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quarta-feira, 23 de agosto de 2017

O estúdio de ZMB


'O estúdio de ZMB'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2005 - 2017
ZMB

Baseado num desenho de 2001 (ver em baixo)
é agora uma paisagem desactualizada 
pela passagem do tempo
e das circunstâncias.

Este ano de 2017 ao voltar a pegar neste trabalho. adicionei-lhe alguns elementos:
a imagem do caçador com o cão é uma peça de artesanato que ainda hoje continua no Anexus 51;
as capas de dois discos -- um de Albert Ayler e outro de Annie Anxiety;
e uma interpretação minha de um desenho de Austin Osman Spare.
 que está incluído numa re-edição do livro 'The Focus of Life' de AOS pela editora Fulgur Esoterica.

(desenho de 2001)

Anexus 51


(fotografia de época)

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Natureza viva com bico de fogão


'Natureza viva com bico de fogão'
óleo sobre tela
80cm por 60cm
2004 - 2017
ZMB

Este é um quadro surrealista
que brinca com a noção de natureza morta:
em vez de apresentar uma terrina com maçãs
apresento dois seres vivos sendo cozinhados.

(fotografia de época)


sexta-feira, 14 de julho de 2017

Bus stop


'Bus stop'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2005 - 2017
ZMB

Este trabalho tal como este:
e este:
lidam com algumas memórias do tempo que passei na Irlanda,
os dois últimos lidam com a lembrança de uma ex e eu num mundo de animais,
e de uma ex com o meu sucedâneo e eu a ver passar os navios enquanto ouvia música ao vivo.

Este trabalho tem como memória-base a paragem do autocarro onde saía para entrar ao trabalho.
É um motivo banal ao qual, este ano, adicionei alguns elementos pictóricos
que encontrei em desenhos meus.
Faço também uma referência ao filme 'A máscara', 
um filme que não vi mas que foi popular nas décadas passadas.


(fotografia de época)


terça-feira, 11 de julho de 2017

Moriarty's


'Moriarty's'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2005 - 2017
ZMB

Moriarty é ao que parece o inimigo do Sherlock Holmes
mas é também um bar em Cork na República da Irlanda
onde eu ouvia música ao vivo
quando lá passei um ano num estágio profissional
logo após terminar os estudos universitários em 1997.


(fotografia de época)


sexta-feira, 16 de junho de 2017

Remembering


'Remembering'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2004-2017
ZMB

Lembrar um casal de namorados num mundo de animais.
Fosse o mundo a preto e branco e seríamos todos pessoas.



(fotografia de época)



segunda-feira, 5 de junho de 2017

Caranguejos


'Caranguejos'
óleo sobre tela
70cm por 80cm
2001-2017
ZMB

Este quadro começou em 2001 por ser apenas a figura do casal a vermelho num fundo amarelo.
Na altura disse: -- Perfeito, não estragues, está acabado!
Um colega em 2002 pediu-me uma colaboração para uma edição em papel
e eu ofereci-lhe uma foto deste quadro. Nunca tive conhecimento se a foto foi usada.
Em 2007 comecei a pensar que podia dar mais vida ao quadro e enquadrei o casal numa sala
fraccionando o fundo amarelo, colocando uma janela, uma porta, quadros minimalistas na parede
e fazendo algumas sombras no casal vermelho.
Foi neste estado que o quadro foi apresentado em 2008 
na exposição em Miragaia, Porto no Púcaros Bar, 
que actualmente é um espaço para turistas petiscarem.
Na exposição conheci um casal, mais velho que eu, onde ela é pintora, 
soube que moravam perto da minha casa de família e ele perguntou-me porque dei eu o nome de
'Caranguejos' ao quadro. Eu expliquei que o símbolo Cancer do zodíaco
me parece ter algumas semelhanças com um 69 deitado.
Este ano, 2017, voltei ao quadro não só porque,
 devido às fracas condições de armazenamento, a cor se deteriorou, mas também porque
achei que podia dar mais conteúdo e melhorar o pormenor.

A frase inscrita no quadro é de Aleister Crowley.

