segunda-feira, 24 de julho de 2017

Dies Irae by Gonzo



https://www.discogs.com/Gonzo-Dies-Irae/release/8579997

beware of false prophets
which come to you in sheep's clothing
but inward they are ravening wolves
you shall know them by their fruits
beware of Andre Ventura the crook

sexta-feira, 21 de julho de 2017

R. Butterfly


'R. Butterfly'
óleo sobre tela
54cm por 81cm
2002 - 2017
ZMB

Este quadro foi inspirado numa fotografia que tirei a partir da tv ao filme
M. Butterfly de David Cronenberg.
As borboletas foram pintadas segundo esta foto: 



(fotografia de época com sombras de árvore)


terça-feira, 18 de julho de 2017

Uma imagem de #MyMentalPrison

Uma vez escrevi que não queria uma bengala
e portanto neguei
faltou formular o lado positivo
esta imagem fá-lo por mim
por isso a reproduzo


~The Outsider #MyMentalPrison

Segundo moks ao acordar

'
Ao fundo ouve-se um leve murmúrio. Vindo por uma porta interior da memória e aproximando-se cada vez mais, assemelha-se à buzina de um comboio antigo. R. dorme, tem a sensação que alguém, uma entidade dentro do seu sonho dentro da sua memória, lhe quer chegar perto. R. caminha com um
machado nas mãos. Trata-se de uma situação instável. Está preso por correntes invisíveis ao tronco de uma árvore ao fundo de um rio de carris incandescentes. Essa entidade swingante subindo pela espinha até ao cérebro aponta-lhe o dedo e sussurra-lhe, é tudo fictício, encenaste tudo, é tudo mentira, encenaste tudo. Quando parece ir tocar o seu corpo e cortar o que resta da raiz, tudo fica claro e R. acorda com a voz swingante de Ka-Spel dentro da sua cabeça dizendo: I'll keep you alive.

Nove horas da manhã. O despertador dispara / martela insistentemente junto dos seus ouvidos. 
Apetece-me atirar este objecto obsceno contra as paredes mas não posso fazer isso porque depois precisava de ir às compras.
Então acalma-se e vira-se para o outro lado aconchegando os lençóis.
Nunca durmo o suficiente, sempre menos que seis horas. Todos os dias ligo o rádio, ouço o mundo, é fundamental saber que os chineses estão em paz com toda a gente excepto com o Tibete, que o aborto foi finalmente legalizado, é bom saber que a dona Maria compra as hortaliças no hipermercado só porque lá as coisas são mais baratas que na loja do sr. J.
A manhã é fundamental. Tem cinquenta e um anos e hoje quebra a rotina, decide ignorar os conselhos do médico tais como se você não consegue passar sem o vício de fumar ao menos que fume lights. Hoje com alegria, estende a mão até à mesinha de cabeceira, retira de lá um amarrotado tabaco português, o velho Águia tabaco dos velhos e enrola um cigarro enquanto observa o trabalho de ontem.
Preciso de trabalhar melhor aquela luz, aquele vermelho não é irreal. Nada pode ser real.
Se esta manhã fosse igual a tantas outras ter-se-ia levantado e dirigido à palete de modo a encontrar a cor mas não. Hoje sente-se feliz de modo diferente. Hoje não se levanta. Aliás, se tivesse menos trinta anos talvez tivesse com o cérebro colado pelo segundo moks sem água ao abrir os olhos. Os seus olhos. Os olhos de R..
Hoje sou livre de ouvir o silêncio apenas interrompido pelos pássaros, sou livre de ver o tecto absolutamente branco, branco de estrelas e sorrir e sonhar, sonhar nele uma quantidade enorme de vidas dispersas.

