terça-feira, 3 de outubro de 2017

Claro qu'ela tava cheia de speeds, como sempre
e um dos gajos perguntou-lhe s'ela é qu'era a noiva
e ela disse que não, qu'usava contraceptivos,

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Bom, seja lá como for, quando a Suzy disse ó Tommy que tava de barriga, calculo qu'ele tenha ficado um bocadinho espantado. Não sei. Ele não disse nada, mazeu acho que sim. De maneira qu'ela contou-lhe e foram os dois dar um passeio p'la marginal e no regresso pararam em Coney Island e comeram uns cachorros no Nathan's e nessa época ele tava a trabalhar e deve-lhe ter dito que casava coela, calculo eu. P'lo menos não me parece que tenha dito que não casava. A verdade é que não lhe fazia lá muita diferença. Qué dizer, ele já tinha uma mota, paga até ó último cêntimo e toda artilhada comele qu'ria, e podiam ir os dois morar pa casa dos velhotes dela, no andar de baixo. Por isso que se lixasse. E acho qu'ele até se qu'ria casar, sei lá. Sabem como é. Mas não sei se ela lhe chegou a pedir. Qué dizer, ela podia-se ter livrado do puto sem demasiada chatice. Há mil e uma maneiras. Mazo Tommy era um gajo porreiro, nunca chateava ninguém e nunca tinha batido nela nem nada, de maneira qu'ela devia ter vontade de se casar coele, acho eu. É cassim não ia ter de trabalhar, só dar de comer ó puto e esse género de coisas. De maneira caté resultou bastante bem. Seja como for, o Tommy entrou no Greek's uma noite e disse à malta qu'ia ser pai e o Alex serviu-lhe um café por conta da casa e o Tommy deixou o Susto dar uma volta na mota.
Quando o velhote dela cozeu a bebedeira (já ela tinha voltado pa casa do hospital co bebé nos braços e dito assim, este é o avô, e o velhote tinha-se posto outra vez a choramingar), disse-lhe qu'ia dar uma ganda festa e foi ter co Murphy, o dono do bar, e disse-lhe que qu'ria alugar a sala do andar de cima pa um copo-d'água. E quando o Murphy lhe perguntou pa quando é qu'era ele disse que não sabia mas qu'era pa daí a poucos dias e então o Murphy disse-lhe co Exército da Salvação ia reservar a sala pa um ajuntamento daí a poucos dias, de modo co velhote disse daqui a duas semanas e deixou um sinal e foi pa casa e contou à velhota e à miúda e foram à procura do Tommy e ele disse que tava bem e continuou a puxar o lustro à mota e foi assim que marcaram a data do casamento e combinaram as coisas pò batizado. É claro que mentiram um bocadinho no baptizado, tão a ver, maza velhota achou que sempre era melhor mentirem um bocadinho do que não conseguirem baptizar o pobre do puto. De maneira que trataram dos papéis e alguns dos rapazes foram coeles e a coisa só durou uns minutinhos e depois fomos pò Murphy's pa esperar que fossem horas do baptizado e pa eles deciderem quem é qu'iam ser os padrinhos. Acho qu'eles lá acabaram por arranjar uma tia e um tio, não sei, mazenfim, foi nessa altura cas coisas coimeçaram a animar. O salão do Murphy's é grande à brava e fica por cima do bar e ele tinha posto garrafas de whisky num balcãozinho ó canto e barris de cerveja e uma mesa comprida cheia com todo o género de sandes. De maneira que cada um de nós agarrou numa caneca de cerveja e começámos a enfardar as sandes e o Susto entrou e disse à malta que tinha arranjado uma mota. Vocês deviam ter visto. Tinha comprado uma moto velha da polícia por meia dúzia de dólares e tinha-a arranjado toda. Sabem, deu-lhe uma lambuzadela de tinta e gamou um assento maluco todo forrado com pêlo e cheio de cromados e tava em pulgas pa nos mostrar a máquina. A gente dissémos-lhe pa ter calma e pa se descontrair e festejar o casamento do Tommy. De maneira calguém lhe meteu uma cervejola na mão, mazele passou-se quando lhe tentaram tirar aquela porra daquele boné da cabeça, de modos ca gente disse que tava bem, qu'íamos até lá baixo pa ver a mota dele. Ganda coisa. Vocês sabem como é, quando os chuis pôem uma mota de parte, enfim, é porque já deu o que tinha a dar. Mas sempre era uma mota e andava. Tenho cá a impressão caquele filho da mãe era gajo pa tê-la comprado mesmo que tivesse de andar a empurrá-la ó a dar ós pedais como num carrinho de putos. E vai daí ó fim de 5 minutos ele carregou no pedal de arranque e a gente ouviu a mota a tossir e a engasgar-se e o Susto lá levantou ferro cum sorriso de orelha a orelha e nós tornámos a subir as escadas e ó fim dalguns minutos ele tornou a aparecer, a sorrir à porra da sala toda e coa alça do boné muito bem presa por baixo do queixo. Só vos digo, pá, era de morrer a rir. Mas que se lixe, a gente tava-se a divertir à brava e não sabíamos o qu'era querer uma mota e não a termos e quando demos por isso o gajo tava a falar coa velhota da Suzy sobre a mota e ela tava a enfrascar-se que nem gente grande e ó fim de pouco tempo começou a choramingar, a falar da sua crida menina, a dizer ó Susto com'era a carinha dela quando tinha nascido, parece que foi ontem e agora ela aí tá, uma mulher cresccida, casada e mãe de filhos, e o Susto ia fazendo que sim coa cabeça e disse pois, mazeu só preciso é de limpar bem as velas e lavar o carburador bem lavadinho -- o que ele próprio podia fazer de noite sem gastar um tostão -- e aquela mota vai andar tão bem na estrada como qualquer outra e se formos a ver que só custou uma nota de cem, foi um ganda negócio... e já há muito tempo ca Suzy tinha mandado passear o velhote e a velhota e tava a enfardar sandes de mortadela que nem uma doida e as coisas começaram mesmo a animar. É claro calguns dos vadios que tavam no bar subiram escada acima e deram muitos parabéns e deitaram a unha a tudo o que puderam e quando o baptismo acabou e os noivos voltaram co puto toda a gente se pôs a dizer ó velhote e à velhota qu'ele era igualzinho a eles (e a velhota é cá um coirão qu'eu nem vos conto!) e eles choramingaram e deram muitas palmadas nas costas dos convidados e disseram-lhes que bebessem maizum copo e alguém tinha uma máquina fotográfica e as lâmpadas de flash faziam pop! e depois o gajo atirava-as contrá parede. Claro co puto desatou a berrar mas lá trataram dele e a festa começou a valer. Tinham um gira-discos e uma data de discos muito porreiros, do Illinois Jacket e do Kenton; e a Roberta, uma bicha toda desempoeirada das redondezas, apareceu e começou a dançar e a gingar e alguns dos rapazes tavam pedrados e puseram-se a dançar coela e ela tava-se a divertir à brava! Claro qu'ela tava cheia de speeds, como sempre (a não ser quando tinha erva) e um dos gajos perguntou-lhe s'ela é qu'era a noiva e ela disse que não, qu'usava contraceptivos, e depois começou a dançar coa velhota e co velhote da Suzy. Issé que foi um gozo do caneco! A velhota ainda tava toda ranhosa e a choramingar e pôs-se a abanar aquele cu enorme cheio de banhas e a malta íamo-nos mijando nas cuecas. Eh, pá, foi dum gajo se cagar a rir!
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, páginas 108-112
'Última saída para Brooklin'