(fotografia de época)


quinta-feira, 18 de maio de 2017

terça-feira, 2 de maio de 2017

Duas figuras com bigode


'Duas figuras com bigode'
óleo sobre pano crú
37cm por 41,5cm (com moldura)
2006 - 2017
ZMB

Um quadro lgbt


**

(fotografia de época)


quarta-feira, 12 de abril de 2017

Três figuras: O ego cheio de sol


'Três figuras: O ego cheio de sol'
óleo sobre pano crú
43,5cm por 36cm (com moldura)
2006 - 2017
ZMB

(fotografia de época)

domingo, 9 de abril de 2017

Uma figura: hedonista à baliza


'Uma figura: hedonista à baliza'
óleo sobre tela
45cm por 35cm
2000

ZMB

Reponho hoje este quadro porque em Março estive a repintar o preto.
Como não fiz alterações significativas não actualizo a data do quadro.
Apenas o título que nos diz ser um portal para este texto:



(fotografia de época)

A vida pode ser um absurdo mas hoje já não me sinto muito desgraçado.
Tenho feito ao longo destes anos um esforço de me compreender
e de me enquadrar na sociedade.
As circunstâncias da minha vida mudaram para melhor:
reformei-me e tornei-me pintor a tempo inteiro.
Sei que não agrado a todos e muitos ainda me olham com desconfiança pelos actos do meu passado.
As desculpas não se pedem, evitam-se.
Quando são aceites e se forem sinceras, isso às vezes faz com que o Outro a quem se pede desculpa abuse da nossa humildade.
Aprendi a lidar com a falsidade.
Mas também sei reconhecer quem me tem dado a mão.
Se a saúde não me trair terei mais quarenta anos de pintura pela frente:
The sky is the limit!

[adenda: texto publicado aqui em Maio de 2014]

No ano de 2000 fui hospitalizado duas vezes.
O diagnóstico foi o de esquizofrenia paranóide.
Deleuze diz que Freud nunca gostou de esquizofrénicos.
Ao mesmo tempo, no Anti-Édipo, Deleuze diz
e não sei se será uma anedota, diz que nunca viu um esquizofrénico.
A tentativa de explicar uma psicose reduz-se quase sempre
a neuroticizá-la ou a torná-la perversa.
Dizem que um esquizofrénico não tem cura
e eu digo que um esquizofrénico é um prisioneiro da liberdade.
Sou mais livre que todos vós.
Este 'vós' é o sujeito chamado rebanho,
aquele que se submete à autoridade e que deseja depois ser autoridade.
Neste mundo, todos querem mandar e ser patrões e ter escravos,
alguém, 
tantos que se corrompem a trabalhar para eles
em troca da moeda, da palmadinha nas costas.
Sou mais livre que todos vós
mesmo que seja actualmente pobre no sentido económico
e sinta a vida como um absurdo.

terça-feira, 4 de abril de 2017

Exorcise [the brainwash]


'Exorcise [the brainwash]'
óleo e pastel de óleo sobre tela
45cm por 35cm
2000-2017
ZMB


Exorcise | Brainwash
Exorcisar [a] lavagem cerebral
um pouco como a dualidade amor-ódio
ultrapassar a parede da mente para
por meio do seu contrário
me transformar em algo novo mais estruturado

Quando me lembrei de fazer desenhos para o livro Kcoillapso,
desenvolvi também o objectivo de pintar
quadros em tela para acompanhar o livro --
uma tela por cada capítulo, cada letra.
não cheguei a fazer um quadro por cada capítulo e como em muitos outros casos
a ideia por detrás-dos-montes perdeu-se no tempo,
devido em parte à imagem pictórica ter sido desenhada em estado alienado
ou em mente fracturada pela psicose,

Exorcise -- purgar um sentimento mau, transformando-o em algo
pelo menos mais coerente, articulado, o mais saudável possível.
Brainwash -- transformar por esquecimento um pensamento 
em algo novo totalmente diferente.


(fotografia de época)


