segunda-feira, 25 de junho de 2018

Ba Rau, Indonésia 1952


'Ba Rau, Indonésia 1952'
óleo sobre papel
42cm por 50,4cm (A2)
2009 - 2018
ZMB

A partir de um postal com foto a preto e branco

quarta-feira, 20 de junho de 2018

I paint you as a dead soul (after a Coil song)


'I paint you as a dead soul (after a Coil song)'
óleo sobre madeira
80cm por 90cm
2009 - 2018
ZMB

lyrics to Coil's Paint me as a dead soul:

Paint me as a dead soul
With a halo of black joy
Medusa in a mirror
Etched out in acid
The flesh, the image, the reflection
One who dwells in scarlet darkness
Like animals in palaces
Drawing blood
The flesh, the image, the reflection
Let's complete the illusion
Paint me as you see me
From memory or history
In a fever or a frenzy
Paint your lucid dreams and visions
In a chamber of nightmares
In a temple of locusts
So violent, vile and vivid
May the colours make you fearful
Blind and hypnotizing
In our subterranean heaven
Paint my cunt with dragonflies
My eyes as bright as diamonds
My heart open like an ulcer
Or a sacred crimson rose
Bathed in blood
Or drowning in my bed
With the fragrance from the flowers
In the gardens of the dead
Paint ghostly foxes, cats and camels
A red dog and a black dog
Paint a putrid sunset
In verdigris and violet
Ochre, amber, mauve
Four monks
Carrying a goat
Over the snows
To nowhere
And paint the shades
That come with evening
Peacock angels
Dream of leaving
Paint me as you see me
Paint me as I see me
Paint me as a dead soul


(fotografia de época)



sábado, 16 de junho de 2018

Figuras com crocodilo


'Figuras com crocodilo'
óleo sobre pano cru
62cm por 77cm (com grade)
2006 - 2018
ZMB

(fotografia de época)



A raposa esclerosada e o picafogo


'A raposa esclerosada e o picafogo'
anteriormente conhecido como 'Dois animais'
óleo sobre pano cru
59,5cm por 67cm (com grade)
2006 - 2018
ZMB

Foi colocada uma grade, o que reduziu as dimensões
e obrigou a uma pequena alteração de cor

(fotografia de época)





Mudei o nome deste quadro porque a figura da direita tem patas de ave e asas, 
logo não poderia ser um animal.
Os créditos a assinalar no novo nome deste trabalho repartem-se entre :
Mão Morta (o verso 'vaca esclerosada' da música 'Destilo ódio' do album 'Corações Felpudos'),
Tiago Coen (por me indicar que a figura da esquerda tem cara de raposa),
e o poeta J. Alberto Allen Vidal (é dele o termo 'Picafogo')

(fotografia de época)

'Dois animais'
óleo sobre pano cru
64cm por 70cm
2006
ZMB

Para alguns dos quadros deste período,
realizados em pano cru
devido ao acesso fácil e barato a este material,
as dimensões finais não estão determinadas
e serão menores ao lhe colocar no futuro a grade de madeira.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Seara de ouro


tinta de aguarela sobre
desenho a grafite
impresso em papel de 150gsm
de tamanho A4
com moldura
2018
ZMB

A fé em Icata


'A fé em Icata'
óleo sobre tela (díptico vertical)
 73cm por 47,5cm (com moldura)
2000
ZMB

Envernizado e emoldurado em 2018

(fotografia de época)


domingo, 10 de junho de 2018

«Ser é uma acto de vontade, no escuro.» Podia ser absurdo existir, sem explicação.
Mas havia sempre um caminho, uma salvação: os outros.

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Mas a tristeza persistia. Ernesto recolhia-a no ar, no rastro das frases, no marulho indecifrável das ondas. Escondido o sol, eram, de novo, à solta, os hábitos do vento que arranhavam o azul-pardo daquela imensidão líquida e sonora, entre a areia ainda escaldante, cujo calor lhe dava, a ele, a mais próxima e tranquilizadora consciência de si próprio, até às nuvens cada vez mais escuras no céu. Aquele sorriso breve das espumas, sem luz, rolava, fazia-se e desfazia-se, na sua viagem do nada para o nada, começo e recomeço, tensão e explosão, surdina, queixume e solidão. Onde as raízes do som? Uma roda a girar fora dele, que era só um corpo prostrado na areia. O Lício falava em niilismo, e ele próprio se sentia naquele momento «nada»: um vazio interior inconfessável, como se todos os sonhos que o haviam habitado lhe fossem estranhos, embora neles tivesse acreditado com tanto fervor, e todo o seu passado apenas uma série de imagens mortas, de múltiplas faces, que não lhe pertenciam profundamente, mero encadeamento de gestos determinados por circunstâncias externas. E chamava ele pomposamente «suas» todas as palavras e atitudes e buscava a todo o transe uma coerência, que agora lhe parecia a mais absurda e impossível das ambições. «A menos», pensou, «que eu abandone a pretensão de ser coerente comigo, e aceite sê-lo tão-só com o que os outros esperam de mim. Sim: esse é que é o caminho certo, o que, apesar de tudo, permite continuar.» Porque cada um dos companheiros tinha dele uma ideia: em cada um deles ele existia, de facto, imaginariamente real; e, se o produto dessas aparência dava um homem, a silhueta que ele desenhara na vida, silhueta bastante forte para merecer confiança, como quer que tal prodígio se tivesse operado, cumpria agora conformar-se com essa imagem, mais verdadeira, mais segura, do que ele próprio, e agir tão perto dela, quanto possível. «Ser é uma acto de vontade, no escuro.» Podia ser absurdo existir, sem explicação. Mas havia sempre um caminho, uma salvação: os outros. Até porque só nos outros ele se encontrava; sem eles era pouco mais de nada: apenas aquela chaga do sol nas costas, a saliva na boca, o sexo erecto contra a areia quente. Os outros, sim: as mãos de Ivelise nos seus ombros: o amor que ele quisera, a sua imagem nela, a que não devia mentir, mesmo porque só assim um fulgor vago de harmonia seria possível; e os companheiros: o seu destino!
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, páginas 197-198

'Os insubmissos'
Urbano Tavares Rodrigues
Edição Unibolso