segunda-feira, 19 de dezembro de 2016

Que rica menina

Correspondências from zmb_mur on Vimeo.

O vídeo da exposição 'Correspondências'
com banda sonora de Sun Ra no disco 'Medcine for a nightmare'

Exposição até 13 de Janeiro de 2017
na Quase Galeria

Rua do Vilar nº 54 Porto Portugal

Mais Correspondências









domingo, 18 de dezembro de 2016

5 Correspondências


Na Galeria Quase
Rua do Vilar nº54 Porto Portugal

com trabalhos de alunos do Espaço T
Todos os dias excepto fins-de-semana até meados de Janeiro

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Teremos sempre Paris


O meu trabalho na exposição 'Correspondências'
a decorrer na Galeria Quase:
Rua do Vilar nº54 Porto, Portugal

A partir deste desenho:



quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Correspondências -- exposição colectiva

Group exhibition from the students of Espaço T at Galeria Quase, This December 16, 2016. Vernissage at 7 PM Rua do Vilar 54, Porto Portugal 


O Espaço t, tem o prazer de o/a convidar para a inauguração da exposição coletiva "Correspondências" a decorrer no dia 16 de Dezembro, na sede do Espaço t - Quase Galeria às 19:00h. A Exposição é composta por trabalhos realizados pelos alunos do Espaço t nos ateliês artísticos da instituição. Esta iniciativa, faz parte do projeto “Colorir Afectos” financiado através do Programa de Financiamento a Projetos pelo INR, I.P.

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Haiku 51


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Jac Balde nunca usava guarda-chuva, dizia que era por causa da música cantada pelo Tó Espera e pela Mariana Cheia-de-Fé. 
Balde era tão fiel que, mesmo chovendo, se sentava à chuva na esplanada com wifi a tomar café e a tossir. Não se importava de morrer novo, achava-se desgraçado. 
Ora acontece que há mui boas pessoas preocupadas neste mundo infame e assim, Bashô imponente na sua perna de platina e bengala de marfim, protegida da intempérie pelo seu abájur capilar resolveu ajudar Jac a mudar de vida a troco dos dez porcento e entrou na Livraria Satie para contrafaccionar um haiku a pedido. 
Jac, tossindo, ligou-se à rede para saber as news e os olhos esbugalharam-se, o pouco cabelo eriçou-se com uma descarga eléctrica imaginando-se no céu a voar: «Ieé, I'm gonna be supermé!»
E assim, a magia tornou-se realidade, Jac Balde colocou-se no terreno à procura de guarda-chuvas e chapéus, escolheu um gorro preto e foi lavá-lo cuidadosamente a quarenta graus na lavandaria da freguesia.
Podemos agora ver como está mudado, passa o tempo no jardim das cerejeiras a fumar e, quando chove, para se proteger pôe o livro na cabeça.
Às vezes, só falta o estímulo.
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Claudio Mur,
inspirado por Cuca Bashô
e com o alto patrocínio de Suzy 3

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

O que não sabe como foi

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C.. F.. é um velho morfinómano! Ufana-se da sua intoxicação como de uma glória -- visto que resiste, há vinte e tantos anos, a doses violentíssimas de morfina e heroína. Magro, duma magreza aflitiva, ossuda, esquelética -- a sua aparência impressiona, comove... Aquele corpo já foi revestido de carne, estofado de gordura. Mas o morfinismo tudo lhe vampirizou, deixando-lhe apenas os ossos, contorcionando-o, como nos subterrâneos do Santo Ofício... As pernas bailaricam dentro das calças; a cada passo os frágeis arames que lhe suportam a cabeça gingam -- como na ameaça duma desarticulação completa. Lívido, o seu rosto segrega permanente suor viscoso, gotejando umas bagas grossas e baças -- dir-se-iam pingos de estearina... O seu coração é um acrobata inverosímil que ora espinoteia em cabriolas de circo, ora faz greve em suspensões tão longas que aparvalham os médicos mas que deixam o seu proprietário em absoluto indiferentismo...
Um dia perguntei a C.. F.. como tinha começado...
-- Não sei! -- respondeu. -- Como já te disse, vivi muitos anos em Paris, frequentando a Sorbonne. Em Paris casei-me com uma senhora francesa... Da nossa lua de mel floriu, logo passado um ano, um delicioso bebé... Eu ignorava a elasticidade das paixões paternas -- e por isso exagerei, numa idolatria obcecante, o meu amor pela criança... Uma manhã, aquele berço espumante de rendas em que eu sonhara ver uma caravela de venturas pela vida fora -- naufragou, transformando-se num túmulo, em poucas horas, as horas mais amargas que sofri até hoje... Se as lágrimas matassem -- teria sucumbido sobre aquele pequeno cadáver de dois palmos... Mas o que as lágrimas não conseguiram -- alcançou-o a dor, anoitecendo-me numa crise de loucura o espírito... Desde que perdi a razão e me levaram para um manicómio -- até que, um ano depois, amanheceu de novo o meu cérebro, voltando a mim e vendo-me a embalar nos braços uma boneca -- ignoro por completo o que se passou, o que fiz, o que me fizeram. Coagulou-se-me em trevas esse período tristíssimo -- numa escuridão tão espessa que nem uma pepita de luz brecha a minha memória... O que sei, sim, é que já era então morfinómano e que nunca mais conquistei a alforria da droga... Como foi? Como comecei? Desconheço-o!
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,página 107-108

"Memórias de um ex-morfinómano"
Repórter X
Edição Propaganda, 1976