O mais triste de tudo é não haver sequer comunicação.
Uns chamam esquizofrénicos aos outros enquanto continuam a repetir ao umbigo a ladaínha do «eu descendo de jesus»; outros censuram comentários que não lhe interessam e, em casos mais extremos, desactivam o blogue quando os comentários se tornam incómodos; na maior parte dos casos recorrem à indiferença, simplesmente não respondem a um pedido de comunicação, remetem-se ao silêncio, deixam-me a falar sozinho, porque não dizem, simplesmente, «não gosto, por causa disto e daquilo»?
É como se não valesse a pena trocar ideias comigo, como se eu fosse de condição tão baixa que não mereço uma palavra, como se estivesse a pagar por eventuais erros e palavras no passado, é como se só falassem com os amigos e mais ninguém lhes interessasse.
Talvez só os seus amigos comprem os seus livros e, se calhar, nem esses, porque muitos desses amigos os recebem de graça e por oferta em casa, quando o carteiro toca à campainha. Talvez por causa de terem tão poucos amigos pagantes, se edite poesia com uma tiragem de exemplares cada vez menor.
Depois queixam-se que a poesia morreu. Abortam qualquer tentativa de comunicar e explicar, consideram-se tão grandes, talvez, que acham que a culpa é de quem os lê e não compreende o texto ou não concorda com ele.
Eu só me queixo de não ter pares que me considerem com altura suficiente para com eles trocar ideias.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Tentara recriar a crueldade que conhecera, sem se aperceber de que o mundo ansiava por fazê-lo no seu lugar
'
-- Já não está.
-- Não? A tua exposição de carros sinistrados... Ninguém se apercebeu, mas foi isso que encenaste.
-- Com algumas alterações.
-- Sem alterações, Jim. Eu compreendo...
Não pela primeira vez, relacionava o seu último acidente com a minha exposição, implicando que eu servira de catalisador da sua irreflectida maneira de conduzir. No entanto, eu pensava que fora inspirada por ele. Recordava-me das suas deambulações ao volante pelas artérias de Londres, a conduzir da mesma maneira perigosa que experimentara pela primeira vez na longa recta de Moose Jaw até à base aérea. Nos derbies de demolição nos estádios em ruínas do este de Londres, ele e Sally haviam desafiado a morte.
As ruas de sentido único excitavam-nos para jogar numa roleta desesperada. Certa noite, dois anos depois da exposição, David conduzira na direcção errada na faixa para oeste da rodovia de Hammersmith com os máximos acesos para obrigar os carros que rolavam no sentido contrário a encostar à divisória de segurança. Uma violoncelista de meia-idade e o marido, confusos com a sirene do carro da polícia, não conseguiram parar a tempo. Ela perdera a vida, o peito esmagado pelo volante, e somente o comportamento alucinado de David após a detenção e o seu serviço no Quénia o salvaram da acusação de homicídio involuntário.
Em obediência a uma alínea do Serviço de Saúde Mental foi enviado, primeiro, para a unidade de custódia especial de Rampton e depois para Summerfield, a fim de ficar em observação. Seis meses mais tarde, sujeito aos tremores do largactil na sala banhada pelo sol cheia de mulheres em aparente transe e rabugentas, a recordação da morte da violoncelista ainda lhe batia à porta da mente. Eu apenas sentia preocupação por ele e a sua personalidade mais jovem, agora da idade de Henry, que emergira do seu campo de internamento japonês para o mundo do pos-guerra. Ele entendera as minhas necessidades, mas não conseguira interpretar as suas. Tentara, com hesitação a princípio, recriar a crueldade que conhecera na China em guerra, sem se aperceber de que o mundo posterior ao conflito ansiava por fazê-lo no seu lugar. O psicopata era santo.
Quando o visitei pela primeira vez em Summerfield David dissera, ao definir as regras da nossa relação:
-- Lembra-te disto, Jim. O que eu fiz na rodovia foi o mesmo que tu na exposição de carros sinistrados.
