quinta-feira, 15 de setembro de 2022

Ei meu ganda chapada!, tens de me dizer a marca dessa garrafa...

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Já a seguir, os intérpretes <BR>, <HM> e <RU> sem qualquer hierarquia e em plena amizade.


<HM> estamos tentando chamar os espíritos

<BR> ?ãah

<HM> de dentro nosotros auau cariô ãhah

<HM> ?põ você bateu a perna .tem uma mancha aí no joelho

<RU> toma

<RU> !fotografias meu

<BR> ?fotografias donde

<RU> ?ãah

<BR> ?é assim ou assim

<RU> !é assim é como tu quiseres ver

<BR> !parece as escadas de serviço do hotel de nova iorque

<HM> ?está filmando

<RU> !tá filmando meu

<HM> ...está te filmando aí ó

<RU> ...estamos a filmar os três

<BR> ?pra quê

<RU> !?sei lá, então pra quê meu

<BR> !então isto é uma casa de gelados

<RU> eheheh

<BR> .com o placard na parte de cima

<BR> ...isto é – o natal em santos de carqueja

<HM> !olhe, ele ele está filmando, é e depois

<HM> ...a gente vai querer uma, um resgate uma indemnização

<BR> hmhmhm

<HM> !senão através desta filmagem, vamos te entregar pá polícia ei meu eheheh

<RU> eheheh

<BR> ,isto é... uma

<HM> !pó kagebê pó efebí

<BR> !este é o fantasma e o outro

<RU> !o fantasma e o outro... olha, ele está a chegar ao ponto ehehehe

<BR> ?aí está

<HM> !a intenção é essa

<BR> !eh que granda bunda !parece a popota meu

<RU> eheheh que gand aháha

<HM> ? Parece o quê, bunda

<RU> boca popota

<BR> ...olha a senhora na janela

<BR> !sim senhora

<BR> ?quem é, a rosinha ou a pretinha

<HM> !?as miniaturas

<RU> assim

<BR> ?assim

<RU> assim

<BR> !sim

<BR> ...assim parecia-me um gajo deitado, e assim parece-me um gajo de pé, e assim

<RU> eheheeh

<BR> .tá bem

<HM> !toma, vê essa aqui, essa aí é multi multifotos

<HM> !fotos microscópicas

<BR> !aqui, já é preciso lupa

< BR> !Ah isto é o hotel de nova iorque

<RU> eheheh ?o hotel de nova iorque

<BR> !aí está isto é a fachada do lado direito

<HM> ?do hotel de nova iorque do costa cabral

<BR> ...aqui é o parque sei lá o parque do retiro em espanha

<RU> !grande auto estrada

<BR> !canadá

<RU> !grande auto estrada

<BR> !canadá

<RU> !grande scut o cabrão do coelho botou escuta nisto

<BR> …isto é a fachada do hotel

<RU> eheheh

<BR> ...isto é a parte direita olha

<BR> ?sabes o que isto me faz lembrar

<HM> …isso é o fixe que tem lá

<BR> ...o muro da cadeia de coimbra

<RU> ...o muro da cadeia de coimbra

<BR> !?ei o homem tava com uma pedrada do caralh(...)

