sexta-feira, 13 de outubro de 2017
quarta-feira, 11 de outubro de 2017
O funâmbulo segue em frente e desenha o futuro
'O funâmbulo segue em frente e desenha o futuro'
óleo sobre tela
80cm por 60cm
2017
ZMB
(A partir deste desenho de 2002)
Este desenho foi realizado nos meses que antecederam a minha terceira hospitalização.
Desenhei no verso de uma página de um livro fotocopiado.
Este e mais outros desenhos estiveram esquecidos até este ano de 2017.
Este ano reparei que este desenho, lendo-o de baixo para cima, poderia ter o título:
O passado, o presente e o futuro;
sendo que o presente se referia ao ano de 2002.
O presente na corda-bamba, o funâmbulo seguindo o seu caminho por entre o caos.
O futuro ser passar o tempo a desenhar, a pintar, ou qualquer acto de criação com as mãos.
O passado seria os anos de aprendizagem e a oscilação de emoções durante a universidade.
O passado pensei-o uma vez quando disse a uma namorada que a minha vida era uma seca,
demasiado estável, sala de aula, casa, bilhar com a namorada, etc, poderia estar hoje casado com ela
caso ela não me tivesse mandado passear.
Nessa conversa, e que mais tarde transformei em conto, eu falei-lhe do preço justo,
do quanto é justo pagar para obter algo, qualquer conforto, qualquer coisa: food vs. price,
imaginei um talho e uma balança, de um lado, os bifes e do outro lado, os pesos, os dólares.
Neste desenho pus, na parte inferior, uma balança e do lado direito,
a oscilação, o comboio, a natureza ingénua do campo, a morte do amor;
e do lado esquerdo a grande cidade
(ver pintura em cima e os arranha-céus no lado inferior esquerdo, inspirados no trabalho de
Little Annie e seu livro 'Meditation in chaos')
e o preço a pagar pela 'island of love'
Penso que esta metáfora, que eu desenhei num estado de quase-louco,
se cumpriu no Tempo com apenas ligeiras diferenças.
O futuro que eu previa em 2002 cumpriu-se em 2017.
Passo hoje o meu tempo a pintar.
Valeu a pena ser teimoso e nunca desistir.
domingo, 8 de outubro de 2017
Já não tenho motivos para deixar de pintar.
Uma amiga,
antes de partir de avião para o que não sei definir
se como uma aventura gangsta-romântica ou um acto de caridade
envia-me a mensagem seguinte,
uma simples mensagem do facebook, daquelas que pretendem ser virais,
(anda praí a gripe dos afectos)
A vida na terra é uma passagem, o amor uma miragem, mas a amizade é um "fio de ouro" que só se quebra com a morte. Você sabe? A infância passa, a juventude a segue, a velhice a substitui, a morte a recolhe. A mais bela flor do mundo perde sua beleza, mas uma amizade fiel dura para a eternidade. Viver sem amigos é morrer sem deixar lembranças. Envie a quem vc tem amizade e para mim se eu fizer parte de suas amizades.
e eu dou por mim a devolver-lhe a mensagem
sabendo que esta amizade,
e a sinceridade para lá das palavras que se partilham em cadeia no face, vale platina.
É bom saber que não estou sozinho.
Ter uma amiga é melhor que ter uma esposa.
A gente não desculpa as pequenas mentiras a uma esposa que se sente constrangida a esconder.
A amizade é partilha,
é maior que só o sexo, a cozinha e a obrigação de pagar contas
a que se resumem ao fim de algum tempo as ligações com anel oficial.
Estou bem com o mundo.
Não sinto já, com raras excepções, o mundo como uma ameaça.
Não sinto já a necessidade de ameaçar como auto-defesa.
Estarei curado da paranóia que me diagnosticaram?
Sinto-me lúcido, é tudo, eu e ela estamos para lá do ciúme,
e quando os nossos caminhos se encontram fazemos a festa
como se não nos víssemos há anos,
e tirando uma família ranhosa de vizinhos
os restantes são, como se diz, Top e multiculturais.
Já não tenho motivos para deixar de pintar.
