domingo, 30 de setembro de 2018

“Nos anos 70 a gente namorava no R/C e aparecia grávida no primeiro andar.” José “Cocas” desiste do debate.

Comprar couves em Serralves

Três trabalhos com inspiração bíblica

Estes trabalhos foram pintados em telas que salvei de irem para o lixo.
Estas imagens foram inspiradas em imagens presentes num 
livro da colecção Livros RTP de nome
'100 obras-primas da pintura europeia'



'Crucificação'
óleo sobre tela
25cm por 20cm
2018
ZMB
a partir de Mathias Grunewald


'O baptismo'
óleo sobre tela
30cm por 40cm
2018
ZMB
a partir de um detalhe de El Grecco

Adenda: (este quadro «o baptismo» foi vendido)


'Pietá de Avignon'
óleo sobre tela
25cm por 20cm
2018
ZMB 
a partir de 'talvez' Pierre Villatte,
jovem colaborador de Charonton

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Citação

'
Viver é a coisa mais rara do mundo.
A maioria das pessoas apenas existe.
'

Oscar Wilde

e depois há aqueles como eu
que escreveram querer apenas Ser ou Existir,
um sinal de que não vivem verdadeiramente
e tentam, isso sim, sobreviver ao tédio e ás conveniências.
Quando o meu fusível queimou fui relegado para a condição de sub-humano,
mas escapei da periódica injecção anti-psicótica, escapei de cair na rua e na fome,
isso faz de mim um sobrevivente.
Também eu estou cansado mas não darei mais nenhum passo para apressar a morte
-- ela virá um dia -- mas terá de trabalhar para isso.
Sobrevivo ao burn-out rijo como um corno e mole ou moldável o suficiente
para virar costas, sigo livre e só.
Não tenho paciência para novidades e coisas ás quais já sei o epílogo,
prefiro passar o tempo a ler as atrocidades do Capitão Ahab:
quem nunca sentiu ressentimento que atire a primeira pedra
e quem disser que nunca chamou «puta» ou «paneleiro» a alguém, estará a mentir.
Goebbels dizia para acusar o outro de atrocidades que nós mesmo queremos cometer.
Há muita gente a imitar os actos daqueles que odeiam, dizem:
se ele fez eu também posso
se ele conseguiu eu também hei-de ser mais bonito do que ele..
Não há santos, não há santas. há interesses,
há a vontade de bajular para que nos bajulem e nos mandem
um bj para que possamos dormir sentindo que temos a propriedade a salvo:
é nessa altura que vamos ao museu comparar a nossa pila com as pilas do Mapplethorpe
e mostrar que somos condescendentes, paternalistas, poderosos e influentes,
queremos ser todos presidentes, assistentes nunca, queremos o topo e nunca o vão de escada
queremos todos ser dirigentes máximos do nosso lóbi: eu cá preferia ver uma exposição de conas
mas isso sou eu que gosto do órgão que não possuo,
não tenho espelho para vos dar a ver a nossa miopia, justa ou injusta
boçal ou trendy a morte há-de chegar,
é a única condição verdadeiramente democrática e não-hipócrita:
levar-nos-á a todos,
bons, maus, loucos, puras e santos, conselhos de administração e de condomínio.
ignorem tudo isto, são apenas frases avulsas umas atrás das outras,

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O diabo na mão

'
Pinto uma tela a pensar
                    na filósofa que conheci.
Entitulo: a beleza está a dormir para 
                        manter a tinta limpa.
De tão narcísico tinha antes dislexiado:
uma beldade está a pintar para
                        manter o sono limpo.
Escuto Zeca Afonso. Tenho o diabo na mão.
Vou cair das nuvens para ir ao futebol.
É verdade: não me apetece incorporar 
               a couve do quintal no quadro.
Saio para a galeria.
A inauguração correu ontem.
Leio os comentários no livrinho.
Gostaram do Old woman de 1998.
Coloco o preçário. 
Saio para beber um galão dragão.
Chego a casa. Spino Nirvana unplugged.
Fico a saber: os meus dois bosses 
                           também fumam ganza.
É tarde. Preciso de dormir.
Apetece-me escreve mas...
'estou tão bem debaixo dos lençóis.'
Apago a luz.

'

Claudio Mur 



Chamaram-me um dia Cigano e maltês Menino, não és boa rés Abri uma cova Na terra mais funda Fiz dela A minha sepultura Entrei numa gruta Matei um tritão Mas tive O diabo na mão Havia um comboio Já pronto a largar E vi O diabo a tentar Pedi-lhe um cruzado Fiquei logo ali Num leito De penas dormi Puseram-me a ferros Soltaram o cão Mas tive o diabo na mão Voltei da charola De cilha e arnês Amigo, vem cá Outra vez Subi uma escada Ganhei dinheirama Senhor D. Fulano Marquês Perdi na roleta Ganhei ao gamão Mas tive O diabo na mão Ao dar uma volta Caí no lancil E veio O diabo a ganir Nadavam piranhas Na lagoa escura Tamanhas Que nunca tal vi Limpei a viseira Peguei no arpão Mas tive O diabo na mão

sábado, 22 de setembro de 2018

Três quadros meus na parede da Galeria Cruzes Canhoto



(disponíveis para venda)

Enquadrados numa mostra de artistas outsider
com Idalécio, Damião Vieira, João Alves, Sátrapa, Monica Faverio e ZMB

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Uma vida a salvar vidas

Uns chamam-lhe o barco dos afogados, outros o dos salvamentos. Na madeira, a letras brancas sobre tinta azul, lê-se apenas Lobo do Mar. No início, servia para a pesca, mas o tempo mudou-lhe a função. É a bordo dele que Gastão Teixeira, de 65 anos, resgata quem cai ou quem se atira ao Douro. Há já 23 anos que assim é - sempre a título voluntário. Gastão é quem lá está, de vigia, antes de a Polícia Marítima ou de os Sapadores chegarem. É quem salta para o barco antes que o corpo se afunde.


Bem haja
e
obrigado.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Welcome to paradise! city


'Welcome to paradise! city'
Vários tipos de cor aplicada em cartão
114cm por 83,5cm (com moldura)
1997
ZMB

Este quadro foi re-emoldurado este ano de 2018
porque a moldura azul que tinha sido colocada em 1999 estragou-se.

A história que este quadro conta é a história de uma mulher de branco
que caminha numa espécie de pontão onde no final do percurso
encontra um guardião disforme que lhe diz:
«Benvinda à cidade paraíso»

Em 2008 pintei o reverso deste quadro e chamei-lhe:
«Não és benvindo à cidade paraíso»

(Desculpem o erro ortográfico no inglês do link)

(fotografia de época)