dedicado à jana amora <3
sexta-feira, 30 de setembro de 2016
The Floyd & Pink connection

drawings finished in 2008
by ZMB
No 10º ano da escola secundária eu tinha dois colegas com quem gostava de estar.
Não me recordo dos nomes, apenas as alcunhas.
Um era o Pink, outro era o Floyd.
Eram fanáticos por Pink Floyd. Era fascinante ouví-los a discutir música.
Apenas divergiam na apreciação que faziam da banda Genesis.
O Floyd não gostava da «fanhosice» dos Genesis, fanhosice que era o que o Pink gostava na banda.
Para eles, PF acabou quando o Roger Waters saiu em 1983.
O Pink saía das aulas com uns megaphones Sony nos ouvidos, ouvindo nós, a seu lado, a linha de baixo de Money e a sua dança caminhante pelo passeio fora,
O Floyd era mais reservado, chegou a dizer-me:
-- Olha, ofereço-te o Momentary lapse of reason, não gosto desta merda.
Eu, caloiro em PF, agradeci, vim para casa com o disco, era o meu primeiro disco deles,
mais tarde gravar-me-iam em k7 as primeiras edições em cd da banda
e eu próprio me tornei devoto que cheguei com 18 anos à universidade
a dizer que os PF eram a melhor banda do planeta,
enquanto colegas me falavam de Pixies.
A minha cópia de A momentary lapse of reason teve o mesmo destino,
ofereci-a a alguém que apareceu no meu Amexus 51 já no seculo 21,
e devo ter repetido as palavras do Floyd:
-- Este disco é uma merda!
quinta-feira, 29 de setembro de 2016
Grantchester Meadows
"first, you have to tell me who you really are."
Lourenço, R. (1973-1997- )
"Grantchester Meadows"
Icy wind of night, be gone.
This is not your domain.
In the sky a bird was heard to cry.
Misty morning whisperings and gentle stirring sounds
Belied a deathly silence that lay all around.
Hear the lark and harken to the barking of the dog fox gone to ground.
See the splashing of the kingfisher flashing to the water.
And a river of green is sliding unseen beneath the trees,
Laughing as it passes through the endless summer making for the sea.
In the lazy water meadow
I lay me down.
All around me,
Golden sunflakes settle on the ground,
Basking in the sunshine of a by gone afternoon,
Bringing sounds of yesterday into this city room.
Hear the lark and harken to the barking of the dog fox gone to ground.
See the splashing of the kingfisher flashing to the water.
And a river of green is sliding unseen beneath the trees,
Laughing as it passes through the endless summer making for the sea.
In the lazy water meadow
I lay me down.
All around me,
Golden sunflakes covering the ground,
Basking in the sunshine of a by gone afternoon,
Bringing sounds of yesterday into my city room.
Hear the lark and harken to the barking of the dog fox gone to ground.
See the splashing of the kingfisher flashing to the water.
And a river of green is sliding unseen beneath the trees,
Laughing as it passes through the endless summer making for the sea.
This is not your domain.
In the sky a bird was heard to cry.
Misty morning whisperings and gentle stirring sounds
Belied a deathly silence that lay all around.
Hear the lark and harken to the barking of the dog fox gone to ground.
See the splashing of the kingfisher flashing to the water.
And a river of green is sliding unseen beneath the trees,
Laughing as it passes through the endless summer making for the sea.
In the lazy water meadow
I lay me down.
All around me,
Golden sunflakes settle on the ground,
Basking in the sunshine of a by gone afternoon,
Bringing sounds of yesterday into this city room.
Hear the lark and harken to the barking of the dog fox gone to ground.
See the splashing of the kingfisher flashing to the water.
And a river of green is sliding unseen beneath the trees,
Laughing as it passes through the endless summer making for the sea.
In the lazy water meadow
I lay me down.
All around me,
Golden sunflakes covering the ground,
Basking in the sunshine of a by gone afternoon,
Bringing sounds of yesterday into my city room.
Hear the lark and harken to the barking of the dog fox gone to ground.
See the splashing of the kingfisher flashing to the water.
And a river of green is sliding unseen beneath the trees,
Laughing as it passes through the endless summer making for the sea.
segunda-feira, 26 de setembro de 2016
Os anos em tempo parcial no asilo
Este meu primeiro livro, diz o autor, foi uma viagem de dezassete anos em mares de tempestade intercalada por longos períodos do mais alienado deserto. No dia de sair do asilo a primeira vez tinha a minha família (como sempre tive) à espera, tinha acordado bem disposto por me saber de volta à liberdade, deixei até que me dessem uma injecção de haldol sem protestar, cheguei a casa e sentei-me na varanda, saudei os pedreiros que construíam uma divisão com telhado e janela no espaço do quintal que durante trinta anos tinha sido um galinheiro, o meu pai disse-me «é para ti, para as tuas pinturas, para ouvires música.», eu baptizei-o de Anexus 51 e fui fazer uma pequena introdução de texto no livro, no capítulo zero escrevi: «título pensado há seis anos.» Seis anos desde que a ideia surgiu, desde que imaginei algo tão grande como a história de vida, morte e renascimento de um personagem. Tudo o que escrevi durante três anos foi deseperadamente rasgado e lançado janela fora de um comboio em andamento, quando cheguei à conclusão que a minha vida era uma farsa e não tinha futuro válido e que mais valia suicidar-me a ter de suportar, não a farsa que o mundo também é mas, a minha própria culpa. Pouco me recordo dos escritos deste período, além de uma história em que táxis amarelos passavam pela frente do café, um ensaio a dizer como um pai devia ser, e um poema onde eu gritava a palavra jasmim, jasmim era a namorada que eu vivera, que eu morrera e que, depois de todas as torções necessárias ao texto, por fim eu renasceria forte como o touro, que eu dizia que era, pronto para dar a cornada nos, quem sabe, invejosos que diziam «as mulheres que tu arranjas…» Eu podia ignorar responder aos que me picavam e provocavam com palavras eruditas, eles mesmos cientes que as minhas respostas eram imprevisíveis, eu podia verificar que tinha culpa no facto de alguns contactos sociais darem errado, mas não podia suportar a lei do mais forte. O mais forte era para mim aquele que vinga, e eu sabia que o mais forte tem sempre histórias sobre como ultrapassou este ou aquele obstáculo, histórias sobre gente que vai sendo enterrada enquanto o mais forte ascende na escala, sabia que a minha escala não era a mesma das pessoas à minha volta, tinha de abandonar uma vida inteira, tinha de me transferir, tinha de me tornar transparente, tinha de me transfixar, ultrapassar paredes, tornar-me pintor em vez de engenheiro.
