sábado, 31 de março de 2018

Três amigas brincando



'Três amigas brincando'
óleo sobre tela
70cm por 100cm
2018
ZMB a partir de Kirchner

Foi feita uma pequena alteração:
o gato foi pintado de preto porque como se pode ver na foto em baixo
ele mal se distiguia do fundo.



O palhaço e a mulher azul 2


'O palhaço e a mulher azul 2'
óleo e pastel de óleo sobre placa de madeira
48cm por 38cm (com moldura)
1998
ZMB



Doubled face staring at the mirror


'Doubled face staring at the mirror'
Vidro partido e pintado sobre lápis e pastel de óleo 
sobre papel sobre placa de madeira
43cm por 52cm (com moldura)
1998
ZMB




Esta assemblagem tem por base 
este excerpto de um texto de Claudio Mur:
'Even death is better than this useless life'
Retirado do livro Kcoillapso,

'
Acordei tarde hoje. Como o hoje era sábado, levantei-me por volta das duas
horas da tarde. Não acordei bem disposto nem rápido. Tem-se repetido ao
longo das semanas. A culpa penso ser da preguiça. Quando finalmente saí
da cama, fui directo ao espelho. Levei as mãos à cara e puxei com violência
a pele para baixo irradiando os meus olhos de sangue capilar.
Banho?, pensei eu.
Não. Tomo amanhã.
Dirigi-me à casa de banho, experimentei a nova espuma de barbear e as
novas gilettes. Quando pus a lâmina na cara, esta queixou-se.
Ai! As da outra marca eram bem mais amáveis, bem mais gentis para
comigo.
Levei a toalha à cara, e vi no espelho uma pequena incisão vermelha, abri a
boca tentando encontrar as amígdalas mas não vi nenhuma, então respondi:
Pois é, tens razão. Devia ter aberto o pacote e ter experimentado antes de o
comprar.
Voltei ao quarto. A gaveta esperava que eu lhe tocasse. A sua virtude
continha comprimidos para a memória e ampolas bebíveis para a boa
disposição. Ao voltar ao espelho comecei a pensar.
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domingo, 25 de março de 2018

Hey

Well, I don't know, and you can't say. And even if you could, you wouldn't anyway Let's go to hell Hey...Hey..... Now I'm in love, not with he or she it's burning hate why don't they see? Get your hands off me Hey...Hey..... I'm burning now, like a falling dove (love?) I'm not fit to fall in love. LOVE? Hey...Hey..... A broken dream is but a swinging arc A lover's kiss then I am gone.

terça-feira, 20 de março de 2018

O diário não era apenas o jornal da minha vida, mas até o espelho secreto da minha alma

