é quase verdade: beber e fazer barcos de papel
nada mau
e logo num mundo onde há quem não coma duas refeições num dia,
onde há quem tenha sido despejado de casa ou visto a sua casa ser bombardeada,
onde uma mãe chora o filho assassinado na prisão,
onde um pai descobriu que a sua filha foi violada...
comparar os meus problemas com os problemas das pessoas comuns é verificar que
tive mais sorte do que muitos.
Ah, o meu pai tem ideias que eu não gosto!, diz o id.
O superego diz: E aqueles que nunca souberam o que era um pai?
A minha mãe flutua e tudo esquece...
Sim, mas ainda é presidente de uma associação de caridade. Ajuda-a!
O que me custa a aceitar é que ela me faz lembrar o salazar que caiu da cadeira, ele pensava que governava e eram os ajudantes que faziam tudo.
O superego contrapõe: mas fazer guerra com os próprios pais? Se não fossem eles hoje eras sem-abrigo.
O que eu queria é impossível: mudar o meu pai, atrasar a degenerescência do cérebro da minha mãe. Preferiria ir antes deles.



