sábado, 17 de agosto de 2019

Amadeo on the Beat


'Amadeo on the Beat'
óleo sobre tela
70cm por 100cm
2019
ZMB
a partir da obra de
Amadeo de Sousa Cardoso


sexta-feira, 16 de agosto de 2019

Felicidade relativa


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Felicidade relativa

Atingí um grau de felicidade relativa razoável, o que, numa sociedade onde ninguém está bem, não é nada mau. Sendo pobre financeiramente, embora nada complexado perante a riqueza do mundo, levanto-me todos os dias por volta das cinco da manhã, agora, e vou até a uma confeitaria de pão quente onde trabalho até às nove e meia. Hoje, Domingo, saí de lá por volta das onze e sou muito mal pago, mas em nome da amizade que me liga ao sr. Santos, fecho os olhos. Sigo depois para a Metadona e para o Espaço T onde trabalho nos meus livros até às 12h30m. À tarde, por vezes, a minha namorada aparece e, na tarde ou à noite, o amor acontece. Quando não é o amor é a escrita, o Espaço T ou a Leitura que preenchem a minha vida, para escrever o que o meu querido ou querida leitor(a) merece.
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1999
J. Alberto Allen Vidal
em
'Contos de Deus e da Cidade, Vol. 1'
edição de autor

(em preparação para edição em Setembro 2019)

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Kill your Idols: The Saramago Affair

No meu ensino secundário foi um aluno da área B, ou seja, de ciências e no 12º ano nem Português tive, apenas Matemática, Física e Geometria Descritiva. Os meus pais não liam muito mas encomendavam livros a partir das Selecções e do Círculo de Leitores. Foi assim que não sei como caíram lá em casa obras como A Laranja Mecânica, A Servidão Humana do Maugham que jurei nunca ler por causa do título, com dezassete anos não queria ler coisas tristes. Queria e li livros como O Corpo em que contava a história de uma arqueóloga judia numa descoberta de umas ruínas ou do sudário de cristo, já não me lembro, mas lembro-me de me ter provocado excitação sexual, esse e o Konsalik eram obras que tinham sexo e amor. Livros talvez fúteis para um adulto de quase cinquenta anos mas muito importantes na definição e acção emocional e sexual de um adolescente.
Eram os poucos livros que me interessavam na biblioteca dos meus pais, havia outros que já surripiei mais tarde, mas eu lia pouco. Esse foi o ano da PGA, em que os estudantes tiveram de fazer uma prova de Português para entrar em qualquer universidade, uma prova que tinha um peso enorme na classificação final do acesso ao ensino superior.
Os meus pais e eu ficámos preocupados, eu lia pouco, até tinha sido aluno médio a Português no 11º ano mas lia pouco, começámos a comprar o Expresso ao Sábado por causa da revista que tinha artigos contemporâneos. No fundo, para me dar cultura geral e conhecer o ensaio, o poema, a crónica, as variadas formas e também poder formar opiniões e escrevê-las correctamente. Tive também umas aulas num centro de estudos privado onde se praticava aquilo que se chamava as composições, (SPOILER ALERT: é para rir aqui :) lembro-me de ter escrito uma composição bucólica sobre o prazer no campo e o professor dizer «oxalá consiga».
Não sei já que nota tirei mas consegui entrar no curso que escolhi na cidade que quis.
Foi nestas leituras de revista que ouvi falar de Saramago, na altura falava-se que O memorial do convento ia ser traduzido para inglês, até me recordo do título da tradução que lhe davam Baltazar e Blimunda. Foi um livro que comprei mais tarde numa daquelas edições de trezentos escudos e capa dura, mas nunca li.
A minha atitude e de quem me rodeava era como o Kill Yr. Idols dos Sonic Youth, não queríamos saber dos grandes, não queríamos saber se o Saramago e o Eugénio de Andrade vinham conferenciar no auditório da universidade, a gente ignorava: eu nunca sequer tinha lido Saramago, outros talvez por razões ideológicas, não queríamos saber a polémica das cartas de amor do Manuel Alegre: eu queria lá saber dos amores de um político, alguns colegas diziam «não! estás errado, é históricamente importante», a gente sabia quem o público considerava grande mas nós não queríamos saber deles, nem sequer ídolos, eram apenas estátuas e já não pessoas, nem sequer se punha a hipótese de pensarmos se gostaríamos de com eles trocar palavras, isso não era connosco, muito menos comigo. Houve uma vez que o Michael Gira veio dar uma sessão de prosa ao Carlos Alberto, eu fui ver, gostei, havia uma banca com livros e cds dele, e eu comprei um livro de prosa dele, disseram-me que se quisesse esperar pelo autógrafo ele estava quase a chegar. Mas eu não esperei eu quase fugi, não quis saber.
Esta era a minha atitude. O Saramago não me interessava, até que um dia li O Homem Duplicado e As intermitências da morte. E fiquei pasmado, surpreso, como foi possível eu ter ignorado o Saramago?!
(Já o poeta Giuliani diz «ai o que ele diz de jesus no evangelho, não se faz...»
Quanto ao meu primo Ximenes, ele discorda do Giu e a sós diz-me que é um grande livro, ainda não li.)