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Baba não veio almoçar a casa, provavelmente acompanharia Cora, ou saíra com Santoro. Comi só, depois meti-me no quarto, instalei-me à secretária e comecei a folhear o diário.
Reli a página, no começo, onde previno reservar-me o direito de acrescentar aos factos realmente havidos outros factos, estes últimos inventados, atinentes a servir como materiais para o romance que pretendia escrever mais tarde; e caí numa profunda meditação.
Afinal a que vinha uma tal advertência? Realmente por querer reservar-me, desde escrever o diário, o direito de preparar o romance? Ou não antes porque queria poder dizer certas coisas que na vida real não existem? E para esconder de mim mesmo outras que pelo contrário existem?
Na verdade, se um dia realmente me dispusesse a escrever o romance, então deveria não apenas aceitar tudo quanto juntara no diário com a finalidade de completar e, por assim dizer, tornar mais real a realidade, mas igualmente alijar quanto lhe sobrepusera, qual máscara no rosto da mesma realidade, de cada vez que ela me parecera inconfessável mesmo num diário. Ora este trabalho de desbaste anunciava-se-me como nada fácil, sejam os acrescentos que serviam para aprofundar e integrar a realidade, sejam aqueles que pelo contrário a dissimulavam, não estavam ali por razões meramente literárias, de engrenagem romanesca, mas por motivos extraliterários que, como sentia, me era difícil, para não dizer impossível, esclarecer até de mim para comigo. Em suma, o diário não era apenas o jornal da minha vida, mas até o espelho secreto da minha alma. E de facto eu tinha relatado ali, além de alguns sonhos reais e verdadeiros que me tinham parecido mais significativos eventos e personagens que sabia inventados mas que, como os sonhos nocturnos, haviam servido, no momento de os inventar, para esconder ou desafogar certas paixões.
O homem comum tem apenas os sonhos, os que sonha dormindo tanto como os sonhados de olhos abertos; mas o romancista, a mais dos sonhos, dispõe das invenções dos seus romances. Como os sonhos, tais invenções não são o que parecem; e significam mais do que quanto pretendem significar. Ora, há duas espécies de romancistas: os que crêem nas suas invenções e os que não crêem nelas. Aos primeiros admite-se que escrevam romances que se assemelham a enigmas figurados, dos quais, porém, eles próprios ignoram a resolução; os segundos, pelo contrário, detêm a chave do que escrevem e por isso estão aptos a manifestar o que está escondido. Eu pertenço evidentemente à segunda categoria.
Tudo isto parecerá porventura misterioso. Mas pense-se: um diário não é a verdade porque, no próprio momento em que o diarista relata um acontecimento de que foi protagonista, já não é quem o viveu mas quem o escreve; quem o viveu é, pois, uma personagem bem distinta, com a qual o diarista tem uma relação de juízo ou, preferindo-se, de representação. E sendo verdade que entre o diarista e o protagonista dos acontecimentos do diário há completa identificação, também é verdade que essa identificação está na origem de quaisquer truques ou mentiras ou reticências que modifiquem, amputem ou dissimulem os acontecimentos referidos no mesmo diário. Na realidade, o diário é sempre sincero, sempre verdadeiro; somente será necessário buscar a sinceridade e a verdade além dos eventos.
Esta é a razão porque diários, jornais, autobiografias, confissões e memórias são, todos, pouco mais ou menos, mentirosos no sentido factual e verdadeiros psicologicamente. Tal como um espelho no qual quem se vê pode fazê-lo tomando esta ou aquela atitude. A verdade não está tanto na imagem quanto no carácter da personagem que, no momento exacto em que o espelho lhe reflecte a imagem, por assim dizer se vai criando como por encanto. Mas esta personagem não pode ser aceite tal como é: deve ser interpretada, submetida a uma operação crítica. Então saltará à vista que é o resultado de quase automáticas mentiras, reticências, disfarces.
No meu caso, a operação crítica que revelava? Revelava que a personagem do diário tinha sido obtida mediante a supressão de toda uma parte da realidade, e que o seu verdadeiro carácter se definia precisamente não só através da realidade suprimida, mas também do facto em si desta supressão.
Decerto: a personagem do diário era um romancista que decide, na mira de posteriormente arquitectar um romance, manter o diário de um período da sua vida. Ora o curioso era isto: uma vez atingido o termo do diário, o projecto do romance jogava fora a personagem do romancista. Se na verdade quisesse escrever um dia o romance, devia admitir que não fora apenas o projecto do romance que me levara a manter o diário, isto é, a fazer-me passar da desatenção à atenção e, em consequência, bater à porta de Baba, mas até, concomitantemente, qualquer coisa mais de muito menos elevado e de toda a maneira não literária. Essa qualquer coisa mais eu suprimira-a para construir a figura do romancista, mas agora o projecto do romance constrangia-me a admitir-lhe a existência, mais, a alicerçar sobre ela toda aquela vivência.
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páginas 253-255

'A atenção'
Alberto Moravia
tradução de Pedro da Silveira
edição Livros Unibolso

domingo, 18 de março de 2018

Jesse Garon Parker

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-- Quem é ele? Como se chama esse ladrão?
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, página 93