Hubert Selby Jr.
Tradução de Paulo Faria
Edição Antígona 2006

domingo, 1 de outubro de 2017

A mesa do fado


'A mesa do fado'
óleo sobre tela
65cm por 80cm
2014 - 2017
ZMB

Descobri que a cor 'ivory black' é um preto usado para fazer misturas com outras cores.
Ao substituir o fundo laranja pelo preto que sempre usei, reparei que este tinha uma tonalidade baça,
ou seja, não era absolutamente preto. Disseram-me que eu deveria procurar um 'ebony black'.
Fui à loja de pintura habitual e perguntei
dos três pretos em venda: o marfim, o fumo ou o marte, qual deles seria o mais preto,
foi aí que me disseram que o mafim (que é branco apesar de eu pensar que ivory black era simplesmente 'preto da Costa do Marfim) era usado para misturas,
 e não estando o preto-marte disponível em óleo trouxe o preto-fumo.
De modo que repintei o fundo com 'preto-fumo' (lamp black)
deixando uma marca de ivory black para poder verificar a diferença de tom entre os dois pretos.
Com esta nova camada de preto, tornou-se mais imperceptível as marcas da torre
que tinha eliminado anteriormente.


(foto com fundo preto-marfim)
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[em Setembro 2017]

Por sugestão de um potencial comprador, que me disse que a cor do fado é o preto,
substituí o fundo laranja, por preto com vestígios de vermelho-escuro.
Eliminei iguamente a torre que tinha uma luminosidade verde-alien
e que distraía e perturbava o observador.

