sábado, 30 de junho de 2018

Living Paintings


'Nº1 - Dandy'
óleo sobre tela
60cm por 60cm
2002
ZMB


'Nº2 - I don't love you'
óleo sobre tela
60cm por 60cm
2002
ZMB  a partir de Piero Manzoni


'Nº3 - Monk'
óleo sobre tela
60cm por 60cm
2002 - 2018
ZMB


'Nº4 - I love you'
óleo sobre tela
60cm por 60cm
2002 - 2018
ZMB  a partir de Piero Manzoni


'Nº5 - Clown'
óleo sobre tela
60cm por 60cm
2002
ZMB

IDEIA: 
O italiano Piero Manzoni realizou dois trabalhos que considero relevantes. 
No primeiro, intitulado "Merda de artista", enlatou a sua própria merda Made in Italy e vendeu-a por preços astronómicos. Esta ideia irónica e cínica, à qual os críticos bateram palmas, não é mais que o reciclar do ready-made de Duchamp.
No segundo, intitulado "Esculturas vivas", assinou a diferentes cores o seu nome num corpo de mulher (a obra de arte), conforme considerasse esta uma obra de arte no seu todo, apenas parte do corpo, ou ainda se esta obra de arte tivesse sido obtida por pagamento.

FORMA: 
Um homem é um DANDY narcisista que gosta de vestir bem e se preocupar com a imagem perante a audiência. O seu corpo exala sangue e alegria e boa visão.
O artista assinala a sua obra escrevendo: I DON'T LOVE YOU.
Algo corre mal, "deixa de ver", perde o amor por si próprio e como não se ama não pode amar mais ninguém, nem sequer o mundo. Torna-se um MONGE cinzento e destrutivo.
O artista assinala a sua obra escrevendo: I LOVE YOU.
Renasce das cinzas ainda à deriva sem visão, assume uma pose teatral sem se importar com o resultado nem com o público e deforma-se, torna-se pálido, pintando o nariz de vermelho torna-se um CLOWN. 


(fotografias de época)












segunda-feira, 25 de junho de 2018

Ecos de um passado


'Ecos de um passado'
óleo e colagem sobre papel
59,4cm por 42cm (A2)
1998 - 2018
ZMB

Ba Rau, Indonésia 1952


'Ba Rau, Indonésia 1952'
óleo sobre papel
42cm por 50,4cm (A2)
2009 - 2018
ZMB

A partir de um postal com foto a preto e branco

quarta-feira, 20 de junho de 2018

I paint you as a dead soul (after a Coil song)


'I paint you as a dead soul (after a Coil song)'
óleo sobre madeira
80cm por 90cm
2009 - 2018
ZMB

lyrics to Coil's Paint me as a dead soul:

Paint me as a dead soul
With a halo of black joy
Medusa in a mirror
Etched out in acid
The flesh, the image, the reflection
One who dwells in scarlet darkness
Like animals in palaces
Drawing blood
The flesh, the image, the reflection
Let's complete the illusion
Paint me as you see me
From memory or history
In a fever or a frenzy
Paint your lucid dreams and visions
In a chamber of nightmares
In a temple of locusts
So violent, vile and vivid
May the colours make you fearful
Blind and hypnotizing
In our subterranean heaven
Paint my cunt with dragonflies
My eyes as bright as diamonds
My heart open like an ulcer
Or a sacred crimson rose
Bathed in blood
Or drowning in my bed
With the fragrance from the flowers
In the gardens of the dead
Paint ghostly foxes, cats and camels
A red dog and a black dog
Paint a putrid sunset
In verdigris and violet
Ochre, amber, mauve
Four monks
Carrying a goat
Over the snows
To nowhere
And paint the shades
That come with evening
Peacock angels
Dream of leaving
Paint me as you see me
Paint me as I see me
Paint me as a dead soul


(fotografia de época)



sábado, 16 de junho de 2018

Figuras com crocodilo


'Figuras com crocodilo'
óleo sobre pano cru
62cm por 77cm (com grade)
2006 - 2018
ZMB

(fotografia de época)



A raposa esclerosada e o picafogo


'A raposa esclerosada e o picafogo'
anteriormente conhecido como 'Dois animais'
óleo sobre pano cru
59,5cm por 67cm (com grade)
2006 - 2018
ZMB