<RU> ihihih olha esta

<HM> !fodasse parece um massacre deixa eu vê

<RU> ?massacre qual massacre

<BR> ?estás a ver

<HM> !olha aqui estou vendo aqui a pessoa sem pele toda vermelha sem fundo

<BR> ?olha a diferença que pés

<RU> !isso é um sessenta e nove

<HM> ?algum índio passou por aqui

<RU> !isso é um sessenta e nove olha para aí

<HM> !não estava fazendo um sessenta e nove

<BR> ?um sessenta e nove

<HM> !mas passou o gerónimo

<RU> eheheh

<BR> !é este é este

<HM> !e fez um escalpe

<RU> !um escalpe gerónimo

<HM> ?um escalpe é tirar a pele não é

<RU> ...um índio um índio

<HM> ...e os índios tiravam a pele

<BR> ...é este é este claro

<HM> ...como faziam com os buf búfalos

<BR> ?isto é a porta do retiro

<HM> ...um casaco de pele de búfalo

<RU> !é

<BR> ?ou da cadeia

<HM> ...essa cena se passava muito no paganini

<BR> …aqui era de tia

<BR> ?aquilo é uma televisão ou uma caixa de fósforos

<RU> !isso é um quadro um quadro assim

<BR> ?ãh não isto aqui é um fogão

<HM> !olha pá estou vendo melões

<BR, RU> !ahahah

<BR> !caiu-me mal a cabidela

<RU> ?caiu-te mal a cabidela

<BR> ...fui comer à madrinha

<RU> ...eu faço-te um chá olha ali tenho ali um chá vou-te já fazer um chá

<BR> !um chá para ficar mais magro

<HM> !olha temos de comprar uma dessa meu

<RU> !?é

<HM> ...para nos fazer companhia durante a noite

<RU> ?então não estás a ver

<BR> !estou

<BR> ...um gajo que se pendura e outro que se lhe agarra não é

<RU> !uma gaja

<BR> ...uma gaja, a gaja está do outro lado

<RU> !não isto é um mur e o gajo está

<HM> !olha onde você comprou essa gostei disso aqui

<RU> ...então não sei

<BR> ...atão isto aqui

<RU> !isto é um mur o azul é um mur o gajo está encostado ao fundo do mur

<RU> ...a fumar um cigarro e a gaja está por cima do mur como se ela estivesse

<RU> …como se ela 'tivesse na porta

<BR> !ah como se estivesse anda cá

<RU> !?isto é um postal não sei onde tirei isto

<BR> !?ei um homem que fuma que grita com um pé na cabeça

<BR> ?isto é a casa de segredos do <RU> não é

<BR> !esta casa está cheia de segredos ele está a esconder-se todo

<RU> ...eu estou a ser filmado

<BR> !o quê

<RU> !então não estamos a ser filmados olha práli

<RU> !isto foi o meu gato já morreu o óme

<BR> ?já morreu o homem

<RU> !o gato

<BR> ?poste os cornos

<HM> ...quer dizer que todo o dia aparece

<RU> ?já há água quente bem posso ir fazer o chá


''

Claudio Mur

quarta-feira, 14 de setembro de 2022

Tropa Macaca

 


«Tropa Macaca»

desenho a lápis de grafite e caneta-pena de preto permanente colorido com caneta bic, lápis de cor e pau de pastel de óleo sobre papel de 300grms satinado

50cm por 70cm

2022

ZMB


Este trabalho foi desenhado ouvindo o último album dos Tropa Macaca

https://tropamacaca.bandcamp.com/

segunda-feira, 12 de setembro de 2022

Resenha da exposição «Einstein Frankistein, um ego suburbano» na Galeria Verão em Lisboa, este último Sábado dia 10 de Setembro


Antes de mais, quero mandar a filosofia às urtigas e contar o porquê do título da exposição: surge de uma anedota que se transformou em brincadeira: eu quando deixo crescer o cabelo ele fica todo no ar (ver foto de arquivo do frankistein em 2008, em baixo) e a minha amiga brasileira para me picar chama-me frankistein (coitada ehehehe ela não sabe ingalês), e eu respondo «não é frankistein, é einstein!»

A galeria Verão acolheu-me bem e fui muito bem tratado, cheguei a dizer à Antonia que a minha impressão sobre Lisboa melhorou muito, já lá não ia há anos, cheguei a ir ver concertos com os amigos a Lisboa quando era estudante, mas depois disso, só em casamentos ou baptizados.

Na galeria, estiveram presente a minha família e os amigos da galeria: a Marta da Fundação Treger Saint Silvestre e outros amigos e amigas quase todos artistas, que me deram os parabéns, diz a Antonia que eles me aceitaram «como um par». Fico contente.
Esteve também presente o André Lemos da Opuntia Books que já me editou dois fanzines com desenhos.

Na manhã de Domingo, fomos visitar a Gulbenkian, o magnífico jardim e a exposição temporária que põe em diálogo a obra de Archile Gorki e Jorge Queiroz (que também esteve na galeria no Sábado e me felicitou). Gostei bastante do trabalho dele.


