terça-feira, 12 de junho de 2018

Seara de ouro


tinta de aguarela sobre
desenho a grafite
impresso em papel de 150gsm
de tamanho A4
com moldura
2018
ZMB

A fé em Icata


'A fé em Icata'
óleo sobre tela (díptico vertical)
 73cm por 47,5cm (com moldura)
2000
ZMB

Envernizado e emoldurado em 2018

(fotografia de época)


domingo, 10 de junho de 2018

«Ser é uma acto de vontade, no escuro.» Podia ser absurdo existir, sem explicação.
Mas havia sempre um caminho, uma salvação: os outros.

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Mas a tristeza persistia. Ernesto recolhia-a no ar, no rastro das frases, no marulho indecifrável das ondas. Escondido o sol, eram, de novo, à solta, os hábitos do vento que arranhavam o azul-pardo daquela imensidão líquida e sonora, entre a areia ainda escaldante, cujo calor lhe dava, a ele, a mais próxima e tranquilizadora consciência de si próprio, até às nuvens cada vez mais escuras no céu. Aquele sorriso breve das espumas, sem luz, rolava, fazia-se e desfazia-se, na sua viagem do nada para o nada, começo e recomeço, tensão e explosão, surdina, queixume e solidão. Onde as raízes do som? Uma roda a girar fora dele, que era só um corpo prostrado na areia. O Lício falava em niilismo, e ele próprio se sentia naquele momento «nada»: um vazio interior inconfessável, como se todos os sonhos que o haviam habitado lhe fossem estranhos, embora neles tivesse acreditado com tanto fervor, e todo o seu passado apenas uma série de imagens mortas, de múltiplas faces, que não lhe pertenciam profundamente, mero encadeamento de gestos determinados por circunstâncias externas. E chamava ele pomposamente «suas» todas as palavras e atitudes e buscava a todo o transe uma coerência, que agora lhe parecia a mais absurda e impossível das ambições. «A menos», pensou, «que eu abandone a pretensão de ser coerente comigo, e aceite sê-lo tão-só com o que os outros esperam de mim. Sim: esse é que é o caminho certo, o que, apesar de tudo, permite continuar.» Porque cada um dos companheiros tinha dele uma ideia: em cada um deles ele existia, de facto, imaginariamente real; e, se o produto dessas aparência dava um homem, a silhueta que ele desenhara na vida, silhueta bastante forte para merecer confiança, como quer que tal prodígio se tivesse operado, cumpria agora conformar-se com essa imagem, mais verdadeira, mais segura, do que ele próprio, e agir tão perto dela, quanto possível. «Ser é uma acto de vontade, no escuro.» Podia ser absurdo existir, sem explicação. Mas havia sempre um caminho, uma salvação: os outros. Até porque só nos outros ele se encontrava; sem eles era pouco mais de nada: apenas aquela chaga do sol nas costas, a saliva na boca, o sexo erecto contra a areia quente. Os outros, sim: as mãos de Ivelise nos seus ombros: o amor que ele quisera, a sua imagem nela, a que não devia mentir, mesmo porque só assim um fulgor vago de harmonia seria possível; e os companheiros: o seu destino!
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, páginas 197-198

'Os insubmissos'
Urbano Tavares Rodrigues
Edição Unibolso

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Be real deranged Salaam

"I'm Deranged"

Funny how secrets travel
I'd start to believe 
if I were to bleed
Thin skies, the man chains his hands held high
Cruise me blond
Cruise me babe
A blond belief beyond beyond beyond
No return No return

I'm deranged
Deranged my love
I'm deranged down down down
So cruise me babe cruise me baby

[CHORUS]
And the rain sets in
It's the angel-man
I'm deranged

Cruise me cruise me cruise me babe

The clutch of life and the fist of love
Over your head
Big deal Salaam
Be real deranged Salaam
Before we reel
I'm deranged

[CHORUS (two times)]

Cruise me cruise me cruise me babe

I'm deranged



Eu sou suspeito
mas esta é a melhor música de David Bowie!

quinta-feira, 7 de junho de 2018

domingo, 3 de junho de 2018

A tua imagem pintada em todos os muros


'A tua imagem pintada em todos os muros'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2018
ZMB

Este quadro é a materialização em tela 
de um desenho a grafite nas costas de uma folha de um livro fotocopiado em formato A4, 
realizado em 2002 numa casa onde habitei 
e ao qual acrescentei alguns elementos pictóricos presentes em outros desenhos e telas.

O título deste trabalho é inspirado 
por um verso de Ornatos Violeta no álbum ‘O monstro precisa de amigos’

Memory of HCF


'Memory of HCF'
lápis e pastel de óleo sobre papel colado em cartão
78cm por 38,5cm (com moldura)
2009
ZMB

(fotografia de época)



Dois desenhos realizados em 2000 em estado de descompensação
tornaram-se símbolos colados na parede do quarto
com um conteúdo cujo significado se perdeu no tempo.
Em 2009 tornaram-se uma obra só e solitária por colagem em cartão canelado.
Às vezes, ainda me importo com o facto de me sentir desajustado
do mundo das conveniências.

HCF é o conhecido Hospital Conde Ferreira.