Foi colocada uma grade, o que reduziu as dimensões
e obrigou a uma pequena alteração de cor

(fotografia de época)





Mudei o nome deste quadro porque a figura da direita tem patas de ave e asas, 
logo não poderia ser um animal.
Os créditos a assinalar no novo nome deste trabalho repartem-se entre :
Mão Morta (o verso 'vaca esclerosada' da música 'Destilo ódio' do album 'Corações Felpudos'),
Tiago Coen (por me indicar que a figura da esquerda tem cara de raposa),
e o poeta J. Alberto Allen Vidal (é dele o termo 'Picafogo')

(fotografia de época)

'Dois animais'
óleo sobre pano cru
64cm por 70cm
2006
ZMB

Para alguns dos quadros deste período,
realizados em pano cru
devido ao acesso fácil e barato a este material,
as dimensões finais não estão determinadas
e serão menores ao lhe colocar no futuro a grade de madeira.

terça-feira, 12 de junho de 2018

Seara de ouro


tinta de aguarela sobre
desenho a grafite
impresso em papel de 150gsm
de tamanho A4
com moldura
2018
ZMB

A fé em Icata


'A fé em Icata'
óleo sobre tela (díptico vertical)
 73cm por 47,5cm (com moldura)
2000
ZMB

Envernizado e emoldurado em 2018

(fotografia de época)


domingo, 10 de junho de 2018

«Ser é uma acto de vontade, no escuro.» Podia ser absurdo existir, sem explicação.
Mas havia sempre um caminho, uma salvação: os outros.

'
Mas a tristeza persistia. Ernesto recolhia-a no ar, no rastro das frases, no marulho indecifrável das ondas. Escondido o sol, eram, de novo, à solta, os hábitos do vento que arranhavam o azul-pardo daquela imensidão líquida e sonora, entre a areia ainda escaldante, cujo calor lhe dava, a ele, a mais próxima e tranquilizadora consciência de si próprio, até às nuvens cada vez mais escuras no céu. Aquele sorriso breve das espumas, sem luz, rolava, fazia-se e desfazia-se, na sua viagem do nada para o nada, começo e recomeço, tensão e explosão, surdina, queixume e solidão. Onde as raízes do som? Uma roda a girar fora dele, que era só um corpo prostrado na areia. O Lício falava em niilismo, e ele próprio se sentia naquele momento «nada»: um vazio interior inconfessável, como se todos os sonhos que o haviam habitado lhe fossem estranhos, embora neles tivesse acreditado com tanto fervor, e todo o seu passado apenas uma série de imagens mortas, de múltiplas faces, que não lhe pertenciam profundamente, mero encadeamento de gestos determinados por circunstâncias externas. E chamava ele pomposamente «suas» todas as palavras e atitudes e buscava a todo o transe uma coerência, que agora lhe parecia a mais absurda e impossível das ambições. «A menos», pensou, «que eu abandone a pretensão de ser coerente comigo, e aceite sê-lo tão-só com o que os outros esperam de mim. Sim: esse é que é o caminho certo, o que, apesar de tudo, permite continuar.» Porque cada um dos companheiros tinha dele uma ideia: em cada um deles ele existia, de facto, imaginariamente real; e, se o produto dessas aparência dava um homem, a silhueta que ele desenhara na vida, silhueta bastante forte para merecer confiança, como quer que tal prodígio se tivesse operado, cumpria agora conformar-se com essa imagem, mais verdadeira, mais segura, do que ele próprio, e agir tão perto dela, quanto possível. «Ser é uma acto de vontade, no escuro.» Podia ser absurdo existir, sem explicação. Mas havia sempre um caminho, uma salvação: os outros. Até porque só nos outros ele se encontrava; sem eles era pouco mais de nada: apenas aquela chaga do sol nas costas, a saliva na boca, o sexo erecto contra a areia quente. Os outros, sim: as mãos de Ivelise nos seus ombros: o amor que ele quisera, a sua imagem nela, a que não devia mentir, mesmo porque só assim um fulgor vago de harmonia seria possível; e os companheiros: o seu destino!
'

, páginas 197-198

'Os insubmissos'
Urbano Tavares Rodrigues
Edição Unibolso

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Be real deranged Salaam

"I'm Deranged"