Agora as baixas dos anos sessenta regressavam a casa, aos hospitais dos combatentes, estabelecimentos de doenças mentais e clínicas particulares.
'
, página 239-240
"A bondade das mulheres"
J. G. Ballard
Edição Livros do Brasil
-- Já não está.
-- Não? A tua exposição de carros sinistrados... Ninguém se apercebeu, mas foi isso que encenaste.
-- Com algumas alterações.
-- Sem alterações, Jim. Eu compreendo...
Não pela primeira vez, relacionava o seu último acidente com a minha exposição, implicando que eu servira de catalisador da sua irreflectida maneira de conduzir. No entanto, eu pensava que fora inspirada por ele. Recordava-me das suas deambulações ao volante pelas artérias de Londres, a conduzir da mesma maneira perigosa que experimentara pela primeira vez na longa recta de Moose Jaw até à base aérea. Nos derbies de demolição nos estádios em ruínas do este de Londres, ele e Sally haviam desafiado a morte.
As ruas de sentido único excitavam-nos para jogar numa roleta desesperada. Certa noite, dois anos depois da exposição, David conduzira na direcção errada na faixa para oeste da rodovia de Hammersmith com os máximos acesos para obrigar os carros que rolavam no sentido contrário a encostar à divisória de segurança. Uma violoncelista de meia-idade e o marido, confusos com a sirene do carro da polícia, não conseguiram parar a tempo. Ela perdera a vida, o peito esmagado pelo volante, e somente o comportamento alucinado de David após a detenção e o seu serviço no Quénia o salvaram da acusação de homicídio involuntário.
Em obediência a uma alínea do Serviço de Saúde Mental foi enviado, primeiro, para a unidade de custódia especial de Rampton e depois para Summerfield, a fim de ficar em observação. Seis meses mais tarde, sujeito aos tremores do largactil na sala banhada pelo sol cheia de mulheres em aparente transe e rabugentas, a recordação da morte da violoncelista ainda lhe batia à porta da mente. Eu apenas sentia preocupação por ele e a sua personalidade mais jovem, agora da idade de Henry, que emergira do seu campo de internamento japonês para o mundo do pos-guerra. Ele entendera as minhas necessidades, mas não conseguira interpretar as suas. Tentara, com hesitação a princípio, recriar a crueldade que conhecera na China em guerra, sem se aperceber de que o mundo posterior ao conflito ansiava por fazê-lo no seu lugar. O psicopata era santo.
Quando o visitei pela primeira vez em Summerfield David dissera, ao definir as regras da nossa relação:
-- Lembra-te disto, Jim. O que eu fiz na rodovia foi o mesmo que tu na exposição de carros sinistrados.
Agora as baixas dos anos sessenta regressavam a casa, aos hospitais dos combatentes, estabelecimentos de doenças mentais e clínicas particulares.
'
, página 239-240
"A bondade das mulheres"
J. G. Ballard
Edição Livros do Brasil
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Ninotchka
A minha «crítica de arte» arranjou trabalho sazonal.
Está a bulir neste momento.
Estou contente por ela e sinto-me útil por haver ajudado a ela conseguir.
Obrigado mundo.
Está a bulir neste momento.
Estou contente por ela e sinto-me útil por haver ajudado a ela conseguir.
Obrigado mundo.
Festejemos portanto com Tuxedomoon:
domingo, 16 de outubro de 2016
A pirata invisivel
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1.
A pirata invisivel encontrou um maleiro negro
com dois metros de olhos bem grandes e verdes
com cinquenta e um camelos monstros mais quatro helicópteros,
quatro bicicletas voadoras quatro porcos a andar de bestacleta com asas
2.
Uma tarde de sol e praia na balada
um bom drink uma boa conversa uma boa piscina
P'ra tudo acabar bem:
umas lentes azuis para ser gémea com ela
3.
Visitar museu, conversar na galeria, comprar lotaria
de corrida de cavalos para apostar.
Quando chegava a hora dela chegar
eu dizia:
-- Eu faço teatro mas eles não me dão o papel,
vou tomar banho e vou embora e volto depois.
