sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Bourbonese Qualk -- Gag



'Gag'

Simon Crab: electronic percussion, bass guitar, electronics
Julian Gilbert: Voice
Steven Tanza: acoustic percussion

Recorded and produced by Bourbonese Qualk
London UK 1984
Originally released in 1984 on the 'Hope' LP
Recloose Organization LOOSE007





‘Bourbonese Qualk 1983-1986’ Mannequin Records 2015.
In February 2015 Mannequin records in Berlin released a double CD/Vinyl LP official compilation of the groups work from 1983-1986, covering the albums ‘Laughing Afternoon, ‘Hope’, ‘Preparing for Power’, ‘The Spike’ and ‘Bourbonese Qualk’.

Press Release:
Mannequin Records is proud to present a CD compilation of one of the most important Industrial bands active during the 80’s in the UK.


Bourbonese Qualk were an experimental music group from England who where active from 1979 until 2003. Throughout this period they had a number of different line-ups but this album concentrates on the period from 1983 until 1987 with the trio of Simon Crab, Julian Gilbert and Steven Tanza. During this time the group released five albums: ‘Laughing Afternoon’, ‘Hope’, ‘The Spike’, ‘Preparing For Power’ and the self-titled ‘Bourbonese Qualk’ on their own Recloose Organisation and New International Records labels.


The group were always obsessively and uncompromisingly focussed on controlling their work – they ran their own record label, recording studio, tour organisation and music venue (the notorious ‘Ambulance Station’) – they refused to integrate into the commercial music racket turning down publishing deals from major labels – stubbornly opting for total independence.


The group are known for their political activism which was formed in the crucible of the 1980s Britain: The Miner’s Strike, Falklands/Malvinas war, Anti-fascism, Thatcherism, Moneterism, squatting/housing, local government corruption, anti-capitalism, and Anarchism – which was further re-enforced by touring Europe and meeting like-minded groups and organisations.


Bourbonese Qualk saw their music as a revolutionary cultural force – a belief that radical musical forms must be part of positive social change. Despite this position, the group avoided dogma, cliché and propaganda, preferring to let their audience come to their own conclusions – their work was often ambiguous and directly critical of cynical power-politics of any color – often irritating members of the traditional ‘organised left’.


In 1984 Bourbonese Qualk occupied a large empty building on the Old Kent Road in South London which they turned into a base for their activities and a co-operative for artists, musicians and writers as well as a centre for radical political activism – specifically as a co-ordinating centre for the ‘Stop The City’ anti-capitalist riots of 1984-1986. Most of the recordings on this album were recorded in their studio at the Ambulance Station.


The group never record in a ‘proper’ studio (not that they could ever afford to), choosing instead to work with their own extremely basic equipment (at a time when home studios were very unusual – the unique raw sound of these recordings is the result of their choice – which now, ironically, is in vodue due perhaps to the overwhelming obliquity of ‘clean’ audio digital production tools.


If Bourbonese Qualk have a legacy, it is that ‘culture’ should be reclaimed, re-defined and owned by the people, wherever they are, however small and not by the state or the market and that ‘culture’ is a vital vehicle for debate and radical change.


The fight goes on. (Simon Crab, London, 2014)




O Gretua

O Gretua é o Grupo de Teatro da Universidade de Aveiro.
Vi enquanto estive lá a estudar algumas peças de teatro,
a primeira que vi chamava-se Crash e era baseada no texto de Arthur Miller:
"A morte de um caixeiro viajante".
Mais tarde, um colega meu que andava no Gretua
convidou-me a participar numa peça na qualidade de técnico de som, a minha função era simples: 
passar trechos de uma k7 com música pré-gravada para acompanhar a actuação,
era uma peça produzida inteiramente e interpretada por alunos no âmbito da sua avaliação e 
a audiência era maioritarimente composta por professores e alguns amigos.
A peça, não me recordo agora, se produzida por Borgia Ginz ou Juca Pimentel, era
uma adaptação de sequências de 'Naked Lunch' do WS Burroughs.
Quanto a mim, gostei da actuação destes meus colegas e gostei também de participar no som,
a k7 tinha, entre outros, Tom Waits do album Black Rider,
mas a melhor parte é aquela em que há uma entrevista entre o Dr. Benway e um cliente
e que termina em apoteose com uma música de 
Bourbonese Qualk chamada Gag.

