quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Skeletal Famine



"Skeletal Famine"
lápis de grafite, caneta preta e tinta acrílica sobre papel
45,5cm por 37cm (com moldura)
2015
ZMB

Do mesmo caderno que contém o 'Kalashnikov Flute' 
apresento-vos este trabalho terminado há poucos dias.
Este foi começado em 2002, eu estava a ler um livro 
sobre a história e mitos da alquimia e tive uma imagem mental
muito vívida que resolvi ilustrar com um desenho 
-- rascunho para um futuro quadro em tela ---
o mito que estava a ler.
Não me recordo agora com exactidão e 
teria que passar uma semana a reler o livro para encontrar o pormenor,
mas pensemos nesta narrativa:
"No dia em que o sol e a lua se unir lado-a-lado no céu
e quando a um homem (Sísifo talvez) é-lhe eternamente devorado o fígado por um abutre
ou um doente é operado por um médico usando a máscara da peste,
aparecerá um herói ou alquimista ou Sísifo (ele-próprio) que
conseguirá quebrar a maldição do eterno retorno 
simbolizado pelo fígado
eternamente regenerado eternamente consumido.
A revolução em suma."

O título deste trabalho é retirado duma frase de Peter J. Carroll:

"Contrast cordon bleu gluttony and skeletal famine"

Adenda 13 de Setembro 2015:
sempre confundi o mito de Sísifo com o de Prometeu
mas é a Prometeu que é comido o fígado:

(fotografia de época)


Kalashnikov Flute


'Kalashnikov flute'
lápis de grafite, caneta preta e pastel de óleo sobre papel
37cm por 45,5cm (com moldura)
2013
ZMB

Este trabalho está num caderno comprado em 1998 na Irlanda.
Não sei recordar ao certo em que período comecei este desenho em particular.
Sei que em 2013 o terminei quando comecei a expôr na rua.


(fotografia de época)



Desenhei-a sentada num banco


'Desenhei-a sentada num banco'
Pastel de óleo e caneta sobre papel
42cm por 37cm (com moldura)
2013
ZMB

Este ano de 2018 substituí a moldura e dei-lhe uma margem de cartão.

(fotografia de época)


'
Em aflição de hipertexto e cliques na open word online, se eu te quiser ven­der este poema como meio de tu mesmo me justificares e o leres como uma súplica de carinho, orgasmo e intoxicação… e se tu aceitares esse valor com confiança… eu serei hoje salvo e nuit aujourd’hui insónia nenhuma assassi­nará o meu id e o sono será refrescante, não haverá sonhos em que a súcuba me trinchará o sexo nem verei meu rebento filho dormindo sobre seu avô, três gerações de mortos, adoradores de kali, yantras for you I will deliver in a minute sleep mais tarde credo, em noites de facas longas tendo-te como sócia, beijo?
'

página 99
"Contos de fadas de Manuelle Biezon"
Claudio Mur
https://archive.org/details/zmb_mur_FairyTalesByManuelleBiezon

sexta-feira, 12 de outubro de 2018

Unity is not taught in school

Going back to these origins
The city is a natural scape
order in the details
Confusion uproar in the whole
In nature reality is selection
the tool of critical intervention
Fragmentation is the rule
Unity is not taught in school
You are an unnatural growth
On a funny sunny street
The city has forgotten you
It's symbols of the past
The meaning of its state
It's order of decay
Stand now in a column
And make the nature scene
Standing now in columns
making the nature scene
making the nature scene
waiting to make their pay
There is no resistance to
the signs along the way
standing all in columns
waiting to make their pay
making the nature scene
Waiting for the day
There is no resistance to
There is no resistance to
Salvation means to count on you
It just


segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Wilhelm Reich alone



Transcript by Mikhail Bakhtunin: It is April 3rd, 1952, at Orgonon, Rangeley, Maine. I, Wilhelm Reich, am sitting alone in the large room in the lower house. All people are gone. In the morning and the whole day yesterday, a meeting took place of the members of the board of trustees of the foundation which carries my name. Everybody is gone now and I would like to add a few words to the recording we made yesterday and today of the disaster which struck Orgonon. There's nobody here to listen to what I am saying. The recording apparatus is the only witness. I hope that someone will at some time in the future listen to this recording with great respect, respect for the courage that was necessary to sustain the research work in orgone energy and life energy all through these years. I shall not go into the great strain, into the details, into the worries, the sleepless nights, the tears, the expenditures of money and effort, the patience which I had to have with all my workers and with all my students. I would like only to mention the fact that there is nobody around, there is not a single soul either here at Orgonon or down in New York who would fully and really from the bottom of his existence understand what I'm doing, and be with me in what I'm doing. They are all very good people. They are decent, honest hard working. I trust them. They are very good friends. All of them - or most of them. But, this does not alter the fact that they all, without any exception, are against, I say, are against what I am doing. Every single one of them spites me, interferes with my effort, crosses it out, blunts out, flattens out, this one thing or another thing, whatever it may be, to diminish my effort - no, to diminish the effects of my effort. To block out the sharpness and acuity of my thoughts. To reduce to rubble and nothing - or nothingness what I have elaborated and about now thirty - thirty three or thirty four years of systematic thinking and in about forty years of human suffering, since about 1912, or rather 1910 when my mother died. There is not a single soul around who would fully understand or would not say "no" to it all. This "no" is identical with: I don't want it, I don't like it, I loathe it, why is it here?, why does he have to exist?, why does he - why doesn't he sit down and take it easy?, why did he have to start this ORANUR (nuclear radiation) experiment which gives us so much trouble? They see only the trouble. They don't see or they don't want to realize what it means for medicine, biology and science in general, as well as philosophy, to have this ORANUR going. To them it is mostly a bother, an inducer of sickness, suffering and at times I have the distinct feeling that they believe or they do not quite dare to admit their own thoughts, that I may have gone hayward. This reaction of my closest friends and coworkers to the situation here is exactly the same that has harassed the human race for as much as we can say, 8.000 or 10.000 years, since patriarchy has ruled its destinies and since natural love was extinguished in the newborn infants. I shall not go into that. It is all written up in my publications. Whoever knows these publications also knows what that means. The discovery of the life energy would have been accomplished long ago, had this "I don't want it, I fear it, I loathe it, I'll kill it, I'll flatten it out, I won't let it exis- live, or exist". If that had not been in their structures, not in their desires, not in their positive conscious wishes. They're all descent and good people. No it is in the structure. It is somehow in their tissues, in their blood. They cannot tolerate anything that has to do with orgone energy, or life energy, or what they call God, or what is their deepest longing for love fulfillment. They cannot tolerate it and they fear it. They fear it by way of structure. Their tissues, their blood cannot stretch out, cannot take it, evades it - avoids it and loathes it. I do not say all this to depreciate their efforts, their honour, their loves, their lives. I say it because it is true, because it turns up in every single move, in every single word, in every single opinion, in every single paper, in every single thing they did to a- to whatever ever had to do with discovery - the discovery of genitality, life, love, such people as Laurence/Lawrence, or such philosophies as Giordano Bruno's or such great lives as Jesus Christ, ensoforth, ensoforth. It is a sad, lonely chapter of the human race. I don't feel that I am obligated to solve this riddle, to do anything about it. I happened to discover the life energy. I happened to induce the ORANUR experiment. I know what it means for the future development of medicine and biology, philosophy and natural science and in this awareness I am completely alone. There is no soul far and wide to talk to, to give one's feelings - to let one's feelings go freely, to speak like - as friends speak to each other. This is all.