'O chão que ela pisa'
Salman Rushdie
edição Planeta DeAgostini



mas se Jesse Garon Parker é
uma personagem de Rushdie inpirada no Elvis

existe Jessé Garon
cantor e guitarrista inspirado no Elvis



talvez o Rushdie tenha bebido daqui para o seu livro
'O chão que ela pisa'

quinta-feira, 15 de março de 2018

There's a lot of fallen angels getting crushed beneath his feet

We'll go for a walk & you'll go nowhere... This road leads to every disaster Riding shotgun through this silence... Spitting out these vicious secrets There's a killer in a car and he's parking it right outside my face... Get it done with, get it done with... Is that a coffin fulluva cupids you keep pushing through my gate... There's a lot of fallen angels getting crushed beneath his feet... Now the killer gets the car and just drives it right into my guts Get it done with... Get it done with... Now the tears start flowing, the fun really starts... Goodbye heaven, here comes heartache When the tears start flowing, the fun really starts... Goodbye heaven, here comes heartbreak Well the blood is really flowing and the fun it really starts... I don't need no derelict bloodshed To lay my stains upon your altar Saying prayers for passion killers who like saints commit these murders... Get it done with... Get it done with...

quarta-feira, 14 de março de 2018

Remendar o caos

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Hoje, estava para colocar aqui no blogue um texto de 'A atenção' de Alberto Moravia. Isto de manhã por volta das dez horas. Comecei a transcrever mas as letras da edição, que possuo e me foi oferecida pelo Giuliani, são muito pequenas e eu começo a ver mal. Além disso, Gisele, a furacona, resolveu absorver toda a luz que entrava pela minha janela virada a norte. É certo que comprei uma lâmpada led de cinco watt que fornece cinquenta e portanto poderia acender a luz para ver melhor as letras e continuar a transcrever a passagem que geralmente selecciono dos livros que termino de ler. Mas não o fiz, desisti de transcrever e guardei o rascunho, «estou a ficar cegueta... da outra vez, no poema do Giuliani transcrevi que o cão tinha a língua perfurada quando na verdade tinha a língua apenas pendurada, era a palavra 'pendurada' que estava escrita, vê só: um cão punk!» pensei «a Gisela roubou a luz, lá como se chama aquela barragem lá na China que recebe o dinheiro da minha electricidade aumentou-me o tarifário, e eu estou sem paciência para escrever...» Às vezes, desisto facilmente, é uma espécie de mentalização, a ideia de que algo não está bem cresce, vai crescendo ao longo dos dias, e eu como geralmente estou sempre sozinho passo o tempo a pensar, é natural que as ideias cresçam assim, neurónio a neurónio. Às vezes, há uma rotina para me distrair dos meus neurónios e passar o tempo mas outras vezes a agonia instala-se logo que acordo e tomo uma caneca de café de saco pelas nove da manhã. Talvez tenha sido esse o caso hoje. Não, não totalmente. Às vezes, a agonia, a sensação de mente deslocada e fora do seu suporte -- o corpo -- e que me faz abandonar tudo e me estender ao comprido na cama porque não aguento a dor de cabeça, de barriga para baixo sentindo as ondas de energia transfixarem-se-me entre a cabeça e os pulmões, o estômago e a bexiga... às vezes penso que esta sensação se deve a eu na noite anterior não ter tomado os comprimidos, ou pelo menos não me conseguir lembrar de os ter tomado, e enquanto tento refazer a rotina do fim do jantar anterior para me recordar se os tomei ou não, a vontade de agir ou de lutar vai-se, a rotina desfaz-se e mais nada no dia correrá bem, hoje não transcreverei A atenção de Moravia porque estou meio doente, olho pela janela a chuva quase saraiva, o vento perfurando as línguas dos cães e deito-me ao comprido na cama, «hoje não chega correio, tenho de ir buscar a medicação e as molduras mas vou de tarde, talvez, talvez se o tempo abrir, mas senão... fazer o quê?, hoje não tenho vontade de pintar, aquela cor tem de secar antes de eu repintar, não consigo ler, que vou eu fazer hoje, miséria de vida secante!»
O telefone toca, o farmacêutico avisa-me de que a medicação só chega de tarde porque o laboratório não a enviou por o stock ter uma validade curta, o farmacêutico ligou-me para me perguntar se não havia problema, eu disse que não, disse até logo e desliguei. Levantei-me do ninho e decidi pôr a tocar Jac Berrocal no giradiscos. Achei que tinha de consertar um pormenor numa moldura e passei assim meia hora enquanto pela janela relampejava de vez em quando. 