'
Décima segunda personagem:
Chego ao Gungunhana e peço um café. Ainda não compreendo os objectivos a atingir, qual é a tua escada? Os teus planos? Mostraste-me os teus planos para a capa no entanto. Tem que ser absolutamente negra mas de um negro veludo com muito ouro, conterá o símbolo de um meio homem ardente de desejo crucificado e envolta na cor sangrento vermelho, irradiando chamas por entre estações de lua nova ou eclipses cíclicos onde ela não está como sempre não esteve, sempre teve medo, serão as aparências? Que fazer? For I was yours and I am yours, and I will be yours till death.
Décima terceira personagem:
É mais fácil dizer do que fazer aquilo que se diz e é mais fácil escrever que dizer tudo o que se deseja dizer a alguém. Escrever permite parar e pensar em cada palavra, analisá-la, retirar-lhe a forma, ficando a realidade ou então retirar-lhe o sentido tornando-se abstracta, uma mera forma poética. Em suma, esquecer-me das palavras. Escrever permite procurar a melhor metáfora porque o tempo de reacção a uma pergunta é infinito e, sobre este ponto de vista, escrever não passa de um monólogo de alguém ao espelho com várias vozes, representações de si próprio. Escrever é uma mentira porque é difícil escrever toda a realidade que se vive, porque não há tempo, porque é difícil de admitir todas as verdades. Então, por isso contam-se meias verdades. São modos de apaziguar todos os que vivem como parasitas dentro do Eu, quantas vezes não perturbam outros que nada têm a ver com a realidade onde vivem. O que são então as metáforas que se escrevem? Será necessário influenciar os outros? É tão impossível controlar mentalidades e modos de agir, nem podemos ter tempo para isso. It never happens. Um livro não deverá influenciar ninguém ao ponto de se viver em função dele. O que será mais importante? Haverá incompatibilidade entre sensibilidade e inteligência? Que dizer das tuas opções? O teu eu inicial desapareceu sozinho, transfigurou-se. Eu cá estou, tenho este emprego do qual gosto, ouço rádio, faço uma data de coisas para aprender que existem seres normais, sensíveis e inteligentes, para que não esqueça o mal que causei e para que R. pinte céus menos académicos.
Décima quarta personagem:
Há dias tive uma revelação passando-se numa barbearia. Só via a minha cabeça e o belo corpo da cabeleireira ruiva. A minha cabeça parecia um disco voador castanho escuro com uma pequena franja loura à frente. Lembrei-me logo do que aquilo queria dizer. Ela disse: Like this you look like a priest. Eu digo: or like a saint.
'
Claudio Mur

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

O três-cabeças pisca os olhos famintos


'O três-cabeças pisca os olhos famintos'
anteriormente com o nome 'Piscando o olho'
óleo sobre pano cru
41cm por 35cm (com moldura)
2006 - 2016
ZMB

Repintura em Dezembro de 2016  deste trabalho em pano cru

(fotografia de época)


segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Iluminando ego e ave


'Iluminando ego e ave'
anteriormente com o nome 'Figura com ave'
óleo sobre pano cru
43cm por 32cm (com moldura)
2006 - 2016
ZMB

Repintura em Dezembro de 2016 deste trabalho em pano cru


(fotografia de época)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

O barão trepa à árvore


'O barão trepa à árvore'
anteriormente com o nome de 'Três animais'
óleo sobre pano crú
31cm por 42cm (com moldura)
2006 - 2016
ZMB

Recriação na mesma tela de um quadro de 2006
inspirado pela leitura de 'O barão trepador' de Italo Calvino



(fotografia de época)



terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Comprimidos, all kinds of pills


'Comprimidos, all kinds of pills'
óleo sobre tela
45cm por 35cm
2000 - 2016
ZMB



(publicado inicialmente neste blog em 2014)



Antes de ter sido necessário eu assinar papéis a autorizar
a injecção de neurolépticos no meu corpo
que me tornaram por uns meses num vegetal recesso,
ainda antes de receber a prescrição e ingerir via oral
os medicamentos com os quais os psiquiatras dizem que
eu posso fazer a minha vida normal porque estou 'compensado',
antes de voluntáriamente ou à força os tomar
mesmo dizendo ao psquiatra que os tomo como se fossem placebos...

já antes os tomava com álcóol, uma moda estúpida para os outros,
os outros não sei e sei: eu queria desaparecer.
hoje que sei o que é 'descompensar' e as pessoas terem medo,
dou finalmente valor à vida:
'talvez tudo fosse necessário que de tal forma acontecesse'

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

A imaginação já é para servir de pedreiro


Este é o flyer que fiz para a minha primeira exposição no Porto em 2008
(a estreia tinha sido em Rio Tinto no ano anterior)
num bar que agora existe com outro nome e outro dono.
O Mário Cesariny tem um verso que diz:
'A imaginação ainda não é para servir de pedreiro'.
Eu resolvi afirmar com o meu título que era já tempo de construir a casa
e deixar para trás a desesperança que o Cesariny transpirava.
Foi também um título criado para eu próprio ganhar raízes e acordar para a vida.
Os quadros apresentados encontram-se nesta etiqueta,
as fotografias são de péssima qualidade e
alguns quadros precisam de serem recuperados.



