terça-feira, 31 de outubro de 2017
segunda-feira, 30 de outubro de 2017
Momento publicitário
Chegado a casa com uma nova tela para fazer um quadro inspirado em 'Jealousy' de Edvard Munch, liguei a aparelhagem e pus-me a ouvir um disco de Current 93, a edição gatefold de dois albuns: 'Swastikas for Noddy' e 'Crooked crosses for the nodding god', pus-me a pensar: «Isto é do tempo em que o David Tibet e acólitos tinha alguma coisa subversiva para dizer, ele, a última vez que pesquisei, é agora totalmente cristão, talvez continue como um gnóstico, mas o som do apocalipse que prega, isto é, o conteúdo sonoro é aborrecido. Ainda assim, estes dois albuns de 1987 soam ainda hoje frescos e cheios de ideias!»
Terminada a audição, desci para aquecer no micro-ondas o jantar. Como estou em modo poupança de luz, entro na cozinha acendendo a luz desta e apagando as restantes. Abro o frigorífico, retiro o taparuére e tocam à porta, mais precisamente, penso que com um objecto de metal batem no vidro da porta, de modo que apago a luz da cozinha, «deve ser o Nélson a pedir uma mortalha... mas ele não costuma bater com tanta força...» e acendo a luz da sala, abro a porta da rua e reparo que é noite, a hora já mudou, escuro como bréu, até que vejo o branco de uma camisa, olho e vejo um rosto oval com maçãs do rosto salientes e cabelo preto esticado, ela diz com um sorriso:
« Ouvi dizer que hoje o jantar é em sua casa?!»
Êu olho para baixo mas sem nada ver e nem reparei na cor das calças mas imagino pelo tom afirmativo da voz que seja uma daquelas mulheres que nós, os rapazes de antigamente, costumávamos chamar de «cavalonas», quero dizer, mulheres com botas pelos joelhos, daquelas que gostam de dar ordens, de modo que eu lhe disse em tom igualmente firme:
«E porque razão?»
Ela olhou para mim, e, a sorrir, disse: «Estava só a brincar... nós andamos aqui a fazer um estudo de mercado sobre serviços de televisão... tenho o prazer de estar a falar com quem?»
Eu olhei para ela e disse ligeiramente irritado: «E trabalha para que empresa?»
Ela respondeu a sorrir: «Serviço Interactivo.»
«Nunca ouvi falar!»
«Prontos, nós estamos apenas a falar com as pessoas... qual o serviço de televisão do senhor?»
«Não tenho televisão.»
«Mas porquê?»
«Não vejo, não quero televisão.»
«Ah, e internet... qual o seu serviço?»
«É Optimus, quero dizer, é Nos...»
«Vive sózinho aqui?»
«Sim, sou sózinho.»
«Então, muito boa noite!» E estende-me a mão.
«Boa noite.»
Depois de lhe apertar a mão, fecho a porta e volto para a cozinha para preparar o jantar. Ponho-me a analisar: «É! Quase que me saía a terminação, será que ela ia gostar do meu frango? Bruxo, são oito da noite, também já fui vendedor porta-a-porta, cheiinho de fome a bater a casa das pessoas, inventava-se cada maneira de iniciar conversa com os clientes... também corria mal de vez em quando, coitadinho de quem precisa de trabalhar...»
domingo, 29 de outubro de 2017
Sarah
Is it you Sarah?
No, it's the storm
well, i could dig up some words
but I prefer to read one master's voice,
the voice of Julian Cope,
about this cult album and band: 'Golem' by Sand:
https://www.headheritage.co.uk/unsung/albumofthemonth/sand-golem
sexta-feira, 27 de outubro de 2017
quarta-feira, 25 de outubro de 2017
terça-feira, 24 de outubro de 2017
Traições e infidelidades
Nem mesmo as poucas pessoas que conhecem 'coisas' sobre mim
se terão apercebido desta história que vou contar.
Pois bem, eu namorava com a Maria (nome fictício) e estava satisfeito
mas depois num jogo de sueca ofereci à Joana (nome fictício)
uma rosa acabadinha de roubar de um jardim.
Tanto eu como a Joana não nos apercebemos do desconforto que provocámos à Maria, a minha parceira no jogo.
As semanas passaram e eu comecei a aborrecer-me.
Um dia no café disse à Maria que queria novidades, acção e reparei que a Joana acabara de entar no café.
Vieram as férias e a Maria ainda não tinha chegado quando a Joana me encontrou
e disse que me queria,
eu disse que sim, mas o meu corpo teve alguma dificuldade em satisfazer logo o seu desejo
mas com a sua persistência e carinho, o desejo veio e durou um mês.
Só a Maria não sabia ou talvez fizesse que não sabia.
Eu acabei por me sentir mal em estar a enganá-la e decidi voltar só para ela.
Causei um desgosto à Joana e jurei que ia tratar bem a Maria.
Mas já não era igual ao antes-de.
Comecei a sair mais com os amigos, ela fez o mesmo.
Até que novas férias vieram e eu pensei: sou um nabo, ela é bonita e fixe para mim, vou mudar.
Mas ela voltou e disse que já não me queria, e eu colapsei.
Seis meses mais tarde, voltámos a ver-nos, deu-nos o desejo de fazer amor,
e ela falou-me do novo namorado que vivia na terra dos pais
e quando se tinham conhecido, foi só fazer as contas aos meses.
Os meses passaram e conheci a Maria Joana (nome fictício, também conhecida como Ga...nza, ou simplesmente G.)
e também ela me escolheu entre vários pretendentes do momento
e também eu optei por ela enquanto me separava de uma X-Ana,
também ela teve a oportunidade de recusar os avanços do namorado anterior
e de me deixar no café informando-me que uma antiga amiga íntima lhe queria falar,
e também eu andava a ver se arranjava alternativa
e alternativa também talvez me quisesse mas eu não me sentia confortável com a situação.
Até que passei pelo deserto, comecei a satisfazer-me com
cassetes de vídeo e os comerciais das televendas pela noite dentro na televisão,
até que fui trocado por quem uma amiga dela disse ser
um cigano vizinho e eu ser já parecido com um papá.
Mais tarde tive a oportunidade de aguentar com as despesas emocionais de uma mulher
abandonada pelo marido que a deixou para ir viver com a amante num apartamento
e ainda lhe tirou as filhas e a deixou com sequelas de uma aborto que não quis assumir,
e eu fiz de cabrão-que-come-a-mulher-do próximo, passei por ser namorado,
depois fui companheiro, vivêmos juntos e passei a ser o visconde que pagava as contas,
até que as constantes zangas e diferenças de opinião fizeram com que quase
nos batêssemos fisicamente, até que tivemos a coragem de evitar nos matarmos um ao outro
e nos separámos.
Fim.
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