Primeiro, preparei um pouco de cartão canelado, cortei um rectângulo e pintei-o a acrílico em tons de azul com nuances adicionadas com amarelo. A minha ideia era colar este rectângulo ao k-line branco e disfarçar o fundo da moldura, porque num canto a placa de baquelite, que era o suporte do quadro pintado, estava amputada e parecia mal aquele branco da k-line por baixo do quadro. Eu tinha pedido ajuda à senhora da loja onde encomendo as molduras e ela sugeriu, caso eu não conseguisse, que ela mesmo abriria o verso da moldura, lascaria com x-acto o papel craft, retiraria as tachas que prendem a k-line à moldura e colaria do lado de dentro o rectângulo de cartão, «mas aí teria de lhe orçamentar a colagem e o senhor como é pintor pode fazer isso, caso não consiga ou tenha medo de danificar venha cá que eu faço... se conseguir venha cá que eu forro-lhe o verso da moldura sem custo adicional.» Na altura, fiquei sensibilizado com a sua ajuda e é por coisas como esta que eu tenho a minha lista de vendedores top para quando preciso de alguma coisa, mesmo que seja o azeite que só compro naquele supermercado, por exemplo. Fiquei sensibilizado e ela chamou-me de pintor, o que fez com que eu pensasse que não basta ser chamado de pintor, tenho também de agir como pintor e foi isso que fiz, hoje, pus-me a reparar um erro de casting: um suporte de baquelite com um corte que o torna iregular num canto e que, por isso, exigiria que eu o tivesse reparado antes sequer de o ter começado a pintar, como este quadro foi começado há dez anos e abandonado, ando ainda hoje a receber as ondas de choque, mas só porque me decidi a resgatá-lo do meu lixo artístico como se ele fosse um filho abandonado, não consigo abandonar uma tela e hoje sofro com os erros de casting, eu crio os erros e depois tento consertá-los, os pragmáticos chamam-me naif.
Almoçei e tomei o meu café de saco, pus-me a pensar que talvez fosse só buscar a medicação, porque está a chover e não queria ir de guarda-chuva numa mão e na outra a moldura para ser fechada na loja, «tanto peso e algo pode correr mal... vou lá amanhã, venho para casa e ponho-me a ler o Rushdie.» Entretanto, o sol por cima das nuvens começou a dar alguma claridade e eu pensei em acabar de transcrever o Moravia, teria tempo até sair às três da tarde mas desisti da ideia. Pus Lydia Lunch a tocar e a minha mente continuou a navegar quase apaticamente, é um daqueles dias em que me apetece não sair da cama, sem vontade até de ouvir som stereo saindo por colunas, nada para querer nada por que agir mas depois pensei «ouço o cd fumo mais um e saio, levo a moldura para fechar levo o guarda-chuva vou à farmácia e depois logo se vê se tenho luz natural ou vontade de ler ou escrever...»
Saí, entrei no metro, subi a rua e entrei na loja, a senhora atendendo uma cliente não deixou de me cumprimentar e eu fiz o mesmo. Veio outro empregado atender-me e eu entreguei a nota de encomenda para levantar e pagar o remanescente das três novas molduras, e agora vou escrever o diálogo para reforçar o que no fundo me levou a chegar a casa e escrever este texto:
-- E este trabalho, para que é?, diz o empregado olhando para a moldura que eu tinha desembrulhado.
-- Aqui, está a ver, foi com a sua colega... e apontei para o canto inferior direito mostrando o remendo de cartão que eu tinha colocado.
O senhor olhou para mim e num tom de voz que me pareceu quase demonstrar que ia resolver um problema criado por um colega disse-me: -- É para forrar?
-- Sim. Disse eu, e fiquei sem saber se ele já sabia o que eu pretendia, por a sua colega lhe ter falado que eu iria lá com este trabalho para finalizar, ou se estava zangado com os colegas que tinham feito um mau trabalho. A senhora olhou para mim e eu senti-lhe alguma mágoa no olhar, talvez ou talvez não, talvez fosse só que eu tenha percebido, que com a minha falta de palavras adequadas para explicar o que pretendia, dei a entender que me queixava de um serviço mal feito e ainda por cima apontei o dedo a dizer quem foi, e tudo isto não passava de um mal-entendido que eu criei, estupidamente não o consertei, o senhor disse que só demorava uns minutos, o trabalho veio finalizado, embrulhou-mo juntamente com os outros três que acabara de pagar e desejámos boa tarde. Saí da loja, a pensar em tudo isto, a pensar se é defeito e um sintoma ou é feitio o eu proceder assim: «a senhora ajudou-me e eu sem perceber o que eu próprio disse dei a entender que a culpa fora dela... quando não foi!, há aqui um padrão, às vezes queixo-me que o mundo me agride, e quantas vezes já não tratei mal as pessoas que me fazem bem?, por mais que tente sai merda de vez em quando.»
Há muita coisa que tenho de melhorar: há um desfasamento entre os meus actos e a consciência dos meus actos e palavras, talvez seja um défice de atenção, talvez, o meu eu-pragmático diz-me apenas para honrares a loja e continuares a lá ir fazer molduras, mas o meu eu-penitente não pode deixar de escrever este texto para registar o erro e pedir desculpa através do éter, não é a primeira vez que recorro a este meio, habituei-me a ele mas gostaria que fossem poucas as vezes em que a ele tenha de recorrer, preferia fazê-lo pessoalmente, e voltar a falar com algumas pessoas e ver se ainda seria possível remendar o caos.
'
Claudio Mur

