é minimamente invasiva),
a eplicação psicótica que diz sermos emanantes, estarmos em todo o lado e em todas as cabeças,
vigiados por todos e sem vida privada com cada cabeça dizendo sua sentença:
comentários, falsas vozes e olhares inimigos.



(fotografia de época)

quinta-feira, 17 de março de 2016

Prometeu


'Prometeu'
óleo sobre tela
32cm por 24cm
1996-2016
ZMB


(fotografia de época: 2014)

Uma fotografia de época em baixo.
Pode-se verificar por comparação a passagem do tempo.
A cor preta torna-se cinzenta e quase brilha se um flash é aplicado.


'Prometeu'
(fotografia de época)

Oficialmente o meu primeiro quadro.
Pintado de improviso numa aula de inciação à pintura
através de um curso da associação académica da univ. aveiro.

Este quadro é uma imagem que mostra a minha confusão entre
o mito de Prometeu e o de Sísifo.
A figura verde segura uma bola laranja
que parece um rochedo
mas que parece, também, um sol, um fogo roubado aos deuses.

Lembro-me que, em 1996, eu andava a ler Camus mas,
apesar de querer ler o seu Mito de Sísifo e
de conhecer uma paráfrase da primeira frase,
nunca li este importante trabalho.

Recordo também, uma vez em casa com alguns colegas,
chegarmos a discutir o título: nesta democracia não havia consenso.
O pintor dizia um título, o amigo dizia outro, um terceiro dizia que nem o pintor nem o segundo tinham razão e o quarto, calado, dedilhava uma guitarra.

Este último colega foi o modelo deste desenho em baixo:

You do disappoint me my lad, you disappoint me.


A monster (with moustache and goatee)


'Um monstro de bigode e pêra'
óleo sobre tela
32cm por 24cm
1996-2016
ZMB

Dado que, num mês próximo, deverei ter uma exposição na galeria Inklusa (Espaço T)
comecei a escolher os quadros a apresentar e, nalguns casos como este trabalho,
a retocar, repintar, reactualizar a cor.
Actualizei também o título:
Um monstro de bigode e pêra.
É verdade, já pinto há duas décadas.


'A monster'
(fotografia de época)

segunda-feira, 2 de março de 2015

A natureza, Diotima e Herberto Hoelderlin


'A natureza, Diotima e Herberto Hoelderlin'
óleo sobre tela
40cm por 50cm
2013-2015
ZMB


'
(coroação)

Ultimamente, ando a apalpar com muita investigação a minha cabeça. Deve haver um significado nisso de a gente apanhar com uma pedra de sessenta quilos (de mármore!) em cima dela, e aparecer -- oh prestígios! -- coroado a toda a volta por estilhaços de vidro. A cabeça tem de responder a propostas tão pouco discretas! Engenheiros de cabeças estiveram em África a olhar para dentro da minha, mas fazia muito calor e, com calor, que se pode pedir da atenção veloz ao longo de um hospital cheio de cabeças? Um meu amigo suicida costumava dizer: esta cabeça não é minha. Não andarei eu a usar uma cabeça alheia? Sabe-se lá o que perpetram mãos em regime extraordinário pelos hospitais da cabala herética. Pergunto-me -- se assim tudo for -- o que anda a minha cabeça a fazer da pessoa que enganadamente a traz, que pervertida ignorância nela executa e que percursos desavindos a insinua? A dúvida da correspondência correcta da cabeça -- eis outro problema. Portanto, cada vez menos sei se posso ser, porque (nas circunstâncias) o «penso, logo existo» cai pela base, digamos, da própria cabeça.
'

,página 123

"Photomaton & vox"
Herberto Helder
Edição: Assírio & Alvim

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

O avô cavernoso instituiu a chuva


'O avô cavernoso instituiu a chuva'
óleo sobre tela
18cm por 24cm
2015
ZMB

(Este quadro foi comprado no início do Verão de 2015
por um casal de holandeses)


'Vinte mil léguas de virgens vieram'
óleo sobre tela
18cm por 24cm
2015
ZMB

(Este quadro está exposto na exposição 'as pessoas dizem, nem sempre acertam'
realizada na Galeria Inklusa 2016)

(Este quadro está exposto na exposição 'Arte quase bruta' 
realizada na Casa da Horta em Dezembro 2015)




sábado, 10 de janeiro de 2015

A sereia do fado


'A sereia do fado'
óleo sobre tela
45cm por 35cm
2014
ZMB


'
A whole line of young Russians now followed the first; and when the Count once asked his wife, in a happy moment, why on that terrible third of the month, when she seemed ready to accept any villain of a fellow that came along, she had fled from him as if from the Devil, she threw her arms around his neck and said: he wouldn't have looked like a devil to her then if he had not seemed like an angel to her at his first appearance.
'

