terça-feira, 2 de outubro de 2018

Ela devolveu



https://www.discogs.com/N%C3%BAbia-Lafayette-Quem-Eu-Quero-N%C3%A3o-Me-Quer/release/6639010

Devolvi O cordão e a medalha de ouro E tudo que ele me presenteou Devolvi suas cartas amorosas E as juras mentirosas Com que ele me enganou Devolvi A aliança e também seu retrato Para não ver seu sorriso No silêncio Do meu quarto Nada quis guardar como lembrança Pra não aumentar meu padecer Devolvi tudo Só não pude devolver A saudade cruciante Que amargura meu viver

domingo, 30 de setembro de 2018

quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Citação

'
Viver é a coisa mais rara do mundo.
A maioria das pessoas apenas existe.
'

Oscar Wilde

e depois há aqueles como eu
que escreveram querer apenas Ser ou Existir,
um sinal de que não vivem verdadeiramente
e tentam, isso sim, sobreviver ao tédio e ás conveniências.
Quando o meu fusível queimou fui relegado para a condição de sub-humano,
mas escapei da periódica injecção anti-psicótica, escapei de cair na rua e na fome,
isso faz de mim um sobrevivente.
Também eu estou cansado mas não darei mais nenhum passo para apressar a morte
-- ela virá um dia -- mas terá de trabalhar para isso.
Sobrevivo ao burn-out rijo como um corno e mole ou moldável o suficiente
para virar costas, sigo livre e só.
Não tenho paciência para novidades e coisas ás quais já sei o epílogo,
prefiro passar o tempo a ler as atrocidades do Capitão Ahab:
quem nunca sentiu ressentimento que atire a primeira pedra
e quem disser que nunca chamou «puta» ou «paneleiro» a alguém, estará a mentir.
Goebbels dizia para acusar o outro de atrocidades que nós mesmo queremos cometer.
Há muita gente a imitar os actos daqueles que odeiam, dizem:
se ele fez eu também posso
se ele conseguiu eu também hei-de ser mais bonito do que ele..
Não há santos, não há santas. há interesses,
há a vontade de bajular para que nos bajulem e nos mandem
um bj para que possamos dormir sentindo que temos a propriedade a salvo:
é nessa altura que vamos ao museu comparar a nossa pila com as pilas do Mapplethorpe
e mostrar que somos condescendentes, paternalistas, poderosos e influentes,
queremos ser todos presidentes, assistentes nunca, queremos o topo e nunca o vão de escada
queremos todos ser dirigentes máximos do nosso lóbi: eu cá preferia ver uma exposição de conas
mas isso sou eu que gosto do órgão que não possuo,
não tenho espelho para vos dar a ver a nossa miopia, justa ou injusta
boçal ou trendy a morte há-de chegar,
é a única condição verdadeiramente democrática e não-hipócrita:
levar-nos-á a todos,
bons, maus, loucos, puras e santos, conselhos de administração e de condomínio.
ignorem tudo isto, são apenas frases avulsas umas atrás das outras,

segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O diabo na mão

'
Pinto uma tela a pensar
                    na filósofa que conheci.
Entitulo: a beleza está a dormir para 
                        manter a tinta limpa.
De tão narcísico tinha antes dislexiado:
uma beldade está a pintar para
                        manter o sono limpo.
Escuto Zeca Afonso. Tenho o diabo na mão.
Vou cair das nuvens para ir ao futebol.
É verdade: não me apetece incorporar 
               a couve do quintal no quadro.
Saio para a galeria.
A inauguração correu ontem.
Leio os comentários no livrinho.
Gostaram do Old woman de 1998.
Coloco o preçário. 
Saio para beber um galão dragão.
Chego a casa. Spino Nirvana unplugged.
Fico a saber: os meus dois bosses 
                           também fumam ganza.
É tarde. Preciso de dormir.
Apetece-me escreve mas...
'estou tão bem debaixo dos lençóis.'
Apago a luz.