Até ao próximo post, caros leitores!
adenda: este artigo que acabo de ler:
https://www.dn.pt/sociedade/interior/voltar-a-ser-pessoa-depois-de-estar-fora-da-vida-8826689.html
adenda: este artigo que acabo de ler:
https://www.dn.pt/sociedade/interior/voltar-a-ser-pessoa-depois-de-estar-fora-da-vida-8826689.html
sexta-feira, 6 de outubro de 2017
Aborto
'Aborto'
óleo sobre tela
40cm por 40cm
2001 - 2017
ZMB
'Aborto 2'
pastel de óleo e grafite sobre papel
59,4cm por 42cm
2006
ZMB
Desenhos associados:
Não me recordo se votei no primeiro referendo ao aborto em 1996.
Eu na altura abstía-me por desinteresse e falta de informação.
Mas quando em 1997 escrevi http://zmb-mur.blogspot.pt/2017/07/segundo-moks-ao-acordar.html
pude ser irónico quanto ao resultado do referendo.
Em 2008 no segundo referendo votei Sim em consciência.
Já antes tinha a ideia de que uma muher que abortasse não devia ser presa
e que devia ter o direito (juntamente com o companheiro caso o tenha)
de poder escolher se querem dar vida a um filho.
Sempre me preocupou o nascimento de 'abortos':
filhos não desejados, ou filhos que vão crescer na miséria também às vezes porque
os pais não têm condição económica.
Neste casos é preferível uma criança não nascer do que lhe serem cortadas as pernas à nascensa.
No último desenho (realizado em 2017) faço alusão
ao santo antónio, padroeiro dos casamentos,
como contraste à, felizmente, já não criminalização do aborto.
(fotografia de época com linha de sombra)
quinta-feira, 5 de outubro de 2017
terça-feira, 3 de outubro de 2017
Claro qu'ela tava cheia de speeds, como sempre e um dos gajos perguntou-lhe s'ela é qu'era a noiva e ela disse que não, qu'usava contraceptivos,
'
Bom, seja lá como for, quando a Suzy disse ó Tommy que tava de barriga, calculo qu'ele tenha ficado um bocadinho espantado. Não sei. Ele não disse nada, mazeu acho que sim. De maneira qu'ela contou-lhe e foram os dois dar um passeio p'la marginal e no regresso pararam em Coney Island e comeram uns cachorros no Nathan's e nessa época ele tava a trabalhar e deve-lhe ter dito que casava coela, calculo eu. P'lo menos não me parece que tenha dito que não casava. A verdade é que não lhe fazia lá muita diferença. Qué dizer, ele já tinha uma mota, paga até ó último cêntimo e toda artilhada comele qu'ria, e podiam ir os dois morar pa casa dos velhotes dela, no andar de baixo. Por isso que se lixasse. E acho qu'ele até se qu'ria casar, sei lá. Sabem como é. Mas não sei se ela lhe chegou a pedir. Qué dizer, ela podia-se ter livrado do puto sem demasiada chatice. Há mil e uma maneiras. Mazo Tommy era um gajo porreiro, nunca chateava ninguém e nunca tinha batido nela nem nada, de maneira qu'ela devia ter vontade de se casar coele, acho eu. É cassim não ia ter de trabalhar, só dar de comer ó puto e esse género de coisas. De maneira caté resultou bastante bem. Seja como for, o Tommy entrou no Greek's uma noite e disse à malta qu'ia ser pai e o Alex serviu-lhe um café por conta da casa e o Tommy deixou o Susto dar uma volta na mota.