Uma história do Gretua pode ser vista aqui: 




Em baixo, o canal de vídeo actual do Gretua:
https://www.youtube.com/user/canalGrETUA

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Uma vergonha esta câmara ao nada fazer de concreto
além de oferecer medalhas e apoiar a construção de hóteis

http://www.jn.pt/local/noticias/porto/porto/interior/julio-machado-vazdevolve-medalha-da-cidade-em-protesto-5402497.html

https://www.facebook.com/julio.vaz.777/posts/886869708124113

transcrevo na totalidade e subscrevo a publicação de Júlio Machado Vaz:

'

Em Outubro a Paulo Vallada terá deixado de existir.
Neste momento as nossas meninas/mães vão sendo encaminhadas para outras instituições ou seguem os trajectos de vida já iniciados. Desejo-lhes toda a sorte do mundo, com uma tristeza não isenta de culpa. Racionalmente, digo-me que esgotei todas as portas a que podia bater, mas lá no fundo sobrevive a dúvida, “fiz tudo ao meu alcance?”. À equipa uma enorme gratidão pelo profissionalismo e entrega com que se tem dedicado ao trabalho, como se não vivesse uma preocupante contagem decrescente no que ao futuro diz respeito. O mesmo reconhecimento aos nossos voluntários, sem os quais este desenlace teria acontecido há muito tempo e cuja dedicação é demonstrada pelo último pedido das nossas meninas/mães antes de partirem – com eles se reunirem uma última vez.
Sabendo de antemão que pecarei por defeito, deixo outros agradecimentos: ao Juiz Armando Leandro, por ter aceitado presidir à Assembleia Geral da Associação, emprestando-lhe a credibilidade de toda uma vida ao serviço dos mais carenciados deste país; à Fundação Montepio, nas pessoas do seu Presidente, Engenheiro Tomás Correia e da Dra. Paula Guimarães, sem a sua ajuda não teríamos durado nove anos; ao senhor Ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social, Dr. Vieira da Silva, que não se limitou a acusar a recepção do meu relato das necessidades da Paulo Vallada – simples gesto de cortesia que durante dois anos o seu antecessor não teve… -, mas desencadeou mecanismos que, triste ironia!, se poderiam traduzir num auxílio precioso a curto prazo; ao Centro Distrital da Segurança Social do Porto, que colaborou nesse processo e foi de uma gentileza inexcedível para connosco; ao senhor Engenheiro Luiz Oliveira Dias que, com o seu exemplo, mobilizou a nosso favor a solidariedade do Mercado Abastecedor do Porto; ao Dr. Carlos Abrunhosa de Brito que, na qualidade de Presidente do Conselho Consultivo da Fundação da Juventude, tudo tentou pela sobrevivência da Paulo Vallada aos mais diversos níveis; ao senhor Provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, Dr. António Tavares, que fez o mesmo, desde a primeira conversa que mantivemos sobre a necessidade de encontrar novas instalações para a Comunidade. E a tantos outros, a quem, obviamente, expressarei o meu reconhecimento pela palavra dita ou escrita.
Aos que muito prometeram e nada cumpriram deixo o que já lhes pertence - espelhos e consciências. Com a excepção da Câmara do Porto, à qual deixarei algo meu. De imediato um esclarecimento: refiro-me à Instituição porque, embora quase todos os contactos tenham sido mantidos com o Dr. Manuel Pizarro, o meu colega deixou bem claro que falava em nome do Executivo, o que, de resto, o Dr. Rui Moreira teve a gentileza de também sublinhar durante o processo. 
Há quase dois anos pedi auxílio para estabilizar a Paulo Vallada. A resposta foi afirmativa, com a legítima exigência de uma redução de custos do funcionamento. O que foi feito em três meses, com dois despedimentos e redução da restante massa salarial. A equipa, que nunca fora a justificada, passou a ser de tal modo “espremida” que, como já disse, o trabalho dos voluntários passou a ser indispensável ao funcionamento quotidiano. Informei o Dr. Manuel Pizarro da nova realidade, fornecendo os números, como era minha obrigação. E esperei. Nada aconteceu, de um momento para o outro os canais de comunicação deixaram de funcionar; silêncio absoluto.
