domingo, 18 de outubro de 2026

O direito a uma habitação digna está na Constituição

 Quando trabalhava como empregado de armazém numa fábrica de cartonagem e impressão gráfica e após uma breve experiência marital falhada em Valongo, eu, em vez de voltar destroçado para casa dos meus pais, decidi ir morar para o Porto.

Telefonei a um amigo e ele levou-me as minhas coisas para uma casa comunitária no Marquês, onde elas ficaram alojadas cerca de três semanas. Eu neste intervalo fiquei a dormir numa pensão em Cedofeita tendo pago por este período cerca de cento e cinquenta euros.

Corria o ano de 2011 no mês de Setembro. Arranjei um quarto com acesso a cozinha num apartamento partilhado por 230 euros mensais. O meu salário na altura era o salário mínimo mais subsídio de alimentação, trazia 500 euros, 510 para casa. A taxa de esforço era à volta dos 50%.

Depois, a economia como se sabe contraíu e houve redução de encomendas na fábrica e houve necessidade de despedir trabalhadores. A minha colega tampógrafa foi a primeira a sair e ainda recebeu tudo a que tinha direito. Em Janeiro de 2012 chegou a minha vez. E além de não ter recebido o último salário, ainda fui obrigado a recorrer a justiça laboral para tentar receber os meus direitos laborais. O processo terminou já eu estava no Rendimento Mínimo e a viver num cubículo de 6 metros quadrados pelo qual pagava 100 euros sem recibos mas me dava acesso a uma cozinha, dois anos mais tarde sem nunca ter recebido a indemnização laboral. Corria o ano de 2014. Reformei-me. O meu primeiro valor de reforma foi 249 euros.

Vivi até 2021 no Porto em alojamentos precários e nunca tive um contrato de arrendamento.

Porque o preço dos quartos começou a disparar e já nem posso falar em poder auferir uma casa em vez de um quarto, fui obrigado a voltar de vez para casa dos meus pais. Tenho hoje 53 anos.

Apoio por isso as manifestações pelo direito e acesso à habitação, que por este dias decorrem no Porto e já se estendem a Lisboa e outras cidades.

Vejo nestes jovens que lutam por um futuro, o futuro que eu tentei construir durante dez anos no Porto. Eu não consegui ficar a morar no Porto. Mas se calhar não lutei o suficiente. 

Que estes jovens o consigam com a sua luta. 

O direito a uma habitação digna está na Constituição. A Constituição tem de se cumprir,


domingo, 11 de outubro de 2026

 


«A flauta que lembra»

óleo sobre madeira, tamanho 41cm por 37cm

2026 ZMB

segunda-feira, 5 de outubro de 2026

Dirt Scratching


Um desenho colaborativo com o André Lemos: 
contacto no instagram @opuntialemos


 

sexta-feira, 18 de setembro de 2026

This is the illusion record

 https://archive.org/details/irabcdjol18



IRABCDJOL 18

01: A bird told me
02: Agora na verdade não já não
03: Sobre mim os galos
04: Restos mortais
05: A lavadeira e o construtor
06: Corpos esquisitos
07: Blues para acordar bem
08: Em boa voz igual a vós


Track 01 is an old field recording from 2002 that I overdubbed with harmonica.

Track 02 is a sound experience where I overlap two tracks which where slowed down in pitch, in order to create a eerie sense. The name of the track is taken from a line in a Mark Fisher’s book.

Track 03 is a mix of concrete sounds with bird sounds to which a flute responds.

Track 04 is a beat playing along flute, harmonica and a field recording. The title refers to the name of short tale by Luigi Pirandello.

Track 05 was improvised and recorded to a cell phone and sent in 2021 to Rádio Paralelo online to meet a Casa da Achada’s challenge.

This is the illusion record

ZMB 2026