Quando o velhote dela cozeu a bebedeira (já ela tinha voltado pa casa do hospital co bebé nos braços e dito assim, este é o avô, e o velhote tinha-se posto outra vez a choramingar), disse-lhe qu'ia dar uma ganda festa e foi ter co Murphy, o dono do bar, e disse-lhe que qu'ria alugar a sala do andar de cima pa um copo-d'água. E quando o Murphy lhe perguntou pa quando é qu'era ele disse que não sabia mas qu'era pa daí a poucos dias e então o Murphy disse-lhe co Exército da Salvação ia reservar a sala pa um ajuntamento daí a poucos dias, de modo co velhote disse daqui a duas semanas e deixou um sinal e foi pa casa e contou à velhota e à miúda e foram à procura do Tommy e ele disse que tava bem e continuou a puxar o lustro à mota e foi assim que marcaram a data do casamento e combinaram as coisas pò batizado. É claro que mentiram um bocadinho no baptizado, tão a ver, maza velhota achou que sempre era melhor mentirem um bocadinho do que não conseguirem baptizar o pobre do puto. De maneira que trataram dos papéis e alguns dos rapazes foram coeles e a coisa só durou uns minutinhos e depois fomos pò Murphy's pa esperar que fossem horas do baptizado e pa eles deciderem quem é qu'iam ser os padrinhos. Acho qu'eles lá acabaram por arranjar uma tia e um tio, não sei, mazenfim, foi nessa altura cas coisas coimeçaram a animar. O salão do Murphy's é grande à brava e fica por cima do bar e ele tinha posto garrafas de whisky num balcãozinho ó canto e barris de cerveja e uma mesa comprida cheia com todo o género de sandes. De maneira que cada um de nós agarrou numa caneca de cerveja e começámos a enfardar as sandes e o Susto entrou e disse à malta que tinha arranjado uma mota. Vocês deviam ter visto. Tinha comprado uma moto velha da polícia por meia dúzia de dólares e tinha-a arranjado toda. Sabem, deu-lhe uma lambuzadela de tinta e gamou um assento maluco todo forrado com pêlo e cheio de cromados e tava em pulgas pa nos mostrar a máquina. A gente dissémos-lhe pa ter calma e pa se descontrair e festejar o casamento do Tommy. De maneira calguém lhe meteu uma cervejola na mão, mazele passou-se quando lhe tentaram tirar aquela porra daquele boné da cabeça, de modos ca gente disse que tava bem, qu'íamos até lá baixo pa ver a mota dele. Ganda coisa. Vocês sabem como é, quando os chuis pôem uma mota de parte, enfim, é porque já deu o que tinha a dar. Mas sempre era uma mota e andava. Tenho cá a impressão caquele filho da mãe era gajo pa tê-la comprado mesmo que tivesse de andar a empurrá-la ó a dar ós pedais como num carrinho de putos. E vai daí ó fim de 5 minutos ele carregou no pedal de arranque e a gente ouviu a mota a tossir e a engasgar-se e o Susto lá levantou ferro cum sorriso de orelha a orelha e nós tornámos a subir as escadas e ó fim dalguns minutos ele tornou a aparecer, a sorrir à porra da sala toda e coa alça do boné muito bem presa por baixo do queixo. Só vos digo, pá, era de morrer a rir. Mas que se lixe, a gente tava-se a divertir à brava e não sabíamos o qu'era querer uma mota e não a termos e quando demos por isso o gajo tava a falar coa velhota da Suzy sobre a mota e ela tava a enfrascar-se que nem gente grande e ó fim de pouco tempo começou a choramingar, a falar da sua crida menina, a dizer ó Susto com'era a carinha dela quando tinha nascido, parece que foi ontem e agora ela aí tá, uma mulher cresccida, casada e mãe de filhos, e o Susto ia fazendo que sim coa cabeça e disse pois, mazeu só preciso é de limpar bem as velas e lavar o carburador bem lavadinho -- o que ele próprio podia fazer de noite sem gastar um tostão -- e aquela mota vai andar tão bem na estrada como qualquer outra e se formos a ver que só custou uma nota de cem, foi um ganda negócio... e já há muito tempo ca Suzy tinha mandado passear o velhote e a velhota e tava a enfardar sandes de mortadela que nem uma doida e as coisas começaram mesmo a animar. É claro calguns dos vadios que tavam no bar subiram escada acima e deram muitos parabéns e deitaram a unha a tudo o que puderam e quando o baptismo acabou e os noivos voltaram co puto toda a gente se pôs a dizer ó velhote e à velhota qu'ele era igualzinho a eles (e a velhota é cá um coirão qu'eu nem vos conto!) e eles choramingaram e deram muitas palmadas nas costas dos convidados e disseram-lhes que bebessem maizum copo e alguém tinha uma máquina fotográfica e as lâmpadas de flash faziam pop! e depois o gajo atirava-as contrá parede. Claro co puto desatou a berrar mas lá trataram dele e a festa começou a valer. Tinham um gira-discos e uma data de discos muito porreiros, do Illinois Jacket e do Kenton; e a Roberta, uma bicha toda desempoeirada das redondezas, apareceu e começou a dançar e a gingar e alguns dos rapazes tavam pedrados e puseram-se a dançar coela e ela tava-se a divertir à brava! Claro qu'ela tava cheia de speeds, como sempre (a não ser quando tinha erva) e um dos gajos perguntou-lhe s'ela é qu'era a noiva e ela disse que não, qu'usava contraceptivos, e depois começou a dançar coa velhota e co velhote da Suzy. Issé que foi um gozo do caneco! A velhota ainda tava toda ranhosa e a choramingar e pôs-se a abanar aquele cu enorme cheio de banhas e a malta íamo-nos mijando nas cuecas. Eh, pá, foi dum gajo se cagar a rir!