'

Claudio Mur 



Chamaram-me um dia Cigano e maltês Menino, não és boa rés Abri uma cova Na terra mais funda Fiz dela A minha sepultura Entrei numa gruta Matei um tritão Mas tive O diabo na mão Havia um comboio Já pronto a largar E vi O diabo a tentar Pedi-lhe um cruzado Fiquei logo ali Num leito De penas dormi Puseram-me a ferros Soltaram o cão Mas tive o diabo na mão Voltei da charola De cilha e arnês Amigo, vem cá Outra vez Subi uma escada Ganhei dinheirama Senhor D. Fulano Marquês Perdi na roleta Ganhei ao gamão Mas tive O diabo na mão Ao dar uma volta Caí no lancil E veio O diabo a ganir Nadavam piranhas Na lagoa escura Tamanhas Que nunca tal vi Limpei a viseira Peguei no arpão Mas tive O diabo na mão

sábado, 22 de setembro de 2018

Três quadros meus na parede da Galeria Cruzes Canhoto



(disponíveis para venda)

Enquadrados numa mostra de artistas outsider
com Idalécio, Damião Vieira, João Alves, Sátrapa, Monica Faverio e ZMB

sexta-feira, 21 de setembro de 2018

Uma vida a salvar vidas

Uns chamam-lhe o barco dos afogados, outros o dos salvamentos. Na madeira, a letras brancas sobre tinta azul, lê-se apenas Lobo do Mar. No início, servia para a pesca, mas o tempo mudou-lhe a função. É a bordo dele que Gastão Teixeira, de 65 anos, resgata quem cai ou quem se atira ao Douro. Há já 23 anos que assim é - sempre a título voluntário. Gastão é quem lá está, de vigia, antes de a Polícia Marítima ou de os Sapadores chegarem. É quem salta para o barco antes que o corpo se afunde.


Bem haja
e
obrigado.

quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Welcome to paradise! city


'Welcome to paradise! city'
Vários tipos de cor aplicada em cartão
114cm por 83,5cm (com moldura)
1997
ZMB

Este quadro foi re-emoldurado este ano de 2018
porque a moldura azul que tinha sido colocada em 1999 estragou-se.

A história que este quadro conta é a história de uma mulher de branco
que caminha numa espécie de pontão onde no final do percurso
encontra um guardião disforme que lhe diz:
«Benvinda à cidade paraíso»

Em 2008 pintei o reverso deste quadro e chamei-lhe:
«Não és benvindo à cidade paraíso»

(Desculpem o erro ortográfico no inglês do link)

(fotografia de época)



segunda-feira, 17 de setembro de 2018

I find her pretty



Don't come knocking 'round my door
I don't wanna see your face no more
Colored lights can hypnotize
Sparkle someone else's eyes
Woman

"Alright you three, come on out of there!
We know your names!
We've got you right here in our files!
We've got automatic weapons, the building is surrounded, you're gonna fall! You're gonna fall!
Just remember this:
No matter what happens, no man is an island!
Remember that, no man is an island!
Come on outta there!
Come on outta there, we know you've killed thousands!
Here's a thousand more!"

Don't come knocking 'round my door
I don't wanna see your face no more
I don't need your war machines
I don't need your war machines
I don't need your war machines
I don't need your war war war war

Woman, I said get away
American woman, listen what I say

American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman
American woman, American woman

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Pyramid of skulls by Carlos Casas





https://www.discogs.com/Carlos-Casas-Pyramid-Of-Skulls/release/10387374

O segundo disco deste álbum é o que gosto mais.
^Tem voz e instrumentos de cordas
gravados numa região muçulmana (penso eu) da antiga URSS.

Também gosto dos visuais que fazem a promoção deste álbum,
especialmente o uso da imagem fantasmástica (ghosting) e outros filtros.
Os sons fazem sentido com as imagens. estas amplificam o significado do som.

Fico contente igualmente porque sinto alguma afinidade com este trabalho
tanto a nivel sonoro como visual.
gostaria de poder ver um vídeo completo.

Carlos Casas (Barcelona, 1974) is a Spanish director and visual artist.
http://www.carloscasas.net

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Baby sitter and seated sister 2


'Baby sitter and seated sister 2'
óleo sobre tela
150cm por 100cm
2006 - 2018
ZMB

Uma revisitação com mais cor em pormenor deste trabalho:
http://zmb-mur.blogspot.pt/2014/05/baby-sitter-and-seated-sister.html

Este trabalho é puramente ficcional, 
não é baseado em qualquer casal lgbt que possa conhecer ou ter conhecido.
As poucas coisas verdadeiras são o narguilé e as referências a dois desenhos eróticos,
que reinterpretei e que reproduzo os originais em baixo: 
um de Aubrey Beardsley (Lysistrata) e 
outro de Thomas Rowlandson (The old client)
retirados de um livro chamado 'Sexuality in Western art' com capa de Paula Rego.

