quinta-feira, 28 de julho de 2022
terça-feira, 26 de julho de 2022
A resposta ao ciúme só pode ser ma[ndar o relvas estudar]
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A resposta ao ciúme só pode ser ma[ndar o relvas estudar]
meu camará!
Bagunça o desejo numa folha de papel
Esconde-o com cuidado dentro de um saco debaixo de uma árvore
Quando tu eventualmente o esqueceres
Este bem pode tornar-se verdade.
O doido sabe-la toda
E como dizia Michaux:
«Quem esconde seu louco, morre sem voz.»
— Ola
— Quem és?
— Saara
— Olá Saara peço desculpa, não me lembro. Podes ajudar?
— Tens 10 euros k me possas adiantar bjs
— Não tenho dinheiro para dispensar a desconhecidas que não se dão a conhecer
— Obrigado na mesma és um bom rapaz xi
— Se me conheces mesmo convida-me para um café e logo verei se não és tanga
— Ok logo as 22h no bom dia
— Onde fica o bom dia?
— Praca velaskes antas
— Lá estarei. Hasta
— Liga me kando chegares
— Mandarei sms e esperarei 15min
[09h55m pmm] — Cheguei. Estou de azul
[Quatro dias de silêncio depois] — Olá kerida gostei muito do outro dia temos de combinar nova sessão bjs
[Ontem] — Ola
— Bad luck try again
— Wow…
— Dial my number
— Pussy
— Cock
[The] End Less:
O trabalho é pó preto e a cocaína é pó branco,
Diz, acusa-me por sms de eu ser um drunk cowboy junky anarco urbano depressivo,
Diz-me escrevendo: «Diz-me uma coisa: quantas gramas de tabaco fumas por dia? Responde sinceramente.»
Então eu cozinho a resposta ao longo das linhas seguintes:
Olha, sabes?
Houve uma pessoa
Que nossa senhora bendita a tenha
Credo!
Que me disse um dia:
Então mata-te!
E eu matei-me e não me parece que tenha sido por amor.
A seguir, num universo cruzado, foram precisos três lustros para o poeta,
Que santo crowley o tenha, credo!,
Dizer de mim: «mauricinho de merda»
Quando lhe recusei o charrinho de graça, chegou até a queimar em filme a obra Dedicada à mulher que segundo ele estava a dar o cu pelo tal charrinho de graça,
Olha, sabes?, descobriu o erro demasiado tarde.
Honra de ressacado da pastilha quatro vezes mais paranóico com prescrição clínica?
A única coisa que vejo são trinta anos de asfalto borrados pelo ciúme,
Ainda a certeza que dentro do hospital há mais honra do que na ostentação
De certos caracóis que deixam cair a toalha depois do batido de soja e se esquecem
Nus e ao que parece sonâmbulos depois de uma tablete de dez solidários grátis no cat.
Olha, sabes?, e vens agora tu dizer de mim à minha frente:
Lancem-no ao rio.
Duas vezes «lancem-no!» repetido.
Olha, sabes?, a hipocrisia no mundo da droga abunda.
Obrigar alguém a entrar nas guerras que não escolheu é de facto complicado de gerir.
Certas pessoas são verdadeiramente sujas, sabes?
Olha, sabes?, saber que não sou santo e que um dia a minha hora chegará…
É o que me faz escrever este epigrama e esquecer-te no sono
E amanhã acordar com o ritmo da música do Xano no despertador do telemóvel
E com alegria despertar e mandar à merda por sms o gajo que
Com duas universidades no currículo diz não saber enviar um anexo de email [olha sabes?,
Tivesse ele apresentado como experiência válida de vida a sua gestão do folclore!]:
— Sinceramente, palhaço, perguntas-me pelo meu consumo ilícito e diário? Atão, aqui vai:
«70 gramas de tabaco west
Dois sabões de ganza um bidão de erva jamaicana
Meio quilo de cavalo e um de branca
E para finalizar um taparuere de 40 cogumelos mexicanos com massa refogada,
Tudo terminando em duas doses de café de saco cinco estrelas.
Precisas de mais alguma informação? Em que te posso ser útil? A minha memória. Send.»
Xana, escrevo para te dizer que guardo o teu quadro, guardo tua oferta
Sem cuidado é certo, mas sem a ter posto no contentor.
E quanto a ti Ó-tario, dir-te-ei beijinhos se me perguntares onde está a tua mulher,
Dir-te-ei que talvez tenhas de fazer como o poeta e
Pôr uma trela na mulher em quem tu não pareces querer carregar,
Beijinhos, deves pensar que eu sou como uma gaja que entra na cozinha e suspira
E te perdoa a merda que lhe fazes e um filho cresce na seringa e nos copos bebidos
Por não terem mil e quinhentos euros para a conta investimento reforma,
Beijinhos é o que te deseja o ninguém que a tua mulher insiste em desejar elogiar,
E ainda me chamam às vezes de tanso. O pouco que sei é verdadeiro.
Na minha terra diz-se : «Vai-te fazer ao futre, peçam-lhe um subsídio para o esquema.»
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Claudio Mur
sábado, 23 de julho de 2022
Desde que a erva cresça, o vento sopre e o céu seja azul
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Desde que a erva cresça, o vento sopre e o céu seja azul
«Olá,
como estás?
Apetece-te falar, partilhar, dizer algo, algo que me diga que estás viva
e bem…
Eu estou mais ou menos como sempre, tu sabes
espero que ainda saibas: alone but not alone alone with Sanea Vallis in our head
as usual
metastizando hemorragias
fazendo coisas para vos oferecer
esperneando às vezes por não ter paciência para esperar que aturem o
meu modo de tentar Ser
diz algo vá lá
e lembra-te que és ou foste uma Mulher Muito Importante para mim
diz algo, comunica
não deixes que eu te esqueça
não sei que mais dizer: malmequeres, talvez?
SEND» para a pessoa errada.
G is the hairy queen of all us four,
I only have good memories of her,
the others pretend to forget this or that.
Afastei o meu passado e o meu passado afastou-me, uma vez por outra lembro-me de
saudar a Saudade e ela ou ele recusa voltar ao diálogo. Não tenho valor de mercado.
O instinto de sobrevivência leva-me à conclusão:
«não preciso mais de palhaços travestidos de curiosidade
ou de meninas artistas e senhoras com lágrimas de cristal.»
Estas foram as últimas linhas verdadeiras, a sinceridade de tudo o resto,
desenhada a partir de notas dispersas e cartas-bomba ao passado nas quais às vezes
pus um selo,
revelar-se-á menos ou mais verdadeira ou mais ou menos errada.
Porque a verdade é o erro mais expediente, como diz Vaihinger.
Porque estupidez não é sinónimo de loucura e apenas um maior ou menor grau.
Porque a loucura está para lá do género sexual.
Porque de tanto negar a mentira ela se torna verdade.
Dedico estes contos de fadas e tresvarias autopsicográficas ao poeta criminal rehabilitado, louco não assumido, estúpido pedante, doente como eu, ele chama-se:
Mauricelho da Sogra.
«Quem quiser que faça dele uma bandeira» tchouk tchouk.
Porque no fundo sei que mais vale pintar a catástrofe do que explicá-la em palavras.
A erva não cresce, o vento não sopra e o céu não é azul.