O cartaz da exposição serigrafado por um atelier amigo da Antonia Gaeta:


O Einstein


O Frankistein


Desenho realizado no Sábado mostrando a galerista e curadora da exposição Antonia Gaeta


Com André Lemos da Opuntia Books


Com a maravilhosa Antonia


As fotos seguintes mostram as paredes da galeria e foram tiradas pela Antonia







Ora digam lá se a minha prima não é bonita? Broeiros de Lisboa ehehehe ela é comprometida e está bem de saúde!


A familia: primos, tias e segunda-prima



Grazzie Mile

ZMB LOVES YA ALL!



 

sábado, 3 de setembro de 2022

Einstein Frankistein, um ego suburbano

 EINSTEIN FRANKISTEIN, UM EGO SUBURBANO. 

ZMB 

10.09.2022 16H-20H 

VERÃO 

RUA FERREIRA CHAVES 12, LISBOA


Convido

toda a minha família que vive em Lisboa

e demais amigos e eventuais curiosos em arte bruta, outsider ou nas margens

a estar presente na Galeria Verão em Lisboa

no dia 10 de Setembro a partir das 16h

para a inauguração da minha nova exposição individual:

«Einstein Frankistein, um ego suburbano»


quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Reflexão sobre o «fazer-se coisas em conjunto»

 Eu entre outras coisas faço som, quero dizer: gravo música composta por mim, gravo o que quem não gosta pode simplesmente chamar de «ruído». Faço música sem saber tocar os poucos instrumentos que possuo e sem saber ler uma pauta, improviso e depois misturo os sons gravados no computador, às vezes uso samples de discos de bandas que tenho na minha colecção, já tenho onze discos publicados no archive ponto org, gosto de às vezes misturar as vozes de amigos e vizinhos nas minhas composições, já fui abordado por uma pequena editora do Porto para gravar com eles em conjunto mas tal nunca aconteceu, eu penso que terá sido assim porque eu «fiz merda», quiseram «conhecer a peça» e a peça revelou-se no mínimo boçal, ninguém que um artista musical queira ter contacto com, eu nunca me dei bem com artistas nem mesmo musicais, sou demasiado estranho e muitas vezes dinamito tudo quantas vezes de propósito, a verdade é que não me considero artista, considero-me pintor, mas não conseguiria fazer da pintura ou da música e ter um horário de trabalho fixo e todos os dias, prefiro ganhar a vida num trabalho regular e quando chego a casa pintar quando tiver disposição, é verdade que estive dez anos a viver sem trabalhar e então chamei-me ufanamente pintor a tempo inteiro, mas a verdade é que pintava uma, duas horas por dia, o resto do tempo flanava, lia, fazia música, escrevia, tentava envolver os vizinhos na actividade artística, sugerir-lhes um ponto de escape.

Tive um vizinho que era quase sem-abrigo, passava o tempo na casa ao lado da minha, estava sobre a tutoria de uma autoridade psiquiátrica que lhe geria o dinheiro do rendimento mínimo entregando-lhe o dinheiro às prestações, em semanadas, se assim não fosse ele estourava o dinheiro todo no primeiro dia e penava os restantes trinta. Ele disse qe gostava de tocar guitarra e até falou que transou com uma turista que o viu tocar na rua por prazer, eu bem lhe dizia: faz como os outros, toca num local e pões a boina, ao fim de três horas tens vinte, trinta euros que te pagam o dia, mas ele nunca quis, não queria ser pedinte, tentei fazer uma música com ele, ele na guitarra, eu na harmónica e recitando um texto meu, pura diversão, depois ouvimos o resultado, ele não se pronunciou, uns dias mais tarde peguei no ficheiro e cortei-lhe as partes de voz e deixei ficar a harmónica e a guitarra, achei fixe, decidi ir à casa do lado mostrar-lhe e aos outros residentes, o dono da casa disse que era uma merda e além do mais mal gravada e eu fiquei sozinho na defesa do som que eu e o Tiago fizemos porque este não se quis pronunciar mais uma vez, nem para defender o seu próprio trabalho, claramente um gajo que se está a cagar para tudo e cala-se para obter o favor do dono da casa ao lado. 

É por isso que trabalhar em conjunto nas minhas ideias é difícil, não encontro empenho nem interesse. Mas não desistirei. Aliás, as coisas têm vindo a melhorar: estou a colaborar com editores de zines e revistas, e em breve estarei em condições de anunciar uma nova exposição de pintura, já faltou mais.