domingo, 18 de fevereiro de 2024

E ergue entre sorrisos esse copo, e diz-me:

 O protocolo do rubor


Logo haverá tempo para a farsa

do «estudas ou trabalhas, costumas

vir aqui, como vai o teu irmão,

e o teu pai, e o teu cão, onde é que vives,

do que é que gostas, viste este filme

- olha, surpreendeu-me -», se preferes

comida chinesa ou italiana,

o whisky em copo raso, se és abstémia,

praticas ginástica rítmica, sessões espíritas,

se já estiveste em Londres ou em Paris.


Logo haverá tempo para o «meu amor, minha querida»,

tempo para o calor e para a ternura,

o doce recolhimento pós-coital,

o cigarro da tua marca favorita,

um copo de vinho ou café

com leite, confidências

sussurradas ao ouvido

na penumbra do quarto.


Logo haverá tempo para a indiferença,

a incúria, os gritos, as palavras

feias, a louça partida,

e para as lágrimas e consolos, encontros

e desencontros, mensagens de ódio

ou de rancor, se for isso o que a vida

nos exige e isto não se limitar

às cinza de uma noite que se esgota

aqui e agora, entre os fogos

fátuos de uma estúpida comédia programada

por ditame de um deus desmiolado.


Porque tu sabes e eu sei que nunca

há tempo. Por isso cala-te. E olha para mim.

E ergue entre sorrisos esse copo, e diz-me:

«Cala-te e fode-me».



Roger Wolfe

página 74 - 75

em ''Fazer o trabalho sujo''

tradução de Luís Pedroso

edição Língua Morta


Before the white men came [repost]



Instruments used by Raksha Mancham are: Arghul (Egyptian double bamboo flute), Balafon, bass drum, bells, blowpipes, Bu Cham Rol Mo (Tibetan cymbals), cattle bells, Chöd Tön dhar (Tibetan narrow drum), claves, congas, cymbals, Darbouka (Moroccoan and Tunisian hand drums), Djembe (Malian drum), Drilbu (Tibetan bell), drums, Dung Chen (Tibetan horn), Dung-dKar (Tibetan conch), flute, g-Ling-Bu (Tibetan double flute), gong, r-Gna (Tibetan drum), r-Gyaling (Tibetan shawn), Ingoma (Rwandese drum), r-Kang Ling (Tibetan horn), marimba, Mendjan (Cameroonese xylophone), metal, Nachung r-Kang-Dung (Tibetan thigh bone horn), panflutes, acoustic percussions, metal percussions, rattle, Riqq (Egyption tambourine), rototoms, Sallamiya (Egyptian reed flute), Sanza, Limbu shaman drum, Shehnaï (Nepalese shawn), snare drum, Tal (Egyptian cymbals), tambourine, tapes, toms, Tön Dhar (Tibetan narrow drum), violin, vocals, voices, woodblocks, wood percussions, zither-cymbalo,... The use of the traditional instruments, especially when they are sacred ones, has been made with the greatest respect. It is important to consider the particular cultural heritage of the indigenous peoples as a source of enrichment for the whole Humanity.

Swans - Miracle of Love

She holds a key to the room down there And I, I will follow, but I'll never fall in Yeah, we'll suffer for nothing and we'll never forgive God said to no one to do what he did One second in your presence is a miracle of love One second denied is a miracle of love The young man is weakness in a lover's disguise The woman is strong in her warm, bitter lies How will they hope what they can never perceive And how do they love what they fail to deceive One second in your memory is a miracle of lies One heartbeat in your body is a miracle of love White light on a black sky is a miracle from above One lonely moment in your arms is a miracle of love

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2024

Tanta gente sem casa Tanta casa sem gente

A Comunidade do Além
Num momento feliz.
Esta comunidade já não existe.
Alguns dos actores infelizmente já faleceram, outros poderão hoje continuar sem abrigo ou estarem presos em hospitais, espero que a Sara Bidente já não viva na rua.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024

Tuíte Café de saco não manda ninguém de saco e tira o asco dos puxa-saco

 Quando já é difícil encontrar um café na vizinhança que não tenha fechado ou não esteja invadido pela música sertaneja e o teu único vizinho, com quem tu ainda trocas algumas palavras além do respeitoso «bom dia, boa tarde» e antigo colega de festança copofónica, que já poucas saudades deixam que não tenham sido escrevinhadas por alguma personagem do meu eu... 

e ele me diz que só quer saber de quanto lhe vai custar comprar um carro eléctrico enquanto eu lhe falo da obsolescência das baterias e dos prejuízos sociais e ambientais que são provocados ao produzir uma bateria de lítio... 

e ele me fala da teoria da grande substituição quando vê um negro entrar no café para registar o euromilhões rematando com «olha o que se passa em França, vais ver aqui dentro de alguns anos...»,


fica explicada a razão porque cada vez menos saio de casa e prefiro dialogar com as personagens dos livros que leio enquanto fumo cada vez menos, ouço um disco e bebo café de saco fervido no fogão da cozinha.

Salvam-se actualmente dois cafés a uma hora de distância: O Asa de Mosca e o Macau onde de vez em quando me reúno com os meus dois leitores preciosos.