Sou dissidente

Poucas pessoas poderão falar com conhecimento de causa do estado actual do meu carácter moral e ético. Estas poucas pessoas serão o dono da galeria com a qual tenho algum contacto, a minha amiga brasileira que me conhece há dois anos, os meus actuais vizinhos. Estas mais até que a minha própria família, que sabem só o que lhes conto e, claro, sabem tudo sobre o meu passado. Família não é só a que gera mas também aquela que cuida, aquela que acompanha o nosso dia-a-dia. Outra pessoa que poderá ter um conhecimento sobre mim, mas mais técnico, será a minha psiquiatra.
Sobre o meu passado, além da minha família que sabe tudo, saberão factos aquelas pessoas que comigo se cruzaram e falaram ou conheceram, falo de amigos e colegas, amigas e mais-que-amigas, ou até inimigos ou inimigas saberão pormenores. O certo é que estas possíveis pessoas estão algures no mundo, a maior parte delas não quer saber de mim ou simplesmente perdeu o interesse. O meu contacto com elas é nulo há anos, quase décadas em alguns casos. 
Além de todas estas pessoas, poderá qualquer pessoa «saber coisas» sobre mim lendo o que publico aqui neste blogue e já me aconteceu ouvir na minha presença terceiros a comentar modos-de-ser, comentários baseados em impressões recebidas por conversa directa misturada com ideia lida. Por isso, penso que isso poderá acontecer com qualquer pessoa que me leia, ou seja, essa pessoa adquire uma impressão do meu ser, do meu carácter, dos meus actos à medida que me lê. Posso dar um exemplo: começaram a passar a ideia de que eu pensava que andava na rua e ninguém me via, que eu me afirmava como zombie e invisível. ora eu deixei esta ideia correr várias alturas quanto mais não fosse para ver o seu efeito no ouvinte. Mas houve um dia em que disse «não, essa é uma ideia escrita, é ficção, é literatura, e na realidade é o contrário e o reflexo, um sintoma da minha doença, algo que agora acontece pouco: eu ando na rua e parece que toda a gente sabe quem eu sou, portanto não sou invisível sou quase figura pública!, é o que se chama de paranóia, de mania da perseguição». A verdade é que a pessoa ouviu o que lhe disse e compreendeu o meu ser.
Escrevo tudo isto porque sei que, embora não querendo ser polémico, escrevo sobre assuntos polémicos e que dão uma luz a situações, às vezes, alegremente loucas, outras vezes, quase criminosas ou vergonhosas. 
Ninguém me pede e ninguém me obriga a escrever esta e outras prosas, eu escrevo-a como um espaço de liberdade pessoal, escrevo porque tenho uma finalidade no que escrevo que é a de organizar o meu ser, reunir as várias partes, os pequenos fragmentos mentais, as lembranças que me surgem do passado quando no dia-a-dia uma notícia mediática rebenta e eu, ao ouví-la e ao reflectir sobre ela, faço aquela pergunta a mim próprio «e então tu, se fosses tu? como seria?, que tens tu de moralmente superior, não tens tu próprio coisas a dizer sobre um qualquer caso?», 
É por isso que escrevo, para libertar a minha consciência id, o ser animal e bruto que leva porrada do super-ego que com ele cohabita. Eu sou o meu próprio crítico, eu destruo-me a mim próprio, eu faço colapsar o edifício da minha mente para que das ruínas do caos algo de bom surja, isto não é só poesia musical, é também psicologia aplicada, eu aplico a mim próprio os ensinamentos que ganhei da leitura de Character Analysis de Reich, comparei-me com todos esses tipos de carácter, descobri-me algum dia fálico-agressivo, outros dias passivo-feminino, outras vezes masoquista, descobri-me um ser profundamente não-saudável e descobri que Reich conseguiu através do orgone tornar uma esquizofrénica numa neurótica, ele Reich que tinha apenas respeito pelo desconhecido da esquizofrenia conseguiu de algum modo «tratar» esta patologia, aliás bem ao contrário de Freud que tem ódio puro e duro. Deleuze parece-me paternalista de mais embora seja fundamental lê-lo. E eu pergunto-me, porque reprimiram Wilhelm Reich e o seu trabalho e o deixaram morrer na prisão?, porque é que devido ao Macarthismo e à caça-às-bruxas o transformaram num ser destruído? 