The Marquise of O-
Heinrich von Kleist


segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Madonna and child 2


'Madonna and child 2'
óleo sobre tela
50cm por 60cm
2007-2014
ZMB

Uma revisitação deste trabalho de 2002


Eu também tenho umas linhas sobre a observação do fogo numa lareira
mas prefiro transcrever palavras de um prémio Nobel da literatura:

'
Ao pequeno número de experiências que fizera até então, no caminho para encontrar o meu próprio desígnio, veio juntar-se mais esta: a contemplação de tais formações, a entrega a tais configurações da natureza, irracionais, contorcidas e estranhas, liberta um sentimento de consonância do nosso íntimo com a vontade cujo poder deu origem àqueles efeitos. Sentimos, em breve, tendência para considerá-los disposições do nosso humor e supô-los criações nossas. Vemos abalar-se e desvanecer-se a demarcação existente entre nós e a natureza, e aprendemos a conhecer o estado de espírito pelo qual não sabemos já se as imagens, na nossa retina, são originadas por impressões oriundas do exterior, se do interior. Não há lugar algum onde, tão fácil e simplesmente, possamos fazer a descoberta do quão somos criadores, de quanto a nossa alma toma parte na perene criação do mundo, como através deste exercício. Mais ainda, em nós e na natureza, está operante uma e a mesma indivisível divindade e, se o mundo visível desaparecesse, qualquer pessoa teria aptidão para tornar a edificá-lo; porque, quer a montanha quer a torrente, a árvore e a folha, raíz ou flor, tudo o que na natureza foi moldado, está pré-formado dentro de nós e provém da alma, cuja essência é eternidade, cuja natureza não apreendemos, mas que se manifesta, principalmente, por impulsos amorosos e criadores.
Só anos mais tarde encontrei a confirmação destas reflexões, precisamente num livro de Leonardo da Vinci que refere quão agradável e profundamente estimulante se torna observar uma parede sobre a qual diversíssimas pessoas tenham escarrado. Perante aquelas manchas, sobre a superfície húmida, ele sentia o mesmo que o Pistorius e eu perante o fogo.
'

, página 97
"Demian"
Hermann Hesse
Edição Dom Quixote



(foto de época)

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

He doesn't like what he sees


'He doesn't like what he sees'
óleo sobre tela
40cm por 30cm
2007
ZMB


Do mesmo trabalho uma fotografia de época:



'Vê-se cacos de janela, reflexos de luz e olhares cruzados.'

Hoje a ironia deu por mim a pensar enquanto ia passeio acima buscar o jantar para logo:
O que está a dar é montar uma banca com prospectos em tons elécricos e mostrar uma gravata, gel no cabelo, um bom fato e uma voz de barítono, ser bem-educado para quem nos cumprimenta, e quando nos fizerem perguntas de circunstância levantar o queixo e franzir os olhos e dar a impressão que se pensa no assunto e se sabe qual o caminho a seguir.
- É um senhor, é como a merkle, vai arrumar com a escória dos que não querem trabalhar!

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Pokemon


Pokemon
óleo sobre pano crú
52cm por 62cm
2013
ZMB

Em 2013 voltei a pintar com vontade.
Comecei este quadro a partir das rugosidades da superfície do pano.
Ao longo dos dias fui intuindo um diálogo impossível
entre o pintor e a médica a quem fala deste trabalho:

'
- E o que tens a dizer sobre este quadro, recordas-te que estamos a ouvir cheriecherie dos suicide?
- Ainda não está acabado mas admitindo que a personagem central de olhos vermelhos e oblíquos se chama pokemon, ele ou ela está no meio do mundo e o mundo do meio com a mesma pele de pokemon afasta pokemon que fuma e do seu fumo esvoaça uma presença baby I love you azul que sai fora do esquema de cores e essa prisca na boca de pokemon é ao mesmo tempo o olhar clínico de uma parte de pokemon que o olha de fora para dentro tal como o mundo do meio e até o ar tem olhos quando pokemon é empurrada para fora do meio do mundo do meio.
- Então se o mundo está contra pokemon e se tu és pokemon, qual é a parte de ti que não sente orgulho em ser pokemon?
- Não sei bem doutora, talvez o meu resíduo fascista, talvez aquilo que vocês chamam de a autoridade do superego. Compreenda, eu não quero ser pai mas estou cheio de reis sebastiões na estante e princesas anas na estante ou no cavalete...
'
, página 110
"Contos de fadas de Manuelle Biezon"
Claudio Mur