Até ser contactado no sentido de ser agraciado pela Câmara em 2015. Honrado embora - tratava-se da “minha” Câmara e do “meu” Porto -, salientei que precisava mais do cumprimento de promessas feitas do que de honrarias, eu cumprira a minha parte do acordo e a Paulo Vallada continuava em risco. As promessas foram renovadas. E eu deixei passar o Verão, todos sabemos como Portugal funciona au ralenti em época estival. No Outono nada acontecera e as minhas perguntas voltavam a esbarrar no silêncio. 
Em Janeiro, foi-me pedido para fazer a apresentação de um livro nos Paços do Concelho, o que fiz com todo o gosto, atendendo a obra e autor. De resto, ao longo de todo este processo colaborei com o pelouro da Cultura sempre que para tal fui solicitado. (Colaborei e continuarei a colaborar!, o Porto está acima de qualquer amargura pessoal). Na referida sessão de Janeiro todas as promessas foram repetidas.
Foi no início do ano que ficámos a saber que até ao Verão teríamos de encontrar novas instalações. Eu e o Dr. Carlos Abrunhosa de Brito fomos bater à porta do Dr. António Tavares. E os três chegámos à conclusão que a melhor hipótese seria tentar uma abordagem inter-institucional do problema. Escrevi ao Dr. Manuel Pizarro, solicitando uma reunião a quatro, comigo pela Paulo Vallada, o Dr. Carlos Abrunhosa de Brito pela Fundação da Juventude e o Dr. António Tavares pela Santa Casa. Nenhuma resposta. Um mês depois repeti a diligência, salientando a urgência da situação. Silêncio mantido. 
Sejamos claros: surgiria de tal encontro uma solução? Nunca o saberemos. Mas é aceitável não existir sequer resposta ao pedido? Aqui é preciso evitar o fascínio pelo umbigo, seria fácil argumentar que, se eu servira para apresentar um livro no mês anterior, por que não tinha direito a uma resposta ao pedido de vinte ou trinta minutos de atenção? Tratar-se-ia de um erro, o registo certo não era o pessoal. A questão punha-se noutros termos – por que não merecia a sobrevivência de uma instituição portuense, há nove anos dedicada à premente problemática da maternidade adolescente, uma simples reunião? Não mereceu.
Vivo nesta cidade há sessenta e sete anos. Nasci em Anselmo Braamcamp, cresci em casa e nas “ilhas” que lhe eram vizinhas. Joguei ténis de mesa no Mocidade Invicta, frequentei a Escola Normal e o João de Deus, gastei as cadeiras do Majestic na adolescência, ensinei nas duas Escolas Médicas desta cidade. Aqui recebi o privilégio de filhos e netos, os quais, por sua vez, ainda cá estão, nos tempos que correm ter o clã inteiro à nossa volta vai-se tornando raro, no consultório cada vez mais gente me diz que fala com os seus através de Skype… Espero, assim, que os caprichos do Acaso me permitam acabar os meus dias no Porto. Cujas regras de conduta julgo conhecer razoavelmente. O Porto não avalia os seus filhos pelas honras acumuladas, embora nada tenha contra elas, pede-lhes, isso sim, a intransigente defesa da Honra, que, como Cidade, tantas vezes defendeu até ao limite.
Nunca abordei a questão neste espaço. A razão é simples, qualquer um de vocês poderia pensar que me dedicava a estratégia que por aí campeia – fazer pressão sobre pessoas ou Instituições através dos média. (Manda a verdade admitir que alguns só assim conseguiram ser ouvidos…). O risco já não existe, como disse, na Comunidade já se “lavam os cestos”. Quero acreditar que fiz tudo o que podia pelas nossas meninas/mães e seus cachopos e pela minha equipa. Preciso de acreditar, em minha casa também há espelhos. Mas se a Paulo Vallada fecha as portas no concreto, é minha obrigação defender-lhe a dignidade, de que sou um dos garantes, e que não será devolvida com as chaves. E por isso, amanhã mesmo, a minha Medalha será devolvida à Câmara. Dir-me-ão que se trata de um mero gesto simbólico. É verdade, mas por trás dos símbolos vivem ideias, maneiras de ver o mundo e de nele estar. E, quem sabe?, talvez a próxima IPSS que solicitar vinte ou trinta minutos de atenção tenha mais sorte.
Não voltarei ao tema em público, a menos que alguém insinue falsidades da minha parte. Está tudo dito e feito; é tempo de luto.

