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terça-feira, 28 de julho de 2026

quinta-feira, 16 de julho de 2026

Blue lake




Don Cherry - pocket trumpet, piano, flute, vocals Johnny Dyani - bass 
Okay Temiz - drums, percussion 



segunda-feira, 22 de junho de 2026

Os índios do tarrafal


Filme de Luis Costa com as crianças do projeto Cinema no Bairro de S. João de Deus, Porto 2005.
Produção FadaFilmes - Associação Artística, com o apoio da Fundação FILOS.

 

sexta-feira, 19 de junho de 2026

A place to be with us


Last two songs from the lp «A place to be with us»
by Gunter Hampel & his Galaxie Dream Band
edited by Birth Records
Birth oo32
1981

5. (No 437) A place to be with us, 14m16s vibes, flute, voice, drums 6. (No 461) Awakening, 2m33s voice, altosax, baritonsax and drums Gunter Hampel vibraphone, bassclarinet, baritonsaxophone Jeanne Lee voice Thomas Keyserling altosaxophone, flute
Martin Bues drums



quinta-feira, 11 de junho de 2026

Restos mortais

 

Desespero dos sobrinhos -- que no entanto deviam gostar muito dele, visto que depois de se ter despojado de tudo o que lhe pertencia para lho dar a eles, ainda tinham muita paciência com ele -- o senhor Federico Biobin (o tio Fifo) levantava-se ainda de noite e, muito calado, baixinho de estatura, com a cabeça pequenina em forma de pêra lustrosa, calvo até à nuca, com meia dúzia de pêlos ásperos, metade para cada lado, espetados na carinha de rato, punha-se logo a rebuscar a casa, a fazer caretas, a fungar, a soprar, como que para manter o nariz pontiagudo permanentemente treinado na exploração, com os lábios armados daquela meia dúzia de picos; até que a casa inteira acordava sobressaltada, ou por causa do estrondo da queda das panelas na prateleira da cozinha, ou dos caixotes que desabavam desordenadamente no quarto de arrumações. Acorriam todos, uns em camisa, outros em pijama, outros em saia de baixo.

-- Tio, que fizeste? Que aconteceu?

Dava as respostas mais inesperadas:

-- Nada: sinto um fedor a móveis velhos.

Dizia isto como se todo aquele estrondo não tivesse sido provocado por ele, como se nem o tivesse ouvido, como se, plácido e ligeiramente maçado, estivesse a falar do silêncio que reinava anteriormente na casa.

Não deixava passar um dia sem fazer das suas. E o melhor era que aos aborrecimentos que causava, às maçadas que dava, e que punham em franja os nervos dos sobrinhos e das criadas, chamava ele prestar um serviço. Era capaz de passar dias inteiros na cozinha a recortar e tentar colar fitas de papel num vidro partido da porta envidraçada que dava para uma espécie de passadiço, onde uma retrete fedia que tresandava. A cozinheira ficava furiosa.

-- Mas o senhor, que é tão sensível ao mau cheiro dos móveis velhos, não sente o da retrete?

Não, não, aquele não sentia; e continuava a fungar, a soprar, a fazer caretas, na tentativa de colar aquelas fitinhas de papel.

E ei-lo agora lá em baixo no jardim, furioso contra um dos batentes da cancela que, cravada na terra, não queria andar para diante nem para trás. Lívido e com as veias do crânio a rebentar, dava tais puxões que os braços, mal a cancela cedia um pouco, pareciam querer-se despegar do tronco. Os sobrinhos gritavam-lhe das janelas:

-- Acaba lá com isso, tio! Não vês que não se abre?

-- Acabar com isto? Ou a abro ou acabo eu!

Não a abria, nem acabava ele; voltava para cima, todo desconjuntado, num banho de suor, estendendo as pequeninas mãos, reduzidas a mísero estado, para que lhas untassem com azeite e lhes pusessem uma ligadura.