Tudo isto para dizer simplesmente uma coisa, que embora o que eu escreva tenha sempre um fundo de verdade, é sempre uma ficção, boa ou má ficção. Não a escrevo para levantar polémicas até porque o alcance é diminuto e pouca gente comigo interage, escrevo para que eu possa estruturar-me, sentir que expressei uma ideia, uma opinião com validade útil: Dizer às vezes onde errámos e ao repetí-lo no papel, essas palavras entrarem dentro da minha consciência e tornarem-se fé e esperança de no futuro tal não se repetir, o mal não se voltar a repetir.
É preciso dizer também que não posso garantir que ninguém se vai ofender com as minhas palavras, eu assumo a minha incapacidade para ser universal, eu posso querer ser gostado por muita gente mas não o gostaria que o fosse por todos, não sou candidato a líder de Coisa Nenhuma, quero apenas que me compreendam, que comuniquem comigo, que entendam que o passado só se repete em nuances se não houver responsabilidade de parte a parte, os espelhos servem para todas aquelas pessoas que queiram avaliar a sua beleza, este texto como outros é um espelho do que sinto agora que o escrevo,  mais verdadeiro quanto a minha memória pode ser, tento ser não-paternalista comigo próprio, digo a merda que tenho a dizer, a confissão que for, não me escondo nem escondo a realidade, não tenho medo.
Não ter medo não significa ser inimputável e ser irresponsável. Fui quatro vezes internado e duas vezes julgado em tribunal mental, estive sujeito a medidas repressivas como uma injecção intra-muscular na nádega, hoje estou só com um comprimido de olanzapina 5mg e outro de risperidona 3mg por dia, a minha psiquiatra ausculta-me o máximo três vezes por ano, até ela se calhar duvida que eu seja agora um doente, eu sei que sou doente e quando  admiti comecei a melhorar, mas uma médica não muda o diagnóstico mental elaborado por outro médico, o primeiro médico. O que a minha psiquiatra diz é que eu estou estabilizado, devidamente compensado.
Agora integrado na sociedade talvez não esteja, porque há mulheres bonitas que eu conheço e que fogem de mim no supermercado. Talvez não seja bonito, talvez lhes tenha feito mal por palavras e talvez estas não inspirem confiança, talvez tenham medo de mim. «Olha, é o karma!», poderão afirmar os paladinos sentindo que se vai fazendo justiça. E eu aceito a opinião, não estou contra ela, preferia ser reconhecido pelas minhas zonas de claridade mas não posso ignorar que tenho zonas de sombra.
Reich transformou uma esquizofrénica numa neurótica, transformou um ser extra-terrestre numa pessoa adaptada ao mundo, o nosso mundo é neurótico ou louco de qualquer modo, a começar pelas chefias e pelo povo que as elege. Eu sigo o meu caminho, estou marcado pelo mundo, quis estar fora dele e ser fora-da-lei, assumi-o como bandeira e fui tudo isso, foi o id montar a barricada e o super-psiquiatra amansou-o, o grande irmão só nunca conseguirá que eu o ame ou que volte a comprar uma televisão e serviço de tv cabo, sou dissidente a todas as leis e foras-da-lei.

Adenda: Se fosse brasileiro votaria Haddad, se fosse americano votaria Sanders, em Portugal voto numa geringonça reavaliada, não confundam alguma ideia radical minha e a associem a acções de extrema-direita, não voto em pessoas que reprimem a cor, o sexo e o género, a idade (apesar de recriminar a pedofilia), sou contra toda a violência, sou até contra certos aspectos da minha própria personalidade, tento não ser mais o que fui alguns dias. Tento apenas ser alguém melhor todos os dias, alguém que tem direito a expressar a sua voz.