quinta-feira, 21 de março de 2019
segunda-feira, 18 de março de 2019
Lusofolia -- A Beleza Insensata
Estou presente nesta exposição colectiva
no Museu Arpad Szenes / Vieira da Silva
em Lisboa
Abertura dia 21 Março 2019, 18h30
À semelhança da exposição individual realizada pelo Espaço T, no Porto em 2016,
sou apresentado com o meu nome de baptismo.
Quem estiver por perto, não deixe de ir ver :)
quinta-feira, 14 de março de 2019
O eternamente inatíngivel
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Em tempos pensei que ser humano era o objectivo mais elevado que um homem podia ter, mas agora compreendo que isso se destinava a destruir-me. Hoje orgulho-me de dizer que sou inumano, que não pertenço a homens e governos, que não tenho nada a ver com credos e princípios. Não tenho nada a ver com a máquina rangedora da humanidade: pertenço à terra! Digo-o deitado na minha almofada e sinto os cornos irromperem-me das têmperas. Vejo à minha volta todos os meus antepassados chalados, dançando à roda da cama, consolando-me, incitando-me, azorragando-me com as suas línguas de serpente, sorrindo e troçando de mim com as suas esquivas caveiras. Sou inumano! Digo-o com um sorriso louco, alucinado, e continuarei a dizê-lo nem que chova crocodilos. Atrás das minhas palavras encontram-se todas as esquivas caveiras sorridentes e trocistas, algumas mortas e sorrindo há muito tempo, outras sorrindo como atacadas de trismo, outras ainda sorrindo com a careta de um sorriso, o antegozo e o pós-gozo do que está sempre a acontecer. Mais nitidamente do que tudo o mais vejo a minha própria caveira risonha, vejo o esqueleto a dançar ao vento, serpentes saindo da língua putrefacta e as empoladas páginas de êxtase viscosas de excrementos. E junto-me ao meu lodo, ao meu excremento, à minha loucura, ao meu êxtase, ao grande circuito que flui através das cavernas subterrâneas da carne. Todo este vómito não solicitado, não desejado, bêbedo, fluirá interminavelmente através da morte dos que chegarem ao vaso inexaurível que contém a história da espécie. Lado a lado com a espécie humana existe outra espécie de seres: os inumanos, a raça dos artistas que, atraídos por impulsos conhecidos, pegam na massa sem vida da humanidade e, graças à febre e ao fermento com que a impregnam, transformam essa pasta mole em pão, e o pão em vinho, e o vinho em canção. Do adubo morto e da escória inerte geram uma canção contagiante. Vejo essa outra raça de indivíduos saqueando o Universo, virando tudo de pernas para o ar, sempre com os pés atolados em sangue e lágrimas e sempre com as mãos vazias, estendidas, a querer agarrar o que fica para além, o deus fora de alcance: chacinando tudo aquilo a que poodem chegar, a fim de acalmarem o monstro que lhes dilacera as entranhas. Quando arrancam o cabelo no esforço para compreender, para alcançar o eternamente inatíngivel; quando berram como feras enlouquecidas e dilaceram e escorneiam, quando fazem isso vejo que está certo, que não há outro caminho a seguir. Um homem que pertence a esta raça deve erguer-se no lugar mais alto com linguagem inarticulada na boca e rasgar as próprias entranhas. É certo e justo, porque tem de o fazer! E tudo quanto ficar aquém deste espectáculo assustador, tudo quanto for menos arrepiante, menos aterrador, menos louco, menos ébrio e menos contagiante não será arte. O resto é contrafacção. O resto é humano. O resto pertence à vida e à ausência de vida.
'
, páginas 248-249
''O Trópico de Câncer''
Henry Miller
Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues
Tradução de Fernanda Pinto Rodrigues
Edição Livros do Brasil
quarta-feira, 13 de março de 2019
Attention, Comte Dracula !
Uma foto tirada de uma página do face chamada de
''Merveilleuses Images''
Original !
Un kit officiel de chasse aux vampires du 19ème siècle.
Attention, Comte Dracula !
Un kit officiel de chasse aux vampires du 19ème siècle.
Attention, Comte Dracula !
😉
domingo, 10 de março de 2019
Letter to the galleries and collectors of Art Brut or Outsider
Carta aos galeristas e coleccionadores de Arte Bruta ou Outsider
ZMB nasceu em Julho de 1973 no Porto, Portugal.
Com a idade de oito ou nove anos, ao tentar desenhar e pintar um guarda-roupa para um trabalho a gouache para a escola, sentiu-se aflito por não o conseguir realizar bem. Pediu ajuda
à mãe que lhe fez um exemplo e a seguir, fez ele-próprio o seu trabalho já com confiança e aliviado do que se pode chamar de ansiedade e frustração. Hoje, ao recordar esse momento,
ele sente que a paz que sente ao pintar nasceu aí.