'
, páginas 108-112
'Última saída para Brooklin'
Hubert Selby Jr.
Tradução de Paulo Faria
Edição Antígona 2006
Bom, seja lá como for, quando a Suzy disse ó Tommy que tava de barriga, calculo qu'ele tenha ficado um bocadinho espantado. Não sei. Ele não disse nada, mazeu acho que sim. De maneira qu'ela contou-lhe e foram os dois dar um passeio p'la marginal e no regresso pararam em Coney Island e comeram uns cachorros no Nathan's e nessa época ele tava a trabalhar e deve-lhe ter dito que casava coela, calculo eu. P'lo menos não me parece que tenha dito que não casava. A verdade é que não lhe fazia lá muita diferença. Qué dizer, ele já tinha uma mota, paga até ó último cêntimo e toda artilhada comele qu'ria, e podiam ir os dois morar pa casa dos velhotes dela, no andar de baixo. Por isso que se lixasse. E acho qu'ele até se qu'ria casar, sei lá. Sabem como é. Mas não sei se ela lhe chegou a pedir. Qué dizer, ela podia-se ter livrado do puto sem demasiada chatice. Há mil e uma maneiras. Mazo Tommy era um gajo porreiro, nunca chateava ninguém e nunca tinha batido nela nem nada, de maneira qu'ela devia ter vontade de se casar coele, acho eu. É cassim não ia ter de trabalhar, só dar de comer ó puto e esse género de coisas. De maneira caté resultou bastante bem. Seja como for, o Tommy entrou no Greek's uma noite e disse à malta qu'ia ser pai e o Alex serviu-lhe um café por conta da casa e o Tommy deixou o Susto dar uma volta na mota.
Quando o velhote dela cozeu a bebedeira (já ela tinha voltado pa casa do hospital co bebé nos braços e dito assim, este é o avô, e o velhote tinha-se posto outra vez a choramingar), disse-lhe qu'ia dar uma ganda festa e foi ter co Murphy, o dono do bar, e disse-lhe que qu'ria alugar a sala do andar de cima pa um copo-d'água. E quando o Murphy lhe perguntou pa quando é qu'era ele disse que não sabia mas qu'era pa daí a poucos dias e então o Murphy disse-lhe co Exército da Salvação ia reservar a sala pa um ajuntamento daí a poucos dias, de modo co velhote disse daqui a duas semanas e deixou um sinal e foi pa casa e contou à velhota e à miúda e foram à procura do Tommy e ele disse que tava bem e continuou a puxar o lustro à mota e foi assim que marcaram a data do casamento e combinaram as coisas pò batizado. É claro que mentiram um bocadinho no baptizado, tão a ver, maza velhota achou que sempre era melhor mentirem um bocadinho do que não conseguirem baptizar o pobre do puto. De maneira que trataram dos papéis e alguns dos rapazes foram coeles e a coisa só durou uns minutinhos e depois fomos pò Murphy's pa esperar que fossem horas do baptizado e pa eles deciderem quem é qu'iam ser os padrinhos. Acho qu'eles lá acabaram por arranjar uma tia e um tio, não sei, mazenfim, foi nessa altura cas coisas coimeçaram a animar. O salão do Murphy's é grande à brava e fica por cima do bar e ele tinha posto garrafas de whisky num balcãozinho ó canto e barris de cerveja e uma mesa comprida cheia com todo o género de sandes. De maneira que cada um de nós agarrou numa caneca de cerveja e começámos a enfardar as sandes e o Susto entrou e disse à malta que tinha arranjado uma mota. Vocês deviam ter visto. Tinha comprado uma moto velha da polícia por meia dúzia de dólares e tinha-a arranjado toda. Sabem, deu-lhe uma lambuzadela de tinta e gamou um assento maluco todo forrado com pêlo e cheio de cromados e tava em pulgas pa nos mostrar a máquina. A gente dissémos-lhe pa ter calma e pa se