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

He doesn't like what he sees


'He doesn't like what he sees'
óleo sobre tela
40cm por 30cm
2007
ZMB


Do mesmo trabalho uma fotografia de época:



'Vê-se cacos de janela, reflexos de luz e olhares cruzados.'

Hoje a ironia deu por mim a pensar enquanto ia passeio acima buscar o jantar para logo:
O que está a dar é montar uma banca com prospectos em tons elécricos e mostrar uma gravata, gel no cabelo, um bom fato e uma voz de barítono, ser bem-educado para quem nos cumprimenta, e quando nos fizerem perguntas de circunstância levantar o queixo e franzir os olhos e dar a impressão que se pensa no assunto e se sabe qual o caminho a seguir.
- É um senhor, é como a merkle, vai arrumar com a escória dos que não querem trabalhar!

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Scuascraamo


'Scuascraamo'
óleo sobre tela
40cm por 40cm
2000 - 2014
ZMB 

Este quadro faz parte da exposição actualmente a decorrer 
na Casa da Horta.
Estou a colocar aqui nesta etiqueta os onze quadros expostos:

Este quadro é uma representação visual de um poema com o mesmo título.
Escrevi este poema por alturas de 1993/1994 debaixo do meu primeiro pseudónimo: Zombie,
foi publicado originalmente num folhetim em papel chamado Airf Auga 
lançado em Aveiro pelas Produções Ganza.
Viria mais tarde a ser incorporado num capítulo do livro Kcoillapso de Claudio Mur, 
eu próprio as Edições Cassiber.

'
Senta-te em cima de um penhasco
e pensa
Convolui-te com a tua mente
Ultrapassa a fronteira
Atira-te
e recorda
Sente os teus conhecidos
Chorando por ti rezando pela tua alma
Recorda o teu passado
pensa nas boas e más acções
Admira os teus momentos de felicidade
e chora
A sorte não te premiou como devia
Mas não te esqueças
Os mortos também dançam
'


É sempre fácil a posteriori arranjar explicações para os factos ocorridos.
São às vezes estas construções da mente que ordenam causas e eventos numa lógica que faz sentido ou aonde às vezes o mínimo grão de impureza na realidade, na verdade dos factos ocorridos, reforça a lógica. Mesmo que esta seja absurda faz sentido.

Facto 1: escrevi este poema ao ouvir as primeiras três faixas do álbum 'Spleen and Ideal' dos Dead Can Dance.
Interpretação: 'tás a cometer um homicídio por incitares ao suicídio. é como te dizerem 'então mata-te'

Facto 2: nunca tive atitudes homicidas, sou mais de prevenir qualquer probabilidade de luta, às vezes calando-me às vezes vindo-me embora para ficar sozinho. quando estou sozinho imagino-me em cima do penhasco a gritar o seu nome.
Interpretação: o que te falta é foderes a tromba ao próximo palhaço que se aproximar de ti!

Facto 3: escrevi a imaginação de um suicídio por interpretação textual do som vindo dos headphones.
Interpretação: as palavras anunciavam que iam deixar de ter valor, era preciso agir, passar das palavras aos actos, não é isso a revolução?

 Facto 4: a minha psiquiatra diz que as causas da minha esquizofrenia são um mix e que é sem dúvida uma construção a posteriori o facto de pensar que me matei para ter matéria para escrever,
Interpretação: então eu disse-lhe que antes de me atirar já eu escrevia sobre loucura e suicidío e causas sociais, estudantis, amorosas, familiares... é como se houvesse uma maldição tornada real, como se eu prevesse o destino.

Facto 4: eu sobrevivi a atirar-me de um comboio em andamento em plena noite de janeiro, cai na escuridão de um monte de silvas e poucas pedras, foi a minha sorte. não sei quantos segundos estive de olhos fechados, quero dizer que houve um blackout momentâneo, depois abri os olhos e vi as estrelas e fui introduzido lentamente ao longo dos anos no sistema.
Interpretação: ao teres ganho coragem para te atirares para um escuro aleatório, ao desejares a morte até esta te foi negada, foi preciso lidar com o supremo falhanço.

Os dias de hoje: estou vivo, sobre vivo ou morto vivo eu sangro todos os dias lentamente mas não morro hei-de morrer um dia mas não amanhã e enquanto estiver vivo hei-de viver o melhor de todos os possíveis que conseguir atrasando o sangrar, apressando a cura acredito que quando o dia chegar hei-de estar vermelho que nem um cravo, até lá estarei curado porque sei o que não quero para mim.




quinta-feira, 26 de junho de 2014