Tudo se complicou quando a época de exames chegou, várias pressões internas e externas exerceram peso sobre a minha consciência e julguei que devia atirar-me nessa noite porta fora desse comboio, devia acabar comigo, não suportava a culpa do fracasso com professores, com pais, com amigos, com a namorada, comigo próprio por me sentir fraco, por não querer ser e viver uma farsa, uma fraude. Foi-me necessário ser muito forte, ganhar muita coragem mental, vontade de vencer o medo de morrer, não me lembro de nenhumas últimas palavras, fechei os olhos e lancei-me no escuro e falhei a morte, falhei porque o meu desejo foi morrer e quando abri os olhos não morri e pensei que estava noutra realidade, noutro mundo, no outro mundo. Três anos passaram até ao inevitável internamento num processo em que me tornei quase-actor da minha peça de teatro, fui o ser imortal, o ser que emana, fui o ser que não morre mas que também não vive, o ser que atrai toda a espécie de comentários, e, quando nessa manhã o hospital me abriu as portas da liberdade, eu cheguei a casa escrevi I'll never die e fiz propósitos de ir comprar cds durante a tarde, entrei no autocarro e sentei-me na cozinha e li o grafitti nas costas do banco da frente dizendo «lourenço nº12», fiquei a pensar que era a primeira aposta da equipa quando fosse necessário melhorar o resultado. O problema é que eu, primeiro jogador suplente, comecei a sentir-me no autocarro com muito sono, os olhos a quererem fechar, o corpo a ficar rígido, a viagem foi um tormento, quando cheguei a casa ao fim da tarde e nos dias seguintes foi um suplicio, durante o dia não conseguia manter os olhos abertos, durante a noite não dormia, a médica na consulta seguinte prescreveu-me um comprimido para combater os efeitos adversos do haldol, a rigidez, a própria ganza deixou de fazer efeito, a médica acabou por responder à minha simples pergunta: «O que é que eu tenho?» «Você tem esquizofrenia mas se for medicado pode ter uma vida normal…» E eu que tinha passado os últimos anos a admirar os malucos pelo que eles deixaram de obra ao mundo, eu que tinha desejado escrever obra semelhante à obra dos meus mais malucos heróis, eu via-me agora, todos os dias em casa, maluco e deitado ao comprido na cama, sem conseguir dormir, sem ter vontade de ouvir musica, escrever, desenhar, sem saber porque tinha a doença, sem saber como eles tinham descoberto sem eu ter alguma vez lhe aberto a boca, e estar, ainda por cima, transformado num cadáver com cérebro de vegetal, eu simplesmente não conseguia pensar, o haldol bloqueara não só o excesso surreal de imagens pensadas como a mais leve expressão de vida pensante, descobri que do pensamento à fala muito neurónio se queima. Havia alturas em que estava no café com os vizinhos e queria participar nas conversas, dizer algo, e nem sequer conseguia esboçar mentalmente a frase quanto mais dizê-la de boca.
Uma vez, disse a um vizinho, trolha de profissão, que tinha estudado engenharia, e, a partir dai, passei a ser conhecido como «o engenheiro», a farsa, portanto, continuava a nível social. Se eu, na fase ascendente da minha psicose, tinha alimentado a farsa, exagerado causas e consequências, toda ela se manifestou no dia de diagnóstico pré-internamento, as palavras saíram da minha boca, as acusações foram lançadas à arena do consultório e, quando lembradas mais tarde, fizeram-me sentir ainda mais desgraçado. Não saí de modo nenhum curado do hospital. Descobri as causas mas tive vergonha delas e, como agora estava na merda, já ninguém mais se importava. Já ninguém batia em mortos para ver se eles acordavam. Já ninguém matava os que queriam viver e não sabiam como e como eu deixei de saber, de me preocupar com factos apenas plausíveis que iam sendo notícia, acabei por adormecer e, durante meses, alienado sem motivos para acordar, sem motivos para viver, fui perdendo os empregos. Afinal quando o poeta escreveu «first they came for the jews» e eu não me importei, agora eles tinham tocado à minha porta, uma das vezes até conheci o metal das algemas, afinal ainda havia várias andares abaixo do zero na escala social e eu tinha sido um insecto e tinha ajudado a escavar o meu próprio subsolo e agora sentia-me um caracol impotente chorando com as lágrimas bloqueadas. Era um inumano humano sem manos que o aceitassem.
(continua daqui)
domingo, 25 de setembro de 2016
Another pearl for the stoner rave shit xperience
BOMB THE BASS -
Butterfingers
[Adam Sky Ravebummer Mix]
enjoy, have fun
sexta-feira, 23 de setembro de 2016
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