quinta-feira, 8 de junho de 2017

Parapapapapapapapapa




Letra:

Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clackbum
Parapapapapapapapapa

[Parte 1]
Morro do Dendê é ruim de invadir
Nós com os Alemão vamos nos diverti
Porque no Dendê, eu vou dizer como é que é
Aqui não tem mole, nem pra DRE
Pra subir aqui no morro até a B.O.P.E. treme
Não tem mole pro exército civil nem pra PM
Eu dou o maior conceito, para os amigos meus
Mas morro do Dendê também é terra de Deus

Fé em Deus, Dj

(Vamo lá)

Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clakbum
Parapapapapapapapapa

[Parte 1]
Morro do Dendê é ruim de invadir
Nós com os alemão vamos nos diverti
Porque no Dendê, eu vo dizer como é que é
Aqui não tem mole, nem pra DRE
Pra subir aqui no morro até a B.O.P.E. treme
Não tem mole pro exército civil nem pra PM
Eu dou o maior conceito, pra os amigos meus
Mas morro do Dendê também é terra de Deus

[Parte 2]
Vem um de AR15 e outro de 12 na mão
Vem mais um de pistola e outro com 2-oitão
Um vai de URU na frente, escoltando o camburão
Tem mais dois na retaguarda mas tão de Glock na mão
Amigos que eu não esqueço, nem deixo pra depois
Lá vem dois irmãozinho, de 762
Dando tiro pro alto, só pra fazer teste
De ina-ingratek pisto-uzi ou de winchester
É que eles são bandido ruim, e ninguém trabalha
De AK47 e na outra mão a metralha
Esse rap é maneiro, eu digo pra vocês
Quem é aqueles cara, de M16
A vizinhança dessa massa, já diz que não agüenta
Nas entradas da favela,já tem ponto 50
E se tu toma um pá, será que você grita
Seja de ponto 50 ou então de ponto 30
Mas se for Alemão, eu não deixo pra amanhã
Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã
Porque esses Alemão, são tudo safado
Vem de garrucha velha dá 2 tiro e sai voado
E se não for de revolver, eu quebro na porrada
E finalizo o rap detonando de granada

Parapapapapapapapapa
(Valeu)
Paparapaparapapara clackbum

Vem um de AR15 e outro de 12 na mão
Vem mais um de pistola e outro com 2-oitão
Um de URU na frente, escoltando o camburão
Tem mais dois na retaguarda mas tão de \"Glock\" na mão
Amigos que eu não esqueço, nem deixo pra depois
Lá vem dois irmãozinho, de 762
Dando tiro pro alto, só pra fazer teste
De ina-ingratek pisto uzi ou de winchester (Obrigado, gente)
A vizinhança dessa massa, já diz que não agüenta
Nas entradas da favela,já tem ponto 50
E se tu toma um pá, será que você grita
Seja de ponto 50 ou então de ponto 30
Esse rap é maneiro, eu digo pra vocês
Quem é aqueles cara, de M16
Mas se for Alemão, eu não deixo pra amanhã
Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã
Porque esses Alemão, são tudo safado
Vem de garrucha velha dá 2 tiro e sai voado
E se não for de revolver, eu quebro na porrada
E finalizo o rap detonando de granada

Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clackbum
Paraparapapapapapapapa

quarta-feira, 7 de junho de 2017

Dois poemas de J. Alberto Allen Vidal

'
Eu

A complexidade do meu Eu
As convulsões do meu pensamento
O latejar do meu sangue
A precipitação de querer ser algo
A certeza que não diz nada

                       – tudo me confunde
                       – tudo me desorienta
                       – tudo me revolta

Vivo de um sonho
de uma miragem
de um esperar contínuo
de qualquer coisa diferente
que não chega nem chegará

Entretanto essa coisa que não chega
Continua a ser a razão da minha vida
E por ela lutarei enquanto tiver forças
pois creio no Absurdo.

1971
'

--

'
Tu

Não sei quem és
Nem como te chamas
És uma forma obscura
que na noite escura
me chamas.

1971
'




J. Alberto Allen Vidal
em 'Flores Paz e Cinzas'
edição de autor 1984

e em breve 
numa re-edição nas Edições Cassiber
numa primeira tiragem de dois exemplares (um para o autor e outro para o paginador)

e a seguir
uma eventual edição de exemplares a pedido e vendidos pelo autor 

All butterflies are different


Estação de Metro do Marquês
Porto
2017

segunda-feira, 5 de junho de 2017

Caranguejos


'Caranguejos'
óleo sobre tela
70cm por 80cm
2001-2017
ZMB

Este quadro começou em 2001 por ser apenas a figura do casal a vermelho num fundo amarelo.
Na altura disse: -- Perfeito, não estragues, está acabado!
Um colega em 2002 pediu-me uma colaboração para uma edição em papel
e eu ofereci-lhe uma foto deste quadro. Nunca tive conhecimento se a foto foi usada.
Em 2007 comecei a pensar que podia dar mais vida ao quadro e enquadrei o casal numa sala
fraccionando o fundo amarelo, colocando uma janela, uma porta, quadros minimalistas na parede
e fazendo algumas sombras no casal vermelho.
Foi neste estado que o quadro foi apresentado em 2008 
na exposição em Miragaia, Porto no Púcaros Bar, 
que actualmente é um espaço para turistas petiscarem.
Na exposição conheci um casal, mais velho que eu, onde ela é pintora, 
soube que moravam perto da minha casa de família e ele perguntou-me porque dei eu o nome de
'Caranguejos' ao quadro. Eu expliquei que o símbolo Cancer do zodíaco
me parece ter algumas semelhanças com um 69 deitado.
Este ano, 2017, voltei ao quadro não só porque,
 devido às fracas condições de armazenamento, a cor se deteriorou, mas também porque
achei que podia dar mais conteúdo e melhorar o pormenor.

