sexta-feira, 10 de agosto de 2018

The cage


'The cage'
óleo e pastel de óleo sobre papel colado em placa de cartão
89cm por 60cm (com moldura)
1997
ZMB

Este ano de 2018, apenas recuperei o verso da moldura,
estava danificado pela humidade.

Este quadro começou por ser apenas um desenho numa folha de papel.
Então puz a folha na parede
e esta começou a ser pequena para tanto pormenor imaginado.
O quadro resolveu-se finalmente quando
colei as várias folhas numa placa de cartão.
Vêem-se pingos de sangue devido a um corte de x-acto involuntário.
O sangue do autor faz parte do seu processo de trabalho.

(fotografia de época)


Two nun sisters


'Two nun sisters'
óleo sobre pano cru
92,5cm por 118cm (com grade)
2007
ZMB


Este ano de 2018, apenas lhe coloquei uma grade com presilhas para colocar na parede.
Pintei-lhe a badana de preto.
Assim não precisa de moldura para poder ser colocado na parede.


(fotografia de época)


quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Que poder mágico?

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6.

Mulher -- como pode um só reflexo, bem falso e ordinário, levantar uma onda no sangue, que vem morrer no peito e desfazer o coração em espuma --, que poder mágico é esse que o teu silêncio guarda na memória de um homem?
'

, página 17

'Ultimato'
Dîogo Vaz Pinto
edição Maldoror, Janeiro 2018

quarta-feira, 8 de agosto de 2018

As três mulheres de Hércules

Uma bincadeira que espero ser inocente e afectuosa:


Mãe a quem pedir dinheiro e conselhos? Ana guru.
(Cruzes) diz ela.
Irmã com quem discutir filosofia e a cor do isqueiro? Alexandra g
(Coisa mai'linda) diz ela
Mulher a roubar ao Jack Sparrow? Cuca pirata
(Baimá loja) diz ela


Assinado: Hércules

sábado, 4 de agosto de 2018

Bestiário


'Bestiário'
óleo sobre pano cru
80cm por 143,5cm (com grade)
2006 - 2018
ZMB

(fotografia de época)


terça-feira, 31 de julho de 2018

Tragédia e comédia

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Notas da ilha, 
onde se prova que a realidade é superior à melhor ficção, neste caso uma realidade trágico-cómica.

1. Giu, o nosso poeta, foi convidado para uma noite ir ao albergue jantar. Não que não tivesse esse direito mas porque o Presidente ia lá estar. Giu começou a pensar na honra que era poder cumprimentar o Presidente, e começou a perguntar aos amigos se deveria lhe entregar as suas obras auto-editadas. O objectivo de Giu era que o Presidente lhe editasse as obras e o fizesse Nobel. Eu e muitos outros lhe dissemos para não entregar as obras, aqueles seus exemplares eram os últimos exemplares, Giu agradeceu-me e disse que ia fazer de acordo com o nosso conselho. A tal noite chegou, as televisões estiveram lá, houve quem visse Giu a abraçar-se ao Presidente e a entregar-lhe os livros. Segundo Giu, o Presidente disse: «Você entrega-me estes e receberá muitos mais!» Giu ficou contente dois dias e andou a contar o evento a todos e eu ainda procurei na net se havia registo filmado e encontrei o Presidente a jantar com os sem-abrigo no albergue, a ir visitar o local de dormida de outro e entregar-lhe um cartão do cidadão, a distribuir refeições na rua, enfim, um trabalho de mérito e o primeiro Presidente que abraça a causa dos mais desprotegidos.
Mas eu desconfio do Presidente e depois de brincar um pouco ironicamente ccom o futuro camião de livros que viria numa manhã próxima estacionar à porta da ilha, disse a Giu: «Fizeste mal, ele é de direita e afilhado do antigo ditador com o mesmo nome, tu tens um verso, antes de 74, em que critícas o 'Deus Marcelo', e ele pode não gostar, não te pode prender porque temos já liberdade de opinião mas pode abafar-te, fazer-te esquecer, deixar os teus livros na estante junto a tantos outros que ele recebe e nunca deles nada fazer...»
O certo é que passaram três meses e Giu ainda não viu o camião de livros e já escreve versos no seu 'Diário do Quotidiano' a queixar-se do Presidente, rebaixando-se ao dizer que, naquela noite, quis-lhe dizer que o Presidente era o pai que ele nunca teve, mas não conseguiu, vieram~lhe as lágrimas aos olhos e chorou no seu peito. É triste.
Andamos todos a começar a mudar a opnião sobre o Presidente, muito blablablá nas televisões e nada de concreto.

2. Para aumentar a desgraça de Giu, foi-lhe proposto receber a prestação de inclusão, um novo apoio social dado por este governo. Giu assinou os papéis todo contente, iria receber mais algumas dezenas de euros e este mês já com retroactivos, mas o que aconteceu é que acabou a perder o subsídio de férias da sua reforma por invalidez este mês de Julho e a tal prestação ainda não chegou. A gente fez as contas e alguém também lhe disse que o corte seria permanente e igualmente no subsídio de Natal: «Dão por um lado e tiram pelo outro, cabrões!» O resultado foi que o Giu não pode pagar o fiado no café e noutros lados e andou a chorar pelos cantos, a resmungar, a dizer que já não iria ter forças para ver a sua obra editada em vida, coitado do Giu.
O caricato foi ouvir a Bidente contar que o senhor do café veio à ilha uma tarde perguntar pelo calote do Giu e encontrou o mastodonte Luis a pintar as unhas dos pés da Bidente em cor lilás: «Vês Mur, eu também sou pintor!», eu bati palmas e disse «Sim Luís, tu aplicas a técnica à melhor prática eheheh, a cor é fixe!» Ao olhar para o contraste entre o alabastro da pele e o lilás das unhas, imaginei-me Rembrandt mostrando aqueles pés numa bandeja ao imperador Nero.

3. Estava eu a fazer um charro na casa três quando olho pela cortina da porta e vejo um capacete branco e um uniforme. Demoro uns momentos a reconhecer que é uma polícia motociclista que fala ao telemóvel. Desmarco o charro e toda a gente repara que a polícia chama pelo Luís. «Então Luís, pensas que eu tenho tempo para estas merdas, vá lá... porque faltaste à injecção?, tenho ordens para te levar, da próxima vez vais algemado, prepara-te rápido que o carro-patrulha está a chegar!» «Mas senhora guarda, eu faltei porque estava a trabalhar no Parque da Cidade, sou técnico de som!». «Vá lá, veste umas calças quaisquer, anda que eu ainda tenho de ir a outro lado!», O Giu mete-se na conversa e diz «eu também tomo a injecção, sou poeta, olhe este livro que eu tenho à venda, deixe-me recitar um poema...», «Não», diz a polícia «faça um dedicado a mim, chamo-me Rosa.» e o Giu recitou-lhe o poema 'Vácuo' enquanto ela esperava pelo Luís folheando o livro e os agentes do carro-patrulha já perguntavam em que concerto trabalhara o Luís: «Foi primeiro Xutos e depois Toni.» «Bem, estás pronto? anda daí, isso é que é, nós somos um belo táxi!», «Ó senhora agente, vai-me levar o livro sem pagar, ó senhora agente!»
E eles lá foram ao hospital, o Giu fodido foi comprar a receita à mercearia e eu fiquei-me a rir com a Bidente e o Dário, e a tresvariar a canção dos Mão Morta, Giu como o Adolfo cantando: «a polícia roubou-me, roubou-me o livro, rai's partam a polícia!»
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Claudio Mur