sexta-feira, 23 de outubro de 2026

A conspiração dos pássaros

 


Oficina Arara: “A Conspiração Dos Pássaros”

Casa São Roque, Porto, Portugal

24 de outubro de 2026 a 28 de março de 2027

Inauguração: sábado, 24 de outubro de 2026, às 18h, com performance e bebidas

A Oficina Arara é um coletivo artístico fundado em 2010 e sediado no Porto. É o artista público mais anónimo da cidade e esta é uma das suas exposições mais abrangentes até à data. Estão em exposição mais de 200 obras de uma grande variedade de colaboradores, uma vez que o coletivo inclui pintores, cientistas informáticos, artistas autodidatas, músicos, gravadores, cineastas, arquitetos-vernaculares, escritores, engenheiros, inventores e criadores visionários e muitos outros. Durante cinco meses, a Casa São Roque será transformada numa “Conspiração de Pássaros” e a requintada casa da classe alta na zona oriental do Porto tornar-se-á um espaço indisciplinado e polifónico.

A Oficina Arara são duas palavras e uma presença. É uma e muitas. É política e poética, explosiva e criativa, inclusiva e exclusiva, e rejeita uma forma de arte, mas adora outra. A Oficina Arara é uma manta de retalhos, um gerador expansivo de cartazes, livros, revistas e performances, organizadora de concertos, desfiles e banquetes, e um catalisador de mudança política e ativismo social e artístico. É “A Conspiração Dos Pássaros”.

A maioria das pessoas conhece a Oficina Arara das ruas, onde muitos já se depararam com os seus cartazes. Por exemplo, há cerca de um ano, quando surgiram serigrafias para as Jornadas Contra a Mineração, em protesto contra a poluição ambiental causada pela exploração de lítio no norte de Portugal. Fazia parte de uma série com o mote “Dinheiro Faz Dinheiro!”. Outras campanhas denunciavam diferentes presidentes da Câmara do Porto por encerrarem centros culturais alternativos, como o lendário C.C. STOP e o Es.Col.A — Espaço Coletivo Autogerido do Alto da Fontinha, um espaço autónomo e auto-organizado. Cada cartaz tinha um aspeto diferente; cada um tinha sido serigrafado e depois pintado à mão; cada um era belo à sua maneira e, ainda assim, eficaz na defesa de uma posição.

“A Conspiração Dos Pássaros” apresentará obras de, entre outros, João Alves, Von Calhau, Francisco Amorim, Inês Ballesteros, Serafim Barbosa, Mónica Baptista, Bruno Borges, Maria José Borges, Ruca Bourbon, Nicola Bracci, Mariana Caló e Francisco Queimadela, Ece Canlı, Miguel Carneiro, Comitê Expedicionário de Desorientação, Cecília de Fátima, Daniela Duarte, Gonçalo Duarte, Amélia Fernandes, Gonçalo, Vasja Lebaric, André Lemos, Frederico Lobo, Onree, Louçã, Dayana Lucas, Catarina Miranda, Odair Monteiro, Pedro Nora, João Pádua, Irina Pereira, Sr. Pimenta, Joaquim Pires, Rave Noir, Denic Aleksandar, Angélica Salvi, Dinis Santos, Si2tich, Arlindo Silva, Luís Silva, Rui Silva, Albert Tannat, ZMB. Entre muitas outras.

Com curadoria de Daniel Baumann, Curador da Casa São Roque

domingo, 18 de outubro de 2026

O direito a uma habitação digna está na Constituição

 Quando trabalhava como empregado de armazém numa fábrica de cartonagem e impressão gráfica e após uma breve experiência marital falhada em Valongo, eu, em vez de voltar destroçado para casa dos meus pais, decidi ir morar para o Porto.

Telefonei a um amigo e ele levou-me as minhas coisas para uma casa comunitária no Marquês, onde elas ficaram alojadas cerca de três semanas. Eu neste intervalo fiquei a dormir numa pensão em Cedofeita tendo pago por este período cerca de cento e cinquenta euros.

Corria o ano de 2011 no mês de Setembro. Arranjei um quarto com acesso a cozinha num apartamento partilhado por 230 euros mensais. O meu salário na altura era o salário mínimo mais subsídio de alimentação, trazia 500 euros, 510 para casa. A taxa de esforço era à volta dos 50%.

Depois, a economia como se sabe contraíu e houve redução de encomendas na fábrica e houve necessidade de despedir trabalhadores. A minha colega tampógrafa foi a primeira a sair e ainda recebeu tudo a que tinha direito. Em Janeiro de 2012 chegou a minha vez. E além de não ter recebido o último salário, ainda fui obrigado a recorrer a justiça laboral para tentar receber os meus direitos laborais. O processo terminou já eu estava no Rendimento Mínimo e a viver num cubículo de 6 metros quadrados pelo qual pagava 100 euros sem recibos mas me dava acesso a uma cozinha, dois anos mais tarde sem nunca ter recebido a indemnização laboral. Corria o ano de 2014. Reformei-me. O meu primeiro valor de reforma foi 249 euros.

Vivi até 2021 no Porto em alojamentos precários e nunca tive um contrato de arrendamento.

Porque o preço dos quartos começou a disparar e já nem posso falar em poder auferir uma casa em vez de um quarto, fui obrigado a voltar de vez para casa dos meus pais. Tenho hoje 53 anos.

Apoio por isso as manifestações pelo direito e acesso à habitação, que por este dias decorrem no Porto e já se estendem a Lisboa e outras cidades.

Vejo nestes jovens que lutam por um futuro, o futuro que eu tentei construir durante dez anos no Porto. Eu não consegui ficar a morar no Porto. Mas se calhar não lutei o suficiente. 

Que estes jovens o consigam com a sua luta. 

O direito a uma habitação digna está na Constituição. A Constituição tem de se cumprir,



domingo, 11 de outubro de 2026

 


«A flauta que lembra»

óleo sobre madeira, tamanho 41cm por 37cm

2026 ZMB

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Dirt Scratching


Um desenho colaborativo com o André Lemos: 
contacto no instagram @opuntialemos