Funny how secrets travel
I'd start to believe 
if I were to bleed
Thin skies, the man chains his hands held high
Cruise me blond
Cruise me babe
A blond belief beyond beyond beyond
No return No return

I'm deranged
Deranged my love
I'm deranged down down down
So cruise me babe cruise me baby

[CHORUS]
And the rain sets in
It's the angel-man
I'm deranged

Cruise me cruise me cruise me babe

The clutch of life and the fist of love
Over your head
Big deal Salaam
Be real deranged Salaam
Before we reel
I'm deranged

[CHORUS (two times)]

Cruise me cruise me cruise me babe

I'm deranged



Eu sou suspeito
mas esta é a melhor música de David Bowie!

quinta-feira, 7 de junho de 2018

O circo de amigos


'O circo de amigos'
óleo sobre tela
70cm por 100cm
2018
ZMB a partir de Chagall

domingo, 3 de junho de 2018

A tua imagem pintada em todos os muros


'A tua imagem pintada em todos os muros'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2018
ZMB

Este quadro é a materialização em tela 
de um desenho a grafite nas costas de uma folha de um livro fotocopiado em formato A4, 
realizado em 2002 numa casa onde habitei 
e ao qual acrescentei alguns elementos pictóricos presentes em outros desenhos e telas.

O título deste trabalho é inspirado 
por um verso de Ornatos Violeta no álbum ‘O monstro precisa de amigos’

Memory of HCF


'Memory of HCF'
lápis e pastel de óleo sobre papel colado em cartão
78cm por 38,5cm (com moldura)
2009
ZMB

(fotografia de época)



Dois desenhos realizados em 2000 em estado de descompensação
tornaram-se símbolos colados na parede do quarto
com um conteúdo cujo significado se perdeu no tempo.
Em 2009 tornaram-se uma obra só e solitária por colagem em cartão canelado.
Às vezes, ainda me importo com o facto de me sentir desajustado
do mundo das conveniências.

HCF é o conhecido Hospital Conde Ferreira.

Bruises? Love me tender

Pintado em 2009
Restaurado em 2017
Pintada uma pequena alteração na cor dos lábios e
envernizado em 2018


'Bruises? Love me tender'
óleo sobre madeira
71cm por 90cm
2009 - 2018
ZMB

(fotografia de época)



Eu só agora coloco aqui este trabalho porque ele estava degradado.
Em 2017 limpei-o com anacrosina e retoquei levemente a cor.
Outra razão para nunca ter apresentado uma fotografia de época até hoje é porque
este era um quadro falhado:
Eu tinha literalmente pregado esta placa de madeira numa prancha de MDF,
pintada de branco e ligeiramente maior.
Decidi em 2009 submeter este quadro a uma bienal de arte erótica
mas a sua participação foi recusada.
Não me lembro já se foram apresentados motivos para a recusa ou se estes eram necessários
mas após reflexão crítica, penso que
o defeito seria o peso da prancha de mdf: seria difícil fixar a obra à parede.
Em 2017 despreguei a madeira do mdf, um dia há-de ser propriamente  emoldurada.

(fotografia de época)


Cenas do Covil nº6


'Cenas do Covil nº6'
óleo sobre pano cru
51cm por 112cm (com grade)
1999
ZMB

Envernizado em 2018

Cenas do Covil nº1


'Cenas do Covil nº1'
óleo sobre pano cru
53cm por 109cm (com grade)
1999
ZMB

Envernizado em 2018

O palhaço e a mulher azul



'O palhaço e a mulher azul'
óleo sobre gaveta de madeira
30cm por 22cm por 7cm
1996
ZMB

(fotografia de época)



Este quadro foi realizado nas costas de uma gaveta
da qual me apoderei de um quarto
em que vivi em Aveiro.
Começou por ser uma borra de cor.
Talvez devido ao seu carácter anarquista 
foi desejado por uma pintora que conheci 
e que me pediu que lho desse.
Eu disse que tinha de o assinar antes e não sei se 
devido a esta assinatura garrafal ela perdeu nele o interesse.
Actualmente, não sei do paradeiro desta obra
e talvez o tenha deixado desaparecer em mãos que esqueci.

ADENDA 03-06-2018:
Este trabalho foi encontrado!