Depois, quando se sentia maçado de cansar a família, saía e ia maçar os que passavam na rua: por exemplo, certos dias em que chovia a potes, gostava de se meter, protegido por um guarda-chuva, debaixo das goteiras, com um ar tão evidente de fazer aquilo para arreliar os outros que eles sentiam a tentação de o arrancar por um braço do encosto da parede. O prazer malévolo que muito lá no fundo experimentava fazia-lhe arreganhar ligeiramente os cantos dos lábios num rechinar quase imperceptível de cãozinho mimoso.

A última foi aquela do guarda-pó cinzento de alpaca, comprado para roupão, quando os sobrinhos, rindo da compra, lhe fizeram notar que era um guarda-pó de viagem.

-- De viagem? Então parto!

-- Partes? Onde vais?

-- A Bérgamo, a casa do Ernesto, despedir-me dele antes que vá para Génova embarcar para a América.

Não houve maneira de o demover daquele capricho de partir sem mais nem menos. Nem a objecção de que a sua visita ao pobre do Ernesto seria mais um gravíssimo estorvo do que um prazer no meio da barafunda em que certamente se encontrava, em vésperas de partir para a América: maior razão. Nem a de que o médico lhe ordenara que se mantivesse tranquilo e não se afadigasse por causa da esclerose cardíaca de que sofria. Queria morrer! O quê? Em Bérgamo? Morrer em Bérgamo enquanto o Ernesto desfazia a casa? Sim senhor, morrer em Bérgamo na casa desfeita.

Partiu com aquele guarda-pó cinzento; e por azar a ameaça daquele perigo, que os sobrinhos de Roma, sem acreditar muito nela, lhe tinham posto na frente dos olhos para o segurar, realizou-se. A notícia fulminante da morte do tio Fifo no mesmo dia em que chegara a Bérgamo quase ia matando também os sobrinhos de Roma pelo facto de, embora sem acreditarem nela, a terem previsto; e por, tendo-a previsto, não acreditaram nela, e terem deixado partir o tio.

Desta última partida pregada aos sobrinhos ausentes e daquela mais dura ainda pregada ao sobrinho de Bérgamo, o tio Fifo, no meio da confusão da casa, toda de pernas para o ar devido à mudança, morto, em cima da cama de ferro com o seu belo guarda-pó cinzento de sob o qual despontavam os dois pequenos pés juntos, mais do que satisfeito, parecia felicíssimo.



...

início do conto «Restos mortais» de Luigi Pirandello

com tradução de Carmen Gonzalez

edição Livros RTP no volume «Contos escolhidos», páginas 45 - 47



quarta-feira, 27 de maio de 2026

Marion Brown vezes dois,

 

  para afastar o orgulho sorrateiro de quem ri e diz que o país está melhor e quer que se acredite nisso como uma fé, mas uma fé que não paga as contas nem tão pouco alivia e isso o Mintonegro não diz, apenas ilude.


sexta-feira, 15 de maio de 2026

A lavadeira e o construtor

 


Este texto foi dito de improviso para um gravador de telemóvel e enviado para a Rádio Paralelo online em 2020 ou 2021 para responder a um desafio da Casa da Achada de escrever um texto com três palavras prédeterminadas. 

Já não me recordo de quais eram essas três palavras. Em 2026, adicionei algum ruído sonoro à voz.

segunda-feira, 11 de maio de 2026

I Believe


 

«I Believe»

óleo sobre cartão tamanho A2

2026 ZMB


«I Believe that rock and roll music is sent to us straight from the devil himself»

é uma frase dita no álbum «I Ching shuffle» dos De Fabriek


quarta-feira, 6 de maio de 2026

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Agora na verdade não já não

 

