Release the id conscience
sexta-feira, 22 de maio de 2026
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Tuíte De mal a pior
Mintonegro diz que o país está melhor.
E mesmo nós, quando nos perguntam como vamos, a maior parte diz com orgulho sorrateiro parecido com o sorriso do Mintonegro: -- Nunca pior!
Mas o que eu vejo é que nos últimos tempos fecharam 2 minimercados e 3 cafés na minha zona e o quarto tem uma placa Vende-se.
Parece que não estamos melhor, estamos a empobrecer.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
A lavadeira e o construtor
Este texto foi dito de improviso para um gravador de telemóvel e enviado para a Rádio Paralelo online em 2020 ou 2021 para responder a um desafio da Casa da Achada de escrever um texto com três palavras prédeterminadas.
Já não me recordo de quais eram essas três palavras. Em 2026, adicionei algum ruído sonoro à voz.
segunda-feira, 11 de maio de 2026
I Believe
«I Believe»
óleo sobre cartão tamanho A2
2026 ZMB
«I Believe that rock and roll music is sent to us straight from the devil himself»
é uma frase dita no álbum «I Ching shuffle» dos De Fabriek
quarta-feira, 6 de maio de 2026
sexta-feira, 1 de maio de 2026
BeNe GeSSeRiT - MuLTiLiNGuaL SaD SoNGS, WeiRD JoKeS aND eXPeRiMeNTaL STuFF FoR uSe By GRoWN uP CHiLD
in sane music for in sane people,
da Bélgica para o mundo
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Agora na verdade não já não
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Diz-se que o extraordinário romance Red Shift (1973), de Alan Garner, foi inspirado no momento em que o autor viu um grafiti numa estação de comboios onde se podia ler: «agora na verdade não já não». Existe algo tão inquietante, tão críptico e tão sugestivo nesta frase, especialmente quando é grafitada por um anónimo. Que é que o autor desconhecido deste poema vagabundo queria dizer com isto, e que significava isto para ele? Que evento o levou a escrevê-lo -- foi uma crise pessoal, um evento cultural, uma qualquer revelação mística? E será que alguém além de Garner alguma vez viu a frase grafitada na parede da estação de comboios? Ou foi apenas Garner que a viu? Não que esteja a insinuar que a imaginou -- mas a frase captura de forma tão perfeita os vórtices temporais da obra de Garner que é quase como se pudesse ser uma mensagem que só lhe era destinada a ele. Talvez fosse mesmo, independentemente das «intenções» do grafiteiro.
Se quisermos acreditar na fonte anónima mais famosa do mundo, as palavras «agora na verdade não já não» foram escrevinhadas em batom, por baixo dos nomes de dois amantes que haviam sido escritos a giz na parede. Em qualquer dos casos, a explicação para a frase parece ser -- à primeira vista -- algo prosaica. Alguém -- um dos amantes, ou algum dos seus amigos, inimigos, rivais, ou mesmo um estranho -- tecia um comentário -- sarcático, melancólico, irado? -- sobre o estado da relação. Uma frase que não é bem banal, mas que é certamente transparente, conversacional -- «agora na verdade não já não» -- adquire uma opacidade poética em virtude da omissão de uma vírgula. No entanto, mesmo aquela explicação aparentemente deflacionária não consegue evitar a inquietação da frase: «agora na verdade não já não». Dizer que havia algo predestinado sobre o encontro de Garner com o grafiti é duplicar a inquietação intrínseca e indelével provocada por esta frase. Porque assim, para onde é que a frase nos aponta senão para uma temporalidade fatal? Agora não, já não, na verdade não. Quero isto dizer que o presente se erodiu, desapareceu -- agora não já não? Estamos nós no tempo de um já perpétuo onde o futuro já foi escrito; em cujo caso não é o futuro, na verdade não?
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Mark Fisher, página 117 - 118
«O esquisito e o inquietante»
tradução de Leonor Castro Nunes
edição VS
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