4.
Quando ela descobriu e ele descobriu
eu disse: - Batatas para o trabalho!
Ele o maleiro negro de olhos verdes a mim escolheu
Eu tive a desforra e ela não mais comigo falou
5.
Balada todos os dias
A vida que ela não teve
Mas eu pensei no menos que havia no mais,
limusine mandada vir para me controlar?, disse:
- Jesus jenésio cachorro cash
Onde é que eu estou?
Pá, quero a minha liberdade!
6.
É por isso que eu vejo muito filme de terror
Se achaponou dansou
Aqui se faz aqui se paga
Foi ela quem dansou
Mas eu me lasquei no fim
Ele foi para debaixo da campa
e eu estou aqui de penico cheio p'ra contar a história.
'
Anónim@ do século 23
1.
A pirata invisivel encontrou um maleiro negro
com dois metros de olhos bem grandes e verdes
com cinquenta e um camelos monstros mais quatro helicópteros,
quatro bicicletas voadoras quatro porcos a andar de bestacleta com asas
2.
Uma tarde de sol e praia na balada
um bom drink uma boa conversa uma boa piscina
P'ra tudo acabar bem:
umas lentes azuis para ser gémea com ela
3.
Visitar museu, conversar na galeria, comprar lotaria
de corrida de cavalos para apostar.
Quando chegava a hora dela chegar
eu dizia:
-- Eu faço teatro mas eles não me dão o papel,
vou tomar banho e vou embora e volto depois.
4.
Quando ela descobriu e ele descobriu
eu disse: - Batatas para o trabalho!
Ele o maleiro negro de olhos verdes a mim escolheu
Eu tive a desforra e ela não mais comigo falou
5.
Balada todos os dias
A vida que ela não teve
Mas eu pensei no menos que havia no mais,
limusine mandada vir para me controlar?, disse:
- Jesus jenésio cachorro cash
Onde é que eu estou?
Pá, quero a minha liberdade!
6.
É por isso que eu vejo muito filme de terror
Se achaponou dansou
Aqui se faz aqui se paga
Foi ela quem dansou
Mas eu me lasquei no fim
Ele foi para debaixo da campa
e eu estou aqui de penico cheio p'ra contar a história.
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Anónim@ do século 23
sábado, 15 de outubro de 2016
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Little Annie sings 'Dear John'
"Dear John" is taken from the forthcoming Little Annie record "TRACE" out on Tin Angel 20.05.16. Featuring Paul Wallfisch
written by Little Annie Bandez/Paul Wallfisch
Film created by C Querci & A Bandez
Produced & Directed by C Querci (https://cquerci.com)
Dance & Choreography by Andrew Braddock (https://braddock.website)
Camera by Kika von Kluck (https://kikavonkluck.com)
lyrics:
DEAR JOHN Little Annie Bandez /Paul Wallfisch Dear John, Dear John, Dear John Don’t you know that the show must go on? How could you forget the first rule of showbiz? Dear John, Dear John, Dear John Well I guess it sounds slightly crazy But I still scan the crowd for your face Convinced you’ll appear before the last note Like a fairytale prince, in the end you’d be here You promised you always would be here No matter the why when or where I still wait to hear it’s all just a hoax You went off the script this was not supposed to happen Dear John, Dear John, Dear John Don’t you know that the show must go on? How could one shot take so many out? Dear John, Dear John, Dear John Oh how I wish you had told us The length and the depth of your woe The width of your shadow, the weight of your cross The breadth of you sorrow, the girth of your illness If only you waited ‘till morning (instrumental) I can’t imagine the agony I can’t bare to think of those last hours spent alone And now all we have is if onlys If onlys is all that we have You left us with one big if only We wake from our dreams just to scream If only if only if only Dear John, Dear John, Dear John Don’t you know that the show must go on? How could you forget the first rule of showbiz? Here is the sound of a million hearts breaking (x3) Dear John, Dear John, Dear John
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