terça-feira, 16 de junho de 2026

Racismo no almoço de família

Não há um almoço de família em que não ouça uma infâmia:
Na tv passa um sósia do jogador brasileiro Vinicius Junior. O meu cunhado vira-se para o meu outro cunhado e diz: -- Então, a este já se pode chamar mono?
Ao que o outro se ri e diz: -- Acho que sim.
É por isso que me apetece mandar foder esta gente, que infelizmente é a minha gente e esse é o problema, já que os meus pais estão a entrar nos seus 80 e vão precisar de ajuda, a minha mãe é a que menos culpa tem. 
Apetece mas não os posso abandonar.
Esta casa põe-me doente.
Ter de aturar isto porque sou o elefante na sala, o único que se revolta silenciosamente, é a minha cruz.
O mal do mundo começa em casa.
Se eu me tivesse conseguido safar neste mundo, não aturaria isto, teria a minha casa e inventaria desculpas educadas e hipócritas para não vir comer a esta mesa e só voltaria para receber a herança.
Assim, pouco posso fazer a não ser escrever para aliviar o sofrimento, um sofrimento ainda assim pequeno, reconheço, menor do que o daqueles que não tem alojamento ou viram as suas casas bombardeadas ou menor do que o daqueles que não comem pelo menos duas refeições por dia. Sou mais um que sofre, não tanto mas que sofre.
Que me importa que lhe chamem pânico do silêncio? Tenho de sofer e calar? Só porque digo o que não devia ser dito?

Sem comentários:

Enviar um comentário