A frase inscrita no quadro é de Aleister Crowley.

(fotografia de época)


sábado, 3 de junho de 2017

Notas sobre a minha pintura

1. Há dias uma mulher que eu não conheço pessoalmente e que tem ultimamente mostrado algum interesse no meu trabalho, perguntou-me se era eu o retratado num quadro que postei num blog amigo. Como estava mal humorado, respondi-lhe torto porque ela viu um homem onde estava uma mulher. Então resolvi contactar a mulher retratada que é a minha amiga mais chegada e contar-lhe o caso dizendo: «É uma ofensa à minha pintura, à minha e à tua identidade como pessoa, onde já se viu confundir um homem com uma mulher, deve estar a precisar de renovar as lentes!» A minha amiga respondeu: «Foste mal-educado com ela. Ela, se calhar, só estava a meter conversa contigo.» De modo, que voltei a comentar no blog e tentei de modo mais educado simplesmente perguntar onde via ela um homem, ela desta vez respondeu e pediu desculpa pelo seu olhar. Eu aceitei as suas desculpas.
Porque poderia simplesmente responder que as mulheres que a Paula Rego pinta se parecem com homens de saia. Mas a Paula Rego é a Paula Rego e eu sou apenas o ZMB, um gajo que faz uns rabiscos.

2. O senhor que me arrenda o quarto veio ontem receber a renda. Nota-se que não tem grande apreço pela arte nem pela vida de artista. Mas parece gostar de mim por causa da minha simplicidade e honestidade, quando lhe falei do meu «rendimento médio mensal» para justificar que podia sem falta pagar a renda sempre a horas. Eu tinha-lhe perguntado se podia furar a parede para pendurar quadros, ele disse que sim e que assim dava alguma vida à casa. Desta vez, ele olhou para os quadros na parede e perguntou se tenho vendido muitos, eu disse alguns, poucos, o suficiente para poder pagar as contas da água e da luz quase quinze dias antes do final do prazo. Então, ele mostrou a sua simplicidade e a velada ofensa que eu como estava bem disposto ignorei: «Eu olho para este quadro e não lhe dou valor, mas se me disserem 'é do Picasso' aí eu já penso duas vezes, já lhe dou valor.» Eu respondi: «Claro, cada um com a sua arte, o seu modo de vida.» Ele recebeu o dinheiro a que tinha direito, apertou-me a mao duas ou três vezes e despediu-se.

3. Na galeria onde recentemente tenho vendido alguns trabalhos, o dono faz-me sempre uma festa quando apareço para mostrar o meu trabalho, geralmente por alturas do fim do mês. Ele sabe que eu vou lá com a intenção de ganhar o meu dinheiro para pagar a renda, mas ele parece gostar de mim, diz que eu lhe dou sorte, e já pude até comprová-lo. Uma vez, tinha eu vários trabalhos no chão da galeria para apreciação e possível compra, entrou um casal de italianos que comprou obras da galeria. O dono tem uma personalidade incrível e uma capacidade de comunicação acima da média, fala fluentemente inglês, francês e espanhol e sempre que entra um potencial cliente, ele acaba sempre por falar de mim e do meu trabalho. Ontem, resolveu comparar-me a AOS sem saber e muito me agradou pois disse que quando eu vivia na Ribeira fiz uns quadros sobre aquelas figuras mais castiças da Ribeira (estava a referir-se à minha série de artistas de rua, uma exposição que ele recusou organizar por se afastar do conceito geral da galeria) e acabou a perguntar-me se aquele último quadro, do qual lhe enviei a foto frisando que sabia que era um trabalho que não lhe interessaria, não estava a retratar uma prostituta. Eu disse que não, que não era nada relacionado com prostituição.

Destas três notas se conclui:
O olhar das pessoas que observam, às vezes, não coincide com o olhar e a mão do pintor.
Onde uma mulher viu um homem e um senhorio não viu nada de valor, um galerista viu uma prostituta.
Eu apoio a falta de consenso, quando há consenso não há conversa, não se aprende nada.
Só eu e ela, a minha amiga, sabemos o quanto este quadro é mágico.

sexta-feira, 2 de junho de 2017

Beauty is sleeping to keep the paint clean


'Beauty is sleeping to keep the paint clean'
óleo sobre tela
60cm por 70cm
2007-2017
ZMB

(fotografia de época)



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Cowboy de esporas prateadas 2


'Cowboy de esporas prateadas 2'
óleo sobre tela
70cm por 70cm
2007-2017
ZMB

Uma revisitação deste trabalho

Embora o universo seja pessoal, para a forma
encontrei alguma inspiração nesta capa do álbum Ummagumma dos Pink Floyd



(fotografia de época)