«Altar of flies»
óleo sobre tela
60cm por 45cm
2024
ZMB a partir de capa de disco da banda Altar of Flies,
um projecto de noise doom de Mattias Gustafson
https://www.discogs.com/release/6001846-Altar-Of-Flies-Altar-Of-Flies
«Altar of flies»
óleo sobre tela
60cm por 45cm
2024
ZMB a partir de capa de disco da banda Altar of Flies,
um projecto de noise doom de Mattias Gustafson
https://www.discogs.com/release/6001846-Altar-Of-Flies-Altar-Of-Flies
Um círculo vicioso. Se Picasso, numa das suas crises contra a pintura, se atirasse de uma janela, M. X... o coleccionador genial, diria: "Fez uma bela mancha", compraria o passeio e fá-lo-ia encaixilhar com uma falsa janela, por Z., o encaixilhador genial.
Jean Cocteau em «O cordão umbilical / Ópio», página 144
Tradução de António Gregório/Joana Jacinto/Ricardo Ribeiro
Edição de Sr.Teste Edições
três magnatas da arábia saudita, vestidos de cabedal negro, seguem uma sonda russa, verde e luminosa, até à faixa de gaza. estrelas a fazer de semáforos para deixar passar as três oferendas: gaspar leva acções dos balcãs, baltazar uns tijolos do muro de berlim e belchior a cura do vírus de jacob. um gigantesco abrigo nuclear construído para o evento, capacidade para um milhão de espécies minimais. uma vaca sagrada indiana e uma outra holandesa de reserva. o burrico do sancho pança em ouro maciço. vai nascer o salvador, um corado e anafado bebé-proveta, motor turbo, sistema laser vidente, programado para saber de memória com a mesma facilidade a divina comédia ou o texto da perestroika. hollywood assiste ao parto em circuito interno, implacável e brutal, com visível frieza, como se apenas de mais um filho seu se tratasse. para o baptismo está previsto que salomé peça a herodes a cabeça de um skinhead. estudantes de biodegradação genética empunham painéis luminosos com frases: abaixo a caridade e o amor, cordeiro de deus devolve-nos os pecados já. o mundo ou é mau ou está mal, diria a nossa avó.
página 382
Joaquim Castro Caldas
em «Intérprete da vontade do pássaro»
edição Exclamação
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Ah! Ainda as estou a ver, essas queridas e boas senhoras, exactamente como há doze anos, quando me sentei à mesa delas, a discursar sobre os caminhos que os meus pés percorriam, pondo de lado os seus conselhos amáveis, como bom malandro, e encantando-as não apenas com as minhas aventuras pessoais, mas com as aventuras de todos os tipos com quem me cruzara ou trocara confidências. Apropriei-me de todas essas aventuras; e se as solteironas fossem menos confiantes e inocentes, ter-lhes-ia sido fácil pôr em xeque a minha cronologia. Sim, e depois? Foi uma maneira de retribuir as muitas chávenas de café, ovos e dentadas de torrada. Ficou tudo pago pelo justo valor. Diverti-as pela medida grande. Só o ter-me sentado à mesa delas já lhes soube a aventura, e a verdade é que a aventura não tem preço.
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Jack London
em «Vagabundos cruzando a noite», página 62
tradução de Ana Barradas
Edição Maldoror