Beardsley

Rowlandson

'Sexuality in Western art'


(fotografia de época)

sexta-feira, 7 de setembro de 2018

Kulu Sé Mama

~

John Coltrane — tenor saxophone Pharoah Sanders — tenor saxophone, percussion McCoy Tyner — piano Jimmy Garrison — double bass Donald Rafael Garrett — bass clarinet, double bass, percussion Frank Butler —drums, vocals Elvin Jones — drums Juno Lewis — vocals, percussion, conch shell, hand drums Recorded on October 14, 1965.

quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A via do funâmbulo


'A via do funâmbulo'
óleo sobre tela
150cm por 100cm
2007 - 2018
ZMB

(fotografia de época)


sábado, 1 de setembro de 2018

For Val Denham


'For Val Denham'
tinta acrílica e aguarela sobre desenho em papel colado em cartão canelado
49,5cm por 45,5cm (com moldura)
2017
ZMB

emoldurado em 2018


 Val Denham é uma artista visual transgénero, também faz música.
Vive em Inglaterra.


As suas imagens no google aqui

(fotografia de época)


All people are tripping around


'All people are tripping around'
vários tipos de cor sobre placa de canvas
62,5 cm por 42,5cm (com moldura)
2000
ZMB

Emoldurado em 2018
segundo me explicaram na loja de molduras:
o suporte canvas é uma superfície de cartão
que foi revestido, na parte a pintar, de uma camada de tela

Este é um trabalho de poesia visual.
As palavras são da época,
o seu significado perdeu-se:

'
All people are tripping around
It's time for another smoke
A professional liar looking for the fun
Flipping with people's mind and conscience
Just a game after all
What do you think you are?
People say
You are what 2 thousand people say you are
Other people say
Other people like to talk around the back
All bullshit and lies
People don't like to be told on the face about what they really are
They are coward we are coward too much humble
They became angry
We told different stories
Half truths half lies
A book of fiction
They told their stories
They were wrong
They talk to the wrong person
There is no argument
'

(fotografia de época)


quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Rasa and me

'
Rasa é como se chama a minha amiga especial. Agora que sei um pouco da sua história, contada por ela no decorrer de alguns bons momentos de partilha ao longo dos últimos anos, penso que poderei dizer sem cair em grave exagero ser ela uma pirata de longo curso, uma raínha, mas uma raínha caminhando actualmente no limbo, ou para ser mais urbano e menos metafísico, Rasa vive sentada em cima do muro. A seu lado tem o portátil com câmera web, cigarros de bico amarelo ou camelos electrónicos, cerveja, pipocas, de vez em quando sonha em comprar um porco-espinho. 
Rasa é uma pirata com largas provas dadas. O seu objectivo sempre foram homens mais velhos, os naturais substitutos do seu pai, e quantos aos mais novos ou da sua idade, bem na verdade chegou a ter sete namorados ao mesmo tempo, cada um tinha hora marcada de entrada e hora de saída, achava-os muito sem-atitude, não eram homens que lhe pudessem proporcionar o que ela bem mais queria, o que igualmente tanta pessoa quer: aliar o melhor conforto de um ombro ou de um membro de uma pessoa à bolsa exuberante que paga todas as contas. Os sem-atitude tinham pêlo na venta e muita explosão prometida, ela ria-se com todos eles, passava um bom bocado de letra jogada fora, mas... havia sempre um mas, não passavam de aspirantes. Rasa queria um homem feito, teve vários até hoje estar com o actual em cima de um muro. Acabaram mortos e enterrados como pessoa-não-identificada num qualquer pinhal em Para-lá-dos-montes, mortos pelos amantes das suas amantes. Rasa queria conforto e teve-o de vários homens, casou com eles, teve filhos, uma casa, até mesmo uma família. Só não se sentia bem quando o marido passava a semana toda fora e voltava bêbado. Qaundo se fartou pô-lo fora de casa. Três meses mais tarde, soube pela rádio local: «Crime numa casa de alterne. Uma mulher desfigurada e um homem morto. Assassino a monte. Desconhece-se a identidade dos protagonistas além da mulher atingida à facada nem as reais causas, notícia em desenvolvimento.» 
Rasa chorou duas lágrimas mas não reclamou o corpo. O seu filho não conheceria o pai. Passaram tempos difíceis, mas a família não a abandonou, tomou conta do neto enquanto ela procurava emprego. Rasa ouviu muitos nãos. Chegou a ir a entrevistas marcadas pelo centro de emprego, sentou-se em frente a directores de recursos humanos e psicólogas, e uma destas disse-lhe que mesmo para cuidar de idosos era preciso ter perfil, ao que ela com dignidade respondeu que a sua principal preocupação era o bem-estar da pessoa idosa, tantas vezes carente, sózinha, a necessitar de assistência. Nesta entrevista em particular, saíu de lá derrotada, elas disseram-lhe que lhe ligavam mas ela não acreditou, decidiu que não gostavam dela, que talvez não tivesse o perfil, apanhou uma bebedeira nessa mesma noite, andou desaparecida durante três dias, roubaram-lhe o telemóvel e o cartão multibanco e cortaram-lhe a luz. 
Quando voltou à tona e me contactou pela videochamada, disse que estava em casa de uns amigos, e que tinha ido a mais um escritório para outra entrevista, desta vez uma cunha dos seus actuais senhorios: um casal jovem que até já lhe faz promessas de ela poder no futuro ser babysitter da sua filha de sete anos. Eu fiquei aliviado, ela estava bem, mais um filme realizado em tempo recorde por ela, eu que me deslumbrei com os meus próprios filmes tenho agora uma amiga na profissão! 
O certo é que ela chegou a ir fazer um dia de experiência, e logo num Domingo às oito horas da manhã, no mesmo lar de idosos onde a psicóloga lhe tinha dito que talvez Rasa não tivesse perfil. Pois bem, Rasa alimentou as pessoas acamadas, deu banho às pessoas idosas, limpou e lavou os quartos de repouso e as casas de banho, houve até uma senhora que lhe perguntou onde ela tinha estado que já não a via há muito tempo, e ela, rindo-se afectuosamente, disse que tinha estado de férias. Ou seja, correu tudo bem. O problema segundo Rasa era que, ficou a saber depois, o trabalho era a recibos-verdes, três euros à hora. Ela não aceitou. Eu fiquei a pensar: então uma pessoa não tem perfil para trabalhar e ter um contrato de trabalho digno mesmo que a termo certo, mas já serve para trabalhar a recibos-verdes?? Há muita hipocrisia no mercado laboral, depois os patrões queixam-se que as pessoas não querem trabalhar.
Era nisso que estava a pensar há pouco, quando ela me liga:
«Atão Mur, tá tudo?»
«Sim, novidades?»
«Hoje só tenho desgraças para contar...»
«Conta na mesma.»
«Sabes aquela minha amiga que mora em Ninde e que tem aquelas duas crianças que eu digo que são minhas filhas?»
«Sim... aquela que se acha muito bonita?»
«Ela é ainda um mulher bonita, não sejas assim...»
«Está bem, que se passa com ela?»
