quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Galeria Inklusa - arte e inclusão


A inauguração da Galeria Inklusa - arte e inclusão - do Espaço T

Rua do Sol nº14 - 2º andar 4000-527 Porto

Abriu com uma exposição de obras dos alunos no final de 2015.
(Eu ainda cheguei a tempo de também participar!)


quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

A cidade da soul



'Soul City'
from the album 'eclesiastes 1.11'
Wraygunn



Cristos janados


'Cristos janados'
técnica mista sobre papel
42cm por 59,4cm
2016
ZMB

Este quadro foi terminado apenas agora, 
após haver estado em hibernação vários anos.
Referencia este trabalho:

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O Primor, a Pérola, a Perfeição do seu sexo:
«Se isto é amor há no amor alguma coisa profundamente ridícula».

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Na manhã seguinte, prosseguindo nesses penamentos, preparou pena e papel e recomeçou «O Carvalho», porque possuir tinta e papel em quantidade, quando se teve de recorrer a cerejas e margens, é uma delícia inimaginável. Assim estava ela, ora expulsando uma frase, nos abismos do desespero, ora inscrevendo outra, nos cimos do êxtase, quando uma sombra escureceu a página. Apressadamente escondeu o manuscrito.
Como a sua janela dava para a parte mais central dos pátios, como ordenara que não queria ver ninguém, e ela mesmo era legalmente desconhecida, ficou, a princípio, surpreendida com a sombra, depois indignada, depois (quando olhou para cima e viu de onde ela vinha) cheia de alegria. Pois era uma sombra familiar, uma grotesca sombra, a sombra de nada menos que a Arquiduquesa Harriet Griselda de Finster -- Aarhorn e Scand-op-Boom em território romeno. Atravessava o pátio como antes com o seu velho trajo negro de montaria e sua capa. Era então esta a mulher que a expulsara da Inglaterra! Este era o ninho daquele obsceno abutre -- e ela a própria ave fatal! Ao lembrar-se de que tinha ido parar à Turquia para evitar os seus encantos (agora muito reduzidos), desatou a rir. Havia algo de inexprimivelmente cómico no seu aspecto. Parecia-se, como Orlando pensara antes, com uma lebre monstruosa. Tinha os olhos salientes, as bochechas flácidas, o alto topete desse animal. Agora parara, como uma lebre erecta no trigo, pensando que ninguém a observaria, e fitava Orlando, que por sua vez também a fitava da janela. Depois de se terem fitado assim por algum tempo, não havia outra coisa a fazer senão convidá-la a entrar; e dentro em pouco estavam as duas senhoras trocando cumprimentos, enquanto a Arquiduquesa sacudia a neve da sua capa.
«Diabo leve as mulheres!» -- disse Orlando para si mesma, dirigindo-se ao armário para servir um copo de vinho -- «nunca deixam uma criatura em paz. Não existe gente mais bisbilhoteira, mais curiosa, mais intrometida que essa. Foi para escapar a este estafermo que deixei a Inglaterra, e agora» -- aqui, voltou-se para apresentar a salva à Arquiduquesa -- e encontrou em seu lugar um cavalheiro alto, de negro. Um montão de roupas jazia no guarda-fogo. Estava a sós com um homem.
Bruscamente chamada assim à noção do feminino, que completamente esquecera, e à do masculino, bastante remoto agora para ser igualmente inquietante, Orlando, sentiu-se desfalecer.
«Ai!», gritou, levando a mão ao flanco, «que susto!»
«Gentil criatura», exclamou a Arquiduquesa, dobrando o joelho, e aproximando, ao mesmo tempo, um cordial dos lábios de Orlando, «perdoe-me este engano!»
Orlando sorveu o vnho e o Arquiduque ajoelhou-se e beijou-lhe a mão.
Em suma, representaram os papéis de homem e mulher por dez minutos, com grande intensidade, e depois, recaíram nas suas maneiras habituais. A Arquiduquesa (que doravante deve ser conhecida como Arquiduque) contou a sua história -- que era homem, e sempre o havia sido; que vira um retrato de Orlando e dele se enamorara desesperadamente; que para atingir os seus fins se vestira de mulher e se alojara na casa do padeiro; que ficara desolado quando ele fugira para a Turquia; que soubera da sua mudança e apressava-se a oferecer os seus serviços (fazia o seu jogo e observava-a de um modo intolerável). Pois para ele, dizia o Arquiduque Harry, ela era e sempre tinha sido o Primor, a Pérola, a Perfeição do seu sexo. Os três «pp» teriam sido maiis convincentes se ele não os entremeasse de beijos e exclamações da mais estranha natureza. «Se isto é amor», disse Orlando para si mesma, olhando para o Arquiduque do outro lado da lareira, e agora do ponto de vista feminino. «há no amor alguma coisa profundamente ridícula».
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páginas 200-203
"Orlando"
Virginia Woolf
Tradução de Cecília Meireles
Edição Livros do Brasil

sábado, 16 de janeiro de 2016

Triciclo

Pegando na ideia expressa no título da exposição da Helena Almeida,
que terminou recentemente em Serralves:
 a ideia do corpo e sua evolução temporal como obra de uma vida;
e conjugando com a visualização de algum trabalho recente de  João Fiadeiro:
a ideia de mudança de paradigma de uma relação entre posições de um padrão mecânico
para uma relação entre relações qualitativos, e também a relação presença / ausência 
expressa na sua performance / exposição: I was here / I am (not) here:
Na Terça-feira passada no Espaço T continuámos a discutir estes temas
e a uma pergunta da professora eu respondi que
estou naquela fase em que já tenho a consciência de que estou a ficar velho
e ao me perguntar se eu achava assustador e como lidava com isso, respondi lapalicemente que
é o curso natural, se estou a ficar velho é porque não morri novo.
Assim, quando se passou à parte prática da aula, eu propus fazer um timeline
da evolução do homem durante a sua vida cronológica.
A professor gostou mas ressalvou que não era original, alguém já tinha feito.
Mas nem todos somos absolutamente originais ou génios, respondi.
Alinhavei alguns títulos do timeline, não sei ainda bem como vão ser trabalhados
mas estes títulos são:
Triciclo, fisgas, primeiros cigarros, amor, discurso e poder, desastre de automóvel, poltrona com pantufas e tv, bengala chapéu e barba branca até ao chão.


'Triciclo'
desenho a lápis e pastel sobre papel A3
2016
ZMB