Com a idade de doze ou treze anos, inspirado em cadernetas de cromos de futebol com caricaturas, desenhou, a lápis e à vista em papel cavalinho, duas equipas de futebol completas.
Um dos trabalhos foi oferecido a um colega da escola, o outro perdeu-se, ele não dava muito valor ao seu trabalho porque seus pais que eram de classe média baixa lhe ensinaram que a arte gera pobres e a vida
de pintor é sofrimento.
ZMB foi um bom aluno a desenho e artes visuais no ensino secundário, mas com a idade de quinze anos, ficou fascinado com a electricidade e a electrónica e pensou que queria que
esse fosse o seu futuro: ser engenheiro, para ganhar bom dinheiro e bens materiais. Entrou aos dezoito anos num curso de Engenharia Electrónica e Telecomunicações na Universidade de Aveiro.
Até aí, ZMB era uma pessoa sem muitos amigos e experiências culturais ou de prazer, e um novo mundo surgiu: alguns novos amigos começaram a reunir-se em casa uns
dos outros para falar de livros, de música, de arte em geral, e um pouco como oposição ao meio matemático e físico do curso que estávamos a estudar. Foi assim que ZMB começou
por ser o Zombie, que colaborou em música e poesia por alturas da primeira metade da década de 90. Ou seja, começou a entrar em contradição: a ambição de tirar um curso que
o fizesse rico começou a desvanecer-se na falta de paixão e na dificuldade em estudar matérias que pareciam metafíscas, tais como os números complexos e imaginários. A sua paixão
era a arte.
Começou a desenhar mais a sério em 1995. Frequentou na associação de estudantes um curso de iniciação à pintura de dezoito horas, onde aprendeu
os materiais e como e onde comprá-los. Pintou as primeiras telas e sentiu-se extasiado. Queria ser pintor e já não engenheiro. Até aqui, sempre morara em quartos partilhados, mas no seu último
ano em Aveiro, arranjou um quarto de baixo custo numa casa velha e isto deu-lhe um estúdio de pintura, deu-lhe mundo interior, deu-lhe paredes para afixar papel e pano para pintar, deu-lhe uma namorada que lhe emprestou
a fundo perdido dinheiro para um mensalidade de um curso com a duração de um ano (uma aula semanal de três horas), em que ZMB se propunha estudar pintura para mais tarde concorrer à admissão
na faculdade de belas-artes.
Mas o mundo caiu-lhe em cima, o risco de falhar no curso de engenharia que estava a terminar, as relações difíceis com a família, amigos, professores e namoradas,
a sensação que havia dentro de si uma dualidade que o alienava, o medo de não ter futuro saudável... tudo isso o levou a uma tentativa de suicídio em 1997. Recuperou sem ser internado, deixou
namorada e curso de pintura, focou-se em finalizar o curso superior e nos intervalos ia pintando ou escrevendo o seu primeiro livro com o pseudónimo de Claudio Mur. É em 1997, que ao visitar uma exposição
do pintor Zé de Aveiro, que chega à fala com ele e fica impressionado pelo facto de se demorar tanto a observar as suas telas na parede da galeria, e ZMB diz-lhe que quer ser pintor com o dinheiro ganho pela
engenharia.
Em Outubro de 1997, aterra na Irlanda para a sua primeira experiência de trabalho oficial: multimedia trainee. Tudo mudou, os novos amigos são artistas multimédia, aprende
design com eles, impressionado com a diferença em relação a Portual vê os bares e cafés cheios de telas nas paredes, mostra o seu trabalho a um professor da escola de artes, e ele diz que
o seu trabalho é duro e imperfeito, bruto, e diz também que não é preciso entrar numa escola de arte para se ser artista. ZMB regressa a Portugal ao fim de quinze meses com o desejo de singrar como
artista multimédia, mas o mundo já não o compreende. Acaba alienado e hospitalizado pela primeira vez em 2000 no Hospital Conde Ferreira no Porto, onde lhe diagnosticaram esquizofrenia paranóide.
No fundo, ZMB já se sentia doente há muito tempo, e até acha que chamou a loucura a si, ela veio mais cedo porque ele procurou a influência de todos os poetas e
pintores romanticamente malditos. Foi por ter este sentimento que não acreditou no diagnóstico de esquizofrenia, sentia que ele próprio tinha ajudado o sistema a encarcerá-lo: entre 2000 e 2008
foi internado quatro vezes e só não foi sem-abrigo porque os seus pais nunca dele desistiram.
ZMB começou a melhorar quando aceitou que talvez fosse doente e os outros o pudessem ajudar, encontrou uma companheira que lhe deu um objectivo real na vida, baixou os consumos de haxixe,
tentou dar-se bem num emprego.
Em 2014, reformou-se por invalidez e passou a ser pintor a tempo inteiro. É com orgulho que o diz.