«Levou porrada do namorado, ele bateu nela e nos filhos...»
«A sério!?, porquê?»
«Não sei, o que eu acho estranho é o pai não ter feito nada... que pai é esse que não vai atrás do namorado da ex-mulher? Bem, eu vi a foto da nova mulher dele, parece que tem problemas de cabeça, ele andava sempre a dizer que queria uma mulher rica...»
«Eu acho que ele não bate bem da mona, ora essa!»
«Também é o que penso mas há mais...»
«Mais? Conta.»
«Lembras-te do Frederico e da Isabel?, aqueles com quem estive uma semana e brinquei com a menina deles?»
«Ah sim, aquele que te disse que quando o gajo que te roubou o telemóvel aparecer no Nandos lhe parte os dedos?»
«Sim, eles os dois, pois olha, andaram ao estalo e estão em processo de separação, estão a viver em quartos separados, só falam o estritamente necessário, ele até anda a dizer que se vai mudar para casa da mãe dele, acabou de me convidar para ir lá amanhã, a Isabel tem o seu dia de folga, convidou-me para almoçar com eles, o que achas?»
(Eu, que fui uma ou duas vezes íntimo de cama com Rasa e que actualmente sublimo o meu amor por ela sendo apenas seu amigo de conversa e cerveja, tenho às vezes de passar por cima de algum ressentimento provocado por algum ciúme que as suas palavras me provocam. As suas palavras são reveladoras das suas acções e são palavras sinceras. Ora eu pefiro a sinceridade à mentira, mesmo que não goste da verdade, o tempo em que eu pedia mentiras já lá vai. Ela já não me vê como parceiro sexual, nem nunca me viu como um futuro marido. Lá está, eu sou um ou dois anos mais novo, e portanto sou apenas uma criança, isto claro está segundo o modo como ela vê e classifica os homens. A verdade é que ela anda sempre a arranjar-me sucedâneos, cria-os de todos as cores e idades, uns mais novos outros mais velhos, uns pernetas outros carecas outros com turbante e com alguns fala recorrendo ao tradutor do google, alguns já estiveram no aeroporto chegados do Egipto prontos a levá-la a conhecer as pirâmides, outros ofereceram-lhe casacos de pele outros pagaram-lhe a internet, a luz e a água e a nova cor do cabelo, eu até lhe disse que aquele azul-prussiano lhe fica muito bem... «... especialmente agora que desfrizaste o cabelo.» A verdade é que ela me dá paz de espírito, é a primeira mulher que se torna minha amiga depois de ter sido minha íntima, é uma evolução benéfica para mim, antigamente eu tinha namoradas, amava e era amado, zangava-me e nunca mais conseguia ter uma relação de amizade com elas, ou elas me passavam a desprezar ou era eu que as passava a ignorar. Com Rasa as coisas são diferentes, somos iguais na diferença, eu sou pintor e ela é pirata, temos em comum o prazer de ouvir música, beber e fumar, conversar, contar e pedir conselhos um ao outro, quando um precisa o outro está o mais perto possível dando a ajuda possível. Isso é bom e para o momento vai-me chegando, os seus filmes contagiam a minha imaginação e eu ponho aquele disco especial só para ela.)
«Bem Rasa, nesse segundo caso de violência doméstica há várias coisas mal explicadas, e não acho bem que tu vás para casa deles enquanto eles estão zangados um com o outro, a Isabel pode ficar furiosa contigo e podes perder outra amiga...»
«Eu quero que ela se lixe...»
«Mas conta lá, eles andaram ao estalo? Quem começou, quem teve a culpa?»
«O Frederico estava a brincar com a filha e deu-lhe uma lambada de brincadeira na testa, e a Isabel deu um murro a Frederico e o Frederico respondeu por tabela, tudo isto à frente dos cunhados.»
«Parece-me que a Isabel não devia ter feito o que fez mas não sei porque o fez, talvez as coisas já não andassem bem, acho ainda assim que deves recusar o convite dele, deixa-os fazer as pazes.»
«É, acho que estás certo, é melhor deixar os abutres pousar e a poeira assentar, e tu que fazes hoje?»
«Estou à tua espera minha querida, estou a convidar-te para um copo e uma cachimbada de erva, que dizes?»
«Vou já praí!»

E agora desculpem-me mas tenho assuntos urgentes à minha espera como deverão calcular, é só rever o texto e clicar «Publicar».
'

Claudio Mur

domingo, 26 de agosto de 2018

Maria Santa sendo adorada com glass harmonica



Thomas Bloch Sancta Maria (1998)* Fabrice Di Folco, male soprano, baritone and all voice parts Thomas Bloch, glass harmonica, keyboards

Sculpture: Pietro Canonica, Beatrice, 1910, Rome, Museo Pietro Canonica

*World premiere recording

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Ram Fighting


'Ram Fighting'
óleo sobre tela
100cm por 150cm
2006 - 2018
ZMB

(fotografia de época)


Em vez de um toureiro uma toureira,
em vez de um touro um carneiro
este quadro terá provavelmente uma interpretação psicanalítica
e, de certo modo durante esta altura (2006) do meu percurso, 
eu identifico-me com e quase me pre-vejo no carneiro.