descontrair e festejar o casamento do Tommy. De maneira calguém lhe meteu uma cervejola na mão, mazele passou-se quando lhe tentaram tirar aquela porra daquele boné da cabeça, de modos ca gente disse que tava bem, qu'íamos até lá baixo pa ver a mota dele. Ganda coisa. Vocês sabem como é, quando os chuis pôem uma mota de parte, enfim, é porque já deu o que tinha a dar. Mas sempre era uma mota e andava. Tenho cá a impressão caquele filho da mãe era gajo pa tê-la comprado mesmo que tivesse de andar a empurrá-la ó a dar ós pedais como num carrinho de putos. E vai daí ó fim de 5 minutos ele carregou no pedal de arranque e a gente ouviu a mota a tossir e a engasgar-se e o Susto lá levantou ferro cum sorriso de orelha a orelha e nós tornámos a subir as escadas e ó fim dalguns minutos ele tornou a aparecer, a sorrir à porra da sala toda e coa alça do boné muito bem presa por baixo do queixo. Só vos digo, pá, era de morrer a rir. Mas que se lixe, a gente tava-se a divertir à brava e não sabíamos o qu'era querer uma mota e não a termos e quando demos por isso o gajo tava a falar coa velhota da Suzy sobre a mota e ela tava a enfrascar-se que nem gente grande e ó fim de pouco tempo começou a choramingar, a falar da sua crida menina, a dizer ó Susto com'era a carinha dela quando tinha nascido, parece que foi ontem e agora ela aí tá, uma mulher cresccida, casada e mãe de filhos, e o Susto ia fazendo que sim coa cabeça e disse pois, mazeu só preciso é de limpar bem as velas e lavar o carburador bem lavadinho -- o que ele próprio podia fazer de noite sem gastar um tostão -- e aquela mota vai andar tão bem na estrada como qualquer outra e se formos a ver que só custou uma nota de cem, foi um ganda negócio... e já há muito tempo ca Suzy tinha mandado passear o velhote e a velhota e tava a enfardar sandes de mortadela que nem uma doida e as coisas começaram mesmo a animar. É claro calguns dos vadios que tavam no bar subiram escada acima e deram muitos parabéns e deitaram a unha a tudo o que puderam e quando o baptismo acabou e os noivos voltaram co puto toda a gente se pôs a dizer ó velhote e à velhota qu'ele era igualzinho a eles (e a velhota é cá um coirão qu'eu nem vos conto!) e eles choramingaram e deram muitas palmadas nas costas dos convidados e disseram-lhes que bebessem maizum copo e alguém tinha uma máquina fotográfica e as lâmpadas de flash faziam pop! e depois o gajo atirava-as contrá parede. Claro co puto desatou a berrar mas lá trataram dele e a festa começou a valer. Tinham um gira-discos e uma data de discos muito porreiros, do Illinois Jacket e do Kenton; e a Roberta, uma bicha toda desempoeirada das redondezas, apareceu e começou a dançar e a gingar e alguns dos rapazes tavam pedrados e puseram-se a dançar coela e ela tava-se a divertir à brava! Claro qu'ela tava cheia de speeds, como sempre (a não ser quando tinha erva) e um dos gajos perguntou-lhe s'ela é qu'era a noiva e ela disse que não, qu'usava contraceptivos, e depois começou a dançar coa velhota e co velhote da Suzy. Issé que foi um gozo do caneco! A velhota ainda tava toda ranhosa e a choramingar e pôs-se a abanar aquele cu enorme cheio de banhas e a malta íamo-nos mijando nas cuecas. Eh, pá, foi dum gajo se cagar a rir!
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, páginas 108-112
'Última saída para Brooklin'
Hubert Selby Jr.
Tradução de Paulo Faria
Edição Antígona 2006
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