terça-feira, 30 de agosto de 2016

Loucamente

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Loucamente
Somente disparo a partir do céu
Não me peças dedicação
Não me peças amor
Nada posso dar
Apenas a paixão

Ó tu, rainha inexistente, mulher invisível, esfinge grega
Advogada do inferno.
«Inferno, o inferno de um lírico.»
Onde estás? Advogada do diabo
Fazes-me falta.

Dormirei contigo quando ambos o desejarmos
Abraçar-te-ei suavemente quando dissermos adeus
Porque não és a única que desejo
Mas uma das poucas.
Suavemente
Loucamente, ao abandono eu somente disparo a partir do céu.

O desejo terminar-se-á na mortal
Na mortal e nocturna gradação de sombra.
[O desejo] queimar-se-á na escura sombra da noite
Noite que começa, que
Chega lenta e ansiosa.
Eu ansioso por hoje não te ver.
Porque hoje não tenho o prazer de te
Ver aqui comigo.
Vermos o brilho das estrelas, contarmos as estrelas
Contar histórias, histórias que abraçam e encantam.
Cantar refrões de amor e ódio porque
Cantar refrões de desespero apenas porque
Não podemos estar juntos e Ser este momento em que
Estou fechado sobre mim próprio e fora do mundo lá fora.
Então eu somente disparo a partir deste céu loucamente
Fechando-me em copas de silêncio quando penso na tua mão calma
Sonhando ao longo do corredor sonhos teus
Falando contigo em sonhos
Tornando louco como quando a Kim Gordon canta
Desapertando-te o vestido
Volta após volta
Até que o mundo se torne nada mais
Ou até que o mundo se volte e se movimente
Numa parte afastada da mente
Para um pequeno ponto no horizonte
Para um círculo de mania: lamber e sugar
Até que a carne viva arda
Quando o meu coração se abala e pergunta:
«-- Quererás ainda assim ser minha?
Eu brilharei por nós.»

Loucamente…
Eu somente disparo a partir do céu e ouço baterias metálicas
e infernos a tremer
Loucamente
Eu somente disparo a partir de lágrimas de estrelas rosadas no céu
e ouço baterias metálicas e sinos a tremer

por ti
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Claudio Mur

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