sexta-feira, 9 de março de 2018

O quarto de ZMB Gogh


'O quarto de ZMB Gogh'
óleo sobre tela
70cm por 100cm
2018
ZMB a partir de Van Gogh

domingo, 4 de março de 2018

Blake Angelo


'Blake Angelo'
desenho a grafite e caneta Bic e côr acrílica sobre papel
59,4cm por 42cm (tamanho A2)
1998 - 2018
ZMB, a partir de Michelangelo e William Blake

Em 1998 fiz o desenho a bic azul da 'Pietá' de Michelangelo,
este ano resolvi conjugá-lo com uma gravura de W. Blake chamada 'The ancient of days'

quinta-feira, 1 de março de 2018

VIP lunatics on the grass

The lunatic is on the grass
The lunatic is on the grass
Remembering games and daisy chains and laughs
Got to keep the loonies on the path

The lunatic is in the hall
The lunatics are in my hall
The paper holds their folded faces to the floor
And every day the paper boy brings more

And if the dam breaks open many years too soon
And if there is no room upon the hill
And if your head explodes with dark forbodings too
I'll see you on the dark side of the moon

The lunatic is in my head
The lunatic is in my head
You raise the blade, you make the change
You rearrange me ' till I'm sane

You lock the door
And throw away the key
There's someone in my head but it's not me

And if the cloud bursts thunder in your ear
You shout and no one seems to hear
And if the band you're in starts playing different tunes
I'll see you on the dark side of the moon