(A fotografia tem algumas reflexões de luz vinda de uma janela virada a norte.
o preto engole a claridade e eu não tenho melhores condições para fotografar.
como em tudo, é preciso ver com os nossos próprios olhos e
não a partir de uma foto, a imagem fotografada dá apenas uma perspectiva incompleta da obra,)


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[em Janeiro de 2015:]

Abro aqui uma nova etiqueta para colocar seis trabalhos
de algum modo relacionados com o fado.
Na verdade, pouco perccebo de fado
embora haja alturas de solidão em que gosto de o ouvir.
Para os puristas, este trabalho que aqui apresento 
não é fado
porque lhe falta uma viola para tocar o ritmo.





quinta-feira, 28 de setembro de 2017

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

«Insólito», por Jorge Marques


"Insólito" (2017)
Acrílico sobre tela
40x50cm
Jorge Marques

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Poizé o pípol fala mal dos metaleiros,
que parecem grunhos práli òs berros
cabeludos, malcheirosos, uns ganzados que não querem trabalhar...

... e vai-se a ver
e além de ser vocalista de uma banda
tamém pinta obras fabulosas como a foto acima comprova!

Irmão ouve o que te digo, não julgues a aparência, fizésses tu metade do que ele já fez.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Os Mutantes da Cruzes Canhoto em 2017

Os Mutantes da Cruzes Canhoto em 2017 from zmb_mur on Vimeo.

Video description of the Gallery Cruzes Canhoto at Porto, Potugal.

From Júlia Côta’s devils (Barcelos, Portugal) to Henry Darger’s Vivian Girls (Chicago, USA), from the Songye Masks (DR Congo) to the Haitian Drapo Vodou, there is a virgin, raw and primitive world of magic, myth and fantasy waiting to be discovered.
 At Cruzes Canhoto we propose to embark on the adventure to unveil this fantastic universe of singular colours and shapes with origins in the deepest and remotest innards of human nature. Our journey is a passionate and intuitive one, indifferent to the conventions of the art markets and leaving ethnography and anthropology to its rightful owners.
 Cruzes Canhoto is not about art – it’s about life. Unique in its kind in the Iberian Peninsula, it gathers in the same space works of art brut, tribal art and folk art.

It presents two new exhibitions, from 23 September > 31 December 2017 + A couple of days:

a) IDALÉCIO – Metalúrgico Sexagenário
After the huge success of the 2016 exhibition, “D’Idalécio… Todos Temos Um Pouco” – a retrospective of the work of the artist from Aveiro, then unknown – Cruzes Canhoto presents a new exhibition of paintings and sculptures of Idalécio, this time with new pieces only.
See more:
http://cruzescanhoto.com/exposicoes/8-idalecio/

b) 7 APART
A collective exhibition that gathers drawings and paintings of seven outsiders belonging to the circle of artists of Cruzes Canhoto.
In addition to previously exhibited João Fróis, Daniel Gonçalves and Pedro d'Oliveira, the gallery presents for the first time the creations of Serafim, ZMB, Damião Vieira and Clara Probanza.
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Galeria Cruzes Canhoto, Rua Miguel Bombarda, 452, Porto, Portugal

galeria@cruzescanhoto.com
cruzescanhoto.com
facebook.com/galeriacruzescanhoto
instagram.com/cruzes_canhoto

We open everyday at 10 am.
Sometimes at 11 am. Other times we don’t open at all.
We close at 7 pm.
Sometimes at 8 pm. Other times we don’t close at all
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Text by Tiago Coen / Cruzes Canhoto
Video Rec and Edit by ZMB
Soundtrack to this video by Os Mutantes on the lp 'Os Mutantes' from 1968

domingo, 24 de setembro de 2017

Foto da exposição


(foto de Jorge Marques)

Da esquerda para a direita:

- Jorge Marques, o vocalista da mítica banda Tarântula, também pintor
- Arnaldo Macedo, pintor com quem me lembro de falar quando eu vendia aguarelas na Rua das Flores
- Damião Vieira, pintor e designer e um dos meus chefes no meu derradeiro trabalho com contrato antes de me reformar e dedicar em exclusivo à pintura
- eu-próprio ZMB em frente a dois dos meus quadros expostos.

De referir que Damião Vieira também está presente com quadros em acrílico nesta exposição.
Ele é detentor de uma técnica da qual tenho inveja e com quem muito aprendi,
além disso pinta uma 'arte pop com intervenção social'. Muito bom!


Mas o melhor da exposição foi mesmo ter conhecido a Redonda
É uma senhora mulher, muito bonita, elegante e com uns olhos fundos lindos
(não de morrer porque isso seria sinistro mas)
lindos de desmaiar em êxtase :)
Mais uma vez obrigado por teres vindo.