domingo, 8 de fevereiro de 2026

Drogados e nota profiláctica sobre a hepatite c



 Drogados



Drogados

Eu bem os vejo

Com caras de lobo

E almas de cordeiro ...

Qual deles para arranjar a droga

O mais trapaceiro.


Filhos da Vida

Da neve e do frio

Da noite sem cama

E do calor do Rock and Roll.

Eles são drogados

Por não encontrarem

Um Ambiente de Paz e de Amor.


Drogados ...

Não são os Mordomos do Universo inteiro

São os primeiros a despir a camisola

Para ajudar um companheiro.

São Aqueles que mais sensíveis

Querem um Mundo mais verdadeiro.


Drogados são seres iluminados.

Mas o Mundo sem Amor

É traiçoeiro


2004


poema de Júlio Alberto Allen Vidal

lido por um amigo

ontem Sábado dia 7 de Fevereiro na Casa de Cultura de Paranhos

na apresentação do Volume II da sua Antologia Póstuma

editado pela Apuro em 2026

e com biografia e selecção de Bernardo Guerra Machado


Queria deixar uma nota profiláctica sobre a Hepatite C.

Na tentativa de cura da hepatite C, antigamente, havia um tratamento quer era difícil e invasivo para o doente e portanto de cura difícil, era o Interferon.

Lembram-se do tempo da Troika em que no parlamento português se discutiu se o Estado devia pagar um milhão à farmacêutica para patrocinar um novo tratamento que prometia a quase cura? O Passos  Coelho não queria pagar, mas na altura no debate um doente irrompeu pelas galerias a dizer «Não me deixe morrer!!» O Passos acabou por aceitar negociar o medicamento com a farmacêutica e chegou a um acordo e o novo tratamento foi introduzido no Serviço Nacional de Saúde.

Eu, em 2014 ou 2015, quando almoçava na caridade da Ordem de São Francisco na Ribeira onde morava, costumava sentar-me muita vezes à frente de um senhor de cinquenta e poucos anos, português africano que chegou a jogar futebol num clube regional. Como nem todos ficam Ronaldos esse meu amigo, senhor que quase todos os dias almoçava à minha frente, ficou pobre quando terminou a carreira de futebolista e agarrado ao alcóol e às drogas e contraíu hepatite C

Ele falou-me que entrara neste novo tratamento em que lhe prometiam a cura em três meses, e só tinha de ficar abstinente: não beber não fumar nem tomar drogas.

Eu depois deixei de lá ir almoçar porque mudei de residência mas ele parecia-me mais gordo e contente, e parecia estar a recuperar.

Falo tudo isto porque em 2021 o Julião morreu de cancro hepático e eu acho que a sua hepatite C evoluiu para cancro porque ele embora tendo aderido ao novo tratamento, voltou a consumir crack que é a cocaína que se fuma pelo cachimbo, vulgo «caneco», ele não conseguiu resistir à tentação de consumir. Foi uma época em que o crack estava mais barato que o haxixe e os maus amigos apareceram-lhe novamente com o crack.

O Júlio tinha muitos defeitos mas tinha o coração puro, ficava sem comer às vezes para dar de comer a um amigo, fosse ele bom fosse ele mau.





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