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sábado, 11 de abril de 2026

This is the family record

 



IRABCDJOL 17

01: Filho da mãezinha
02: I am the baker (long)
03: O protocolo do rubor
04: Insane again?
05: A visão de um louco

Track 01 is a collage of sounds including two twisted versions of Alan Vega songs and a traditional portuguese song by Mãe Linda.
Track 02 is the long version that includes a metronome and field recordings.
Track 03 is inspired in a rythm by Manitas de Plata performed here on flute and includes a poem by Roger Wolfe which is the title of this track.
Track 04 is a live improv using the sound of a tv, assorted percussion and flute and voice on tape.
Track 05 is an attempt to sing like Meredith Monk on the Book of Days record.

This is the family record




sábado, 3 de janeiro de 2026

Zine do dia


Já tenho disponíveis alguns exemplares do zine Azul De Terra editado pela @opuntiabooks nos últimos dias do ano da desgraça de 2025. Custa 8€ com entrega em mão na zona do Porto. Pedidos por mensagem privada. Até já.

sábado, 15 de novembro de 2025

Haitian Fight Song

 


Azul de terra (versão)

 

-- Olá, estás aí? Não te vi entrar...

-- Sou invisível!

-- És nada! O que vais tomar?

-- Um café.

As imagens que são pessoas vivas passam da direita para a esquerda e da esquerda para a direita, em frente à porta do bar das oito pontas azuis. Eu observo e bebo o meu café. Um amigo entra e senta-se no balcão a meu lado. O seu discurso é um pouco mais incoerente que o meu. Tem problemas derivados do consumo de pastilhas e esteve em Lá. É meu amigo.

-- Nós lá... desenhávamos o tempo.

-- E caminhávamos como se fôssemos santos e víssemos a quimera.

-- Dá-me um cigarro. Para este peixinho.

-- Para seguir no comboio e ir ver as pirâmides?

-- E ver também os elefantes e as mulheres abelha e os cães danados de três cabeças e os pintaínhos azuis...

O dono do bar para quem nós não somos invisíveis, ri-se. O meu amigo sorri. Eu também.

Fumámos o peixinho a dois. Repetímos o pecado segunda vez. Somos sonhadores.

 

Agora, levanto-me e venho até à porta, sento-me na soleira. Começo a sentir arrepios de frio. Volto para dentro e sento-me novamente ao lado do amigo.

Agora, sinto-me uma imagem com o frio a subir-lhe à cabeça. Começo a sentir-me perto dum apagão. Se fechar os olhos apago-me. Ainda não paguei, tenho de pagar antes que me apague, antes que me transforme em estátua.

Olho em frente para o espelho e vejo-me a abrir a carteira e a tirar vinte euros para pagar. Pouso a nota no balcão, por baixo da carteira e com a mão por cima. Olho o dono.

Sinto o sangue a ferver e o frio a subir à cabeça e a dar voltas no estômago. Tento controlar e vejo no espelho a imagem a controlar. Baixo a mão à cintura e sinto tonturas e dificuldades em me conservar sentado neste banco de pé alto. Olho para o espelho e estou a controlar.

Os meus ouvidos num túnel, os meus olhos a apagarem-se. A casa a explodir.

 

(E nesta interrupção, as imagens surgem de dentro como um desejo de síntese.)

-- Olha, deixaste cair ao chão a...

Acordo do apagão e olho para terra. Azul. Vejo a nota no chão. Azul de terra. Apanho-a e agradeço. Volto a sentar-me. Era a última nota do mês. Faço sinal e pago.

Afinal, correu tudo bem e os amigos ajudaram. Levanto-me e venho sentar-me na esplanada.

Sou agora uma imagem fora de tela, sou ahah um unicórnio de um milhão que ia ficar a dever. Sou uma estátua com a cabeça encostada à parede e que olha para cima, para o céu e não pode fechar os olhos. Porque as imagens não deixam, elas querem ajudar.

Preciso agora de respirar pausadamente e bloquear a agonia do estômago. O pior já passou. A estátua respira e beija com carinho a imagem que ajudou a estátua.

O filme está a terminar e já só falta um pu. Mais um arroto. Já está.

A boa acção terminou. Cumprimentei um amigo de Lá e com ele fumei um intensificador de sonhos. E vi imagens que são pessoas vivas e estátuas que são pessoas mortas e agora vou desenhá-las.

Levanto-me agora da esplanada e vou para casa renovado. Vou pelo caminho dos pescadores. Um deles recolhe agora mesmo um robalo. Sorri de contente.

Eu sorrio com ele e digo: -- Olha, um dia vendi um quadro e nunca mais lá voltei. Disseram que era ciência rara. Que haja peixe, irmão, que haja peixe!

Ele ri-se achando tudo absurdo. Mas não faz mal. Ele não sabe que acabei de parafrasear Manuel da Fonseca. Estou em paz. Não preciso de mais nada hoje. Uma sopinha e dormir feliz ao ouvir a «haitian fight song» do Charles Mingus.

 



domingo, 20 de julho de 2025

52


Keep friends with yr cousin cause shes gold and all you got from this living and all the rest are vultures

quarta-feira, 23 de abril de 2025

quarta-feira, 5 de março de 2025

Protege-te

Cockaigne is dust for the whities on the moon

Work is dust for the blacks on doom

Love is dust for the bollocks and the wound

Protect yourself


«Protege-te»
óleo sobre papel tamanho A2
2025 ZMB