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quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Nota pessoal

Eu tenho um passado. 
Nem sempre tem glamour. Fui um gajo quase cool, irreverente, olhado, convidado a pertencer a capelinhas. Sempre recusei, sempre preferi seguir aquele que pensava ser o meu caminho. O lema, na altura, era «não fugir para trás, avançar, fugir para a frente.» Cheguei a escrever e, por isso, tinha alguma consciência que algumas pessoas ficavam pelo caminho, magoadas, desprezadas, ofendidas. Quando disso tinha conhecimento, fugia para a frente e dizia «deus não agrada a todos, porque hei-de eu agradar?», escrevia e as pessoas afastavam-se. E eu não me importava com isso, porque havia sempre novas pessoas a aparecer, sorrisos, olhos brilhantes à procura de algo que eu não sabia bem o que era, e eu pensava que era bonito, um gajo cool, que devia ser por isso, não poderia ser pelas minhas palavras que achava feias, sabia-me, afirmava-me rebelde embora não soubesse a causa, era um estudante jovem-adulto virginal em fase ascendente, a vida ainda não me mostrara o que era ser maduro, eu lia para aprender a viver, sabia que o meu futuro seria incerto, tinha consciência que a minha paixão não estava nas sebentas universitárias de, por exemplo, introdução à arquitectura de computadores, sabia que preferia a independência de pensar por mim e criar algo com as minhas mãos. Por isso, li o anúncio e inscrevi-me num curso de iniciação à pintura de 18 horas, um curso dado na associação de estudantes. O curso foi uma revelação para mim, notava-se que eu era um ser bruto, distante, de difícil comunicação, essa era a imagem que se revelava por detrás da aparência falsa do dia-a-dia de aulas de engenharia: aulas, bar para fumar e tomar café, aula, almoço na cantina, aulas, às vezes gazeta às aulas, casa, nenhum estudo, leitura ou... o que começou a surgir como resíduo de mim, a verdade de mim na qual me queria tornar: ver as formas tomarem corpo no papel, ver as cores misturarem-se na tela por acção da minha visão e da minha mão, tinha descoberto quem eu queria ser, recusava em absoluto o curso superior, queria acabá-lo mais por dever de gratidão para com a minha mãe por me ter pago seis anos de estadia numa cidade fora do seu ninho, demorei seis anos a terminar o curso e saí dele a pensar em tentar ganhar dinheiro para sustentar os meus vicios e a pintura, ao mesmo tempo imaginava-me a subir as ruas de Derza com telas gigantes para pintar em casa. Foi por estas alturas que o céu me caiu em cima, eu sabia que não era deus, mas comecei a reparar que as pessoas se afastavam e não eram substituídas, comecei a reparar que as que ficavam me olhavam já não com desejo mas com estranheza, do género «aquele gajo é completamente outsider, é fascinante», comecei a sentir-me um objecto e não sabia mais se queria que gostassem de mim pela minha vitalidade física, se pela minha capacidade intelectual, sempre fui até um certo momento um gajo com pouca auto-estima, desconfiava de tudo, não sabia porquê, não gostava de ser usado como um objecto à distância, comecei a distanciar-me cada vez mais, a tornar-me bruto, um vagaba, os dentes a cair, a careca a aparecer, até que deixei de ter companhia, substitui essas companhias físicas pelas vozes: falava alto nos quartos e imediatamente me respondia eu próprio em inglês, inventei diálogos, dialoguei com a televisão, fui internado e tudo se manifestou.
Tinha chegado ao fundo da escala. O mais irónico e absurdo é que talvez o tenha desejado.
Hoje, estou melhor, vivo sem televisão e deixei de ver cinema. Realizo os meus próprios filmes. Só fui sonâmbulo uma vez na vida embora tenha relapsado quatro vezes. Quatro internamentos, quatro começos a partir do zero. Hoje conduzo-me. Dou valor à amizade. Sei o muito que perdi.

(to be continued eventually)

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Rock and Roll Station



Eu descobri a história de Vince Taylor aqui
mas já lhe conhecia a voz nesta música de Jac Berrocal
editada em 1977 no album 'Parallèles'.
https://www.discogs.com/Jacques-Berrocal-Parall%C3%A8les/release/1074946

Seria mais tarde integrada na compilação 'Fatal encounters' de 1993

Os Nurse With Wound também fizeram a sua versão da música.
É considerada por alguma audiência uma gema da música patafísica.

https://www.youtube.com/watch?v=NKttC1mHXhg

sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Operação Flores -- epílogo

Eu apesar de ter dito anteriormente que tinha terminado com a minha exposição-venda de aguarelas,
a verdade é que apenas a suspendi por uns dias,
e voltei à rua dias mais tarde.
A razão desta mudança de atitude da minha parte foi 
eu ter suspendido por aviso de um colega amigo de que poderia levar por tabela,
mas a verdade é que nenhum fiscal me tinha abordado até então.
Tenho por isso voltado à rua, de modo intermitente, para tentar a minha sorte.
Até hoje. Por volta das duas horas da tarde, um fiscal à paisana aproximou-se,
apresentou o cartão de identificação, disse que eu não tinha licença e 
que tinha de retirar as aguarelas da parede, senão haveria apreensão dos trabalhos.
Disse para me dirigir à junta de freguesia e tirar uma licença.
Eu, desconfiado, perguntei se ma davam. Ele disse que, em dois ou três dias, ma davam.
Agradeci, retirei os trabalhos e dirigi-me à junta.
Afinal, vou ter que esperar a saída do edital em Janeiro próximo e concorrer a uma licença.

O que me preocupa, no imediato, é eu ter feito uma aguarela a pedido do Álvaro,
e não lha poder entregar, porque ele também não tem aparecido para tocar.
Ficará guardada.