ZMB é um Outsider Artist sui generis, com muito de auto-didacta na técnica utilizada mas cujo conteúdo tenta exprimir a relação do seu mundo interior com
o ambiente que o rodeia, seja a obra de outros pintores, ou as referências a música e livros que vai consumindo.
Porto, 10 de Março de 2019
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Letter to the galleries and collectors of Art Brut or Outsider
ZMB was born in July 1973 at Porto, Portugal.
With the age of eight or nine, he was trying to draw and paint with gouache a work for the school: a wardrobe. He felt some affliction because he was not making it well. He asked his mother’s
help who painted an example to him and next he painted on his own the work he wanted already with confidence and relieved from anxiety and frustration. Today when he remembers this moments he recognises it as the birth moment
for the peace he feels while he is painting.
With the age of twelve or thirteen, inspired by cartoons of football players designed for kids, he drew, on sight and with pencil on sheets of ‘papel cavalinho’, two complete football
teams. One sheet was offered to a school friend and the other got lost, he never gave much value to his own works probably because his low-middle-class parents taught him that art generates the poor and that a life of painting
is suffering.
ZMB was a good student at drawing and visual arts at the secondary school but at the age of fifteen he became fascinated with electricity and electronics and thought he wanted that as his future:
to be an engineer to make good money and to buy material goods. He joined with eighteen years old the University of Aveiro, Portugal to study Electronic and Telecommunications Engineering.
Until then, ZMB was a fellow with not many friends and less cultural or pleasurable experiences, and a new world arrived: some new friends started to come together to discuss books, music and
art and a bit in opposition to the mathematical and physical world of the degree we all were studying at the university. Thus ZMB started from being Zombie who collaborated with friends in music and poetry experiences around
the first years of the nineties. That is, he entered in a contradiction: his ambition to become rich by studying engineering started to fade out in lack of passion and in his inability to study subjects who where so metaphysical
like, for example, the imaginary and complex numbers of mathematics. His passion was art.
He started to draw more seriously around 1995. He joined an eighteen hours course given by the student’s association where he learned the materials and how and where to buy them. He painted
the first little canvas and fell in ecstasy. He wanted now to be a painter and no more an engineer. Until then, he always lived in shared rooms but on his last year at Aveiro he got a low-cost room at an old house and this
gave him an atelier, gave him an inner world, gave him walls to fix paper and raw cloth on to paint new works, gave him a girlfriend who lent him money to pay the fee of a one year painting course (three hours on a week),
where ZMB proposed to study to later apply to a fine art degree.
But the world fell over him, the risk of failure on the engineering degree, the difficult relations with family, friends, teachers and girlfriends, the sensation of carrying inside his head
an alienating duality, the fear of an unhealthy future... all this led him to a suicide attempt in 1997. He recovered without being hospitalised, he broke out with his girlfriend and with the one-year painting course, he focused
on finishing his degree and at his room on part-time he was painting or writing his first book with Claudio Mur as the pen name. It’s on 1997 that he visits the painting exhibition of Zé de Aveiro who talks with
him because ZMB spent long minutes looking to his canvas at the show. ZMB tells hims he wants to be a painter supported by engineering’s money.
In October 1997, ZMB lands on Rep. of Ireland for his first official job: multimedia trainee. Everything is new, his new friends are multimedia artists, he learns design with them, he becomes
impressed with the pubs full of paintings on the walls, a scene very different from the Portugal way, he shows his work to a fine art teacher who tells him his work is rough, imperfect and raw, he also says it’s not
necessary to join fine arts schools to be an artist. ZMB returns fifteen months later to Portugal with the desire to be a multimedia artist but the world no longer understands him. He becomes alienated and hospitalised for
the first time in 2000 at Hospital Conde Ferreira, as a patient with a paranoid schizophrenia diagnosis.
Deep within, he was feeling sick already for a long time, and he even thinks he attracted madness unto him, it came sooner because he looked for it under the influence of all the romantically
‘poets maudits’. It was because of this feeling that he never believed in the medical diagnosis of schizophrenia, he felt he himself helped the system to incarcerate him: between 2000 and 2008 he was hospitalised
four times and it was only because his parents never gave up of him that he never became a homeless person.
ZMB started to become healthier when he accepted that maybe he was really a schizophrenic patient and when he started to accept help from people, he found a new girlfriend who gave him a real
objective in life, he lowered his hashish habits, he tried to be good on a job.
In 2014, he retired from the job world and receives now a disability pension by the Portuguese state. He feels proud when he now says he is a full-time painter.
ZMB is a strange Outsider Artist, he has a lot of self taught technique but his content deals and tries to express the relation between his inner world and the outside world, such as other
painter’s works, or references to music or books he reads.
Porto, March 10, 2019
sexta-feira, 8 de março de 2019
Santinha, nome de guerra
(e chave de cadeia :)
desenho a caneta bic (ball point pen) e lápis de pastel seco
tamanho A4
2019
ZMB
terça-feira, 5 de março de 2019
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