terça-feira, 13 de agosto de 2019

Ficarão as obras, a vida absurda será esquecida

Tirando o bom-dia ao sr. da mercearia, que fumava à porta do seu estabelecimento. quando por ele passei a caminho do meu pequeno-almoço, tirando o bom-dia à dona Ana e o pedido habitual da nata e do café, poucas palavras tenho trocado com o mundo. Dou-me até ao luxo de não estar presente na galeria na tarde de abertura da exposição colectiva onde participo. As últimas palavras que escrevo são por mensagem desculpando-me dizendo que me sinto doente e sem vontade de aparecer em público sorridente, pergunto como correu a abertura. O galerista saúda-me e diz que se vendeu um quadro meu para um casal de Paris. Fico um pouco melhor. Respondo um dia depois dizendo que o novo quadro já está pronto e pergunto quando posso ir lá levá-lo. O galerista diz que assim que o seu carro sair da oficina mo vem buscar a casa, diz-me para eu me pôr bom e pergunta-me o que tenho afinal.
Eu respondo:
«
miséria existencial

falta de pessoas com quem seja agradavel estar, solidão enfim

mas lá vou pintando um pouco

já muito fiz eu e com 4 internamentos no cv ando a superar-me há muito e com esforço, quase que pareço um rico que nunca sofreu um desgosto, um normal que nunca sentiu falta de nada, e no entanto nem agrado ao rico nem agrado ao pobre. mas o homem some-se e a obra fica, eu serei sempre o mau, talvez as obras façam alegria a quem as compra
»

tudo isto para dizer que a minha amiga especial desapareceu na sua nova vida, da qual eu desisti de fazer parte
tudo isto para dizer que me chateei de vez com o poeta Giuliani e o meu primo Ximenes e com a Comunidade do Além, a partir de agora só tenho estes mesmos vizinhos dos quais desisti. E não vou mais ficcionar as suas histórias quando estas interagem comigo, eu só falo dos outros quando algo de positivo posso deles tirar, não vou relatar as suas vidas tristes. 
Mas só para terminar de vez, escrevo:
Cansei-me das suas queixinhas eternamente repetidas e saltou-me a tampa, mandei-os para o caralho, eles têm inveja do que eu tenho, continuam a chamar-me de rico quando eu, se não tiver um mês excepcional com a venda de um quadro, tenho o mesmo dinheiro que eles. E se vivo em alojamento minimamente digno, pago esta renda com o subsídio da minha mãe. Eles não pagam renda, vivem em alojamento miserável, mas não tenho culpa que não saibam gerir a sua reforma, não tenho culpa que vivam do fiado e que, ao dia 8 do mês quando cai a prestação no banco, fiquem logo depenados. 
Não tenho de levar com indirectas por viver minimamente bem, tentando partilhar com eles o que tenho, quando eles não o têm porque não se preocupam em fazer por isso, andam sempre «ao tio ao tio», para mim deixou de haver Giuliani poeta para haver apenas Júlio pedinte, só não o mando ir trabalhar porque, se o faço, ele desfaz-se como um menino de seis anos a chorar. Para o aturar, é preciso ser hipócrita insensível católico protestante testemunha de jeová, que se foda a carcaça do antigo regime que quer que o rei regresse e pede a deus que lhe traga o nobel! 
O que me fode é ver as pessoas iludidas mas acompanhadas, eu que aprendi a me desiludir não tenho um único par com quem falar, uma companhia com quem me sinta bem. estou só e por isso sinto-me doente, à espera que a morte chegue um dia mas sem fazer o mínimo esforço para que ela chegue.
Ficarão as obras, a vida absurda será esquecida.

sábado, 10 de agosto de 2019

Misantropia para afastar nabos, the real thing



The only real thing's misery
Submission means you get murdered
You get revenge when you wait for it
Frustrated means you're insane
He's a dead thing under the sheet
Causing pain
Sex turns impotence into decay
Unconscious repression degrades the real thing
Causing pain, causing pain
You can't kill a criminal need
When you're polluted with fear you need comfort
You can't kill what you can't see
You cant' think what you don't own
You can't rub out what you don't recognize
You don't get what you really deserve
You can't fight if you don't feel it
Obedience pays if you use it right
When you eat your pain you keep your nerves
You degrade yourself when you hide your fear
Use it right
Or don't feel it
Use it right or don't feel it

quinta-feira, 8 de agosto de 2019