 
''
Diz-se que o extraordinário romance Red Shift (1973), de Alan Garner, foi inspirado no momento em que o autor viu um grafiti numa estação de comboios onde se podia ler: «agora na verdade não já não». Existe algo tão inquietante, tão críptico e tão sugestivo nesta frase, especialmente quando é grafitada por um anónimo. Que é que o autor desconhecido deste poema vagabundo queria dizer com isto, e que significava isto para ele? Que evento o levou a escrevê-lo -- foi uma crise pessoal, um evento cultural, uma qualquer revelação mística? E será que alguém além de Garner alguma vez viu a frase grafitada na parede da estação de comboios? Ou foi apenas Garner que a viu? Não que esteja a insinuar que a imaginou -- mas a frase captura de forma tão perfeita os vórtices temporais da obra de Garner que é quase como se pudesse ser uma mensagem que só lhe era destinada a ele. Talvez fosse mesmo, independentemente das «intenções» do grafiteiro.
Se quisermos acreditar na fonte anónima mais famosa do mundo, as palavras «agora na verdade não já não» foram escrevinhadas em batom, por baixo dos nomes de dois amantes que haviam sido escritos a giz na parede. Em qualquer dos casos, a explicação para a frase parece ser -- à primeira vista -- algo prosaica. Alguém -- um dos amantes, ou algum dos seus amigos, inimigos, rivais, ou mesmo um estranho -- tecia um comentário -- sarcático, melancólico, irado? -- sobre o estado da relação. Uma frase que não é bem banal, mas que é certamente transparente, conversacional -- «agora na verdade não já não» -- adquire uma opacidade poética em virtude da omissão de uma vírgula. No entanto, mesmo aquela explicação aparentemente deflacionária não consegue evitar a inquietação da frase: «agora na verdade não já não». Dizer que havia algo predestinado sobre o encontro de Garner com o grafiti é duplicar a inquietação intrínseca e indelével provocada por esta frase. Porque assim, para onde é que a frase nos aponta senão para uma temporalidade fatal? Agora não, já não, na verdade não. Quero isto dizer que o presente se erodiu, desapareceu -- agora não já não? Estamos nós no tempo de um já perpétuo onde o futuro já foi escrito; em cujo caso não é o futuro, na verdade não?
''

Mark Fisher, página 117 - 118

«O esquisito e o inquietante»

tradução de Leonor Castro Nunes
edição VS


sábado, 11 de abril de 2026

This is the family record

 



IRABCDJOL 17

01: Filho da mãezinha
02: I am the baker (long)
03: O protocolo do rubor
04: Insane again?
05: A visão de um louco

Track 01 is a collage of sounds including two twisted versions of Alan Vega songs and a traditional portuguese song by Mãe Linda.
Track 02 is the long version that includes a metronome and field recordings.
Track 03 is inspired in a rythm by Manitas de Plata performed here on flute and includes a poem by Roger Wolfe which is the title of this track.
Track 04 is a live improv using the sound of a tv, assorted percussion and flute and voice on tape.
Track 05 is an attempt to sing like Meredith Monk on the Book of Days record.

This is the family record




quinta-feira, 2 de abril de 2026

Só (Solidão) por Tom Zé

 


Solidão
Que poeira leve
Solidão
Olhe a casa é sua
O telefo...
E no meu descompasso
O riso dela
Na vida quem perdeu o telhado
Em troca recebe as estrelas
Pra rimar até se afogar
E de SOluço em SOluço esperar
O SOl que SObe na cama
E acende o lenÇOl
SÓ lhe chamando
SOlicitando
SOlidão
Que poeira leve...
Se ela nascesse rainha
Se o mundo pudesse agüentar
Os pobres ela pisaria
E os ricos iria humilhar
Milhares de guerras faria
Pra se deleitar
Por isto eu prefiro
Chorar sozinho
Solidão
Que poeira leve
Solidão
Olhe a casa é sua
O telefone tocou, foi engano
Solidão
Que poeira leve
Solidão
Olhe a casa é sua
E no meu descompasso
passo
O riso dela

quarta-feira, 18 de março de 2026

Throbbing Gristle Something came over me Live At Oundle School 1980

 


something came over me

and i don't know what it was

i don't know what it was

something white and sticky 

like a tomahawk trump who killed 200 little girls like me

https://www.youtube.com/watch?v=THfKY9xqY6I




sábado, 14 de fevereiro de 2026

Imagine to live a life with no telly


 

«Imagine to live a life with no telly»

óleo sobre papel tamanho A2

2025 ZMB

Ganhei inspiração para este óleo num diálogo-canção do álbum Spore by Scanner.

I say thanks to Robin Rimbaud


domingo, 1 de fevereiro de 2026

Filho da Mãezinha

 



This is a collage of sounds including twisted versions from two songs by Alan Vega and a portuguese folk song by Mãe Linda