São aproximadamente três horas da manhã. Deixei o Arménia em plena paz. A chuva continua a cair miudinha e os poucos candeeiros intactos reflectem-se nas poças de água existentes no passeio. Sei que estou sem rumo definido mas estou cansado, vou-me sentar num banco do jardim. Vou enrolar um cigarro. Tenho no entanto a sensação de que alguém me espia, alguém que poderão ser muitos, três mil pessoas a apontar o dedo. É melhor ter cuidado.
R. deita-se ao comprido enrolando-se na sua longa camisola cinzenta. Quando em estado de sonolência o sino começa a tocar a Sexta sinfonia Segundo movimento de Glenn Branca. Quando adormece entra num cenário artificial. Está num leito de madeira usando uma camisa fina, branca com folhas, e umas calças pretas de flanela. Está descalço. Numa fracção de segundo, uma pequena luz branca toca-lhe nas virilhas mas logo se esvai para longe. Então R. acorda sobressaltado olhando para todos os lados, para as seis barreiras que o separam do espaço real. Nem uma só janela. Ao longe nos cantos dessas barreiras minúsculas fosforenciais, formas que sugerem pirilampos começam a luzir. Ao principio inofensivas, depois começam a agitar-se. Alongam as suas espadas de laser em várias direcções mas sempre aproximando-se, os tentáculos chegando perto. Não sabe o que fazer. Nem uma só janela. Uma luz verde atinge-o no ombro, é sua cor favorita, a marca fica registada, torna-se o símbolo de uma primeira acção. Um olho verde. Um risco verde confunde-se com a cor branca da camisola que transparece a cor vermelha do seu corpo. Uma voz de igreja diz-lhe: eu perdoo-te R., eu perdoo-te, eis a minha bênção. Não sabe o que fazer. Sente calores frios pelas costas abaixo. Nem uma só janela. Agora é a sério. As luzes lançam-se de frente para ele e sem lhe tocar vão-lhe tirando as medidas exactas, esquadrinhando ângulos, amplitudes. Já não está deitado, sentou-se na borda do leito de madeira. Puxa de um cigarro mas uma luz vermelha tira-lho da boca. Compreende então que está perdido. Nem uma só janela. Repara que do seu lado direito, um fusil de Napoleão espera que ele lhe toque com carinho. Os calores frios então invertem o sentido da sua marcha, encontrando-se agora ao nível do pescoço. Dentro de breves momentos estarão já a subir pelas faces albinas em direcção às poucas madeixas que ainda possui. Surgem então os tambores. Vem do lado daqueles poderosos lasers. Começa a limpar o fusil. Repara que só tem um cartuxo, tem ainda para o caso de precisar a baioneta Just-in-case. A luzes continuam a fazer-se notar em movimentos tipo hit and run. Faz tenção de colocar o velho fusil no ombro direito e olhar pela mira telescópica uma rua calcetada ao fim da tarde e/ou a fachada de uma casa de pedra. Desce a rua sempre com os olhos na mira, apontando às luzes que continuam a surgir. Pára numa fonte. Do outro lado a casa acabou e tu e/ou ele pode ver uma cerejeira com pequenos gémeos idênticos, idênticos e violeta e púrpura, um menino e uma menina. Então uma luz surge uma vez mais, uma luz púrpura e ele não resiste mais. Foca o alvo e bang... um pequeno melro cai em espiral a seus pés junto aos cantos da fonte. Continua a olhar pela mira e vê esse melro transformar-se num gato bebé com um pequeno ponto cruz no seu peito, o ponto de mira eu verifico. Quando a ferida sara, levanta-se e então ronronando vai deitar-se a seus pés pedindo alimento enquanto R. olha de pé o fusil, que sendo comprido é o seu terceiro membro. Após uma breve interrupção as luzes voltam, surgem agora aos milhares. Começa agora a suar de verdade. O fusil roda no ar e na última extensão do seu corpo, a luzes atingem-no em todas direcções, electrochoques cegam-no parcialmente. No entanto, não desiste e continua a apontar o mais que pode, consegue até que elas se extingam num momento sendo substituídas por tambores em compasso de espera. Agora também ele espera, ouve. Tem o fusil em pé, é o seu terceiro membro, ele espera. Os tambores deixam de tocar e ela surge, a luz negra, o eclipse total. Então R. levanta o fusil virando-o de encontro a si próprio com a baioneta mesmo à frente do rosto. Ela, esta luz é agora parte constituinte do fusil e pretende engoli-lo. Um ultimo compasso, um ultimo tambor. R. puxa para dentro de si a baioneta e a luz apaga-se e tudo termina.
R. acorda do banco de jardim todo encharcado. A seu lado vê no chão estilhaços, um candeeiro preto. Passa o coveiro com a sua lamparina antiga a óleo. R. olha para o relógio. Cinco horas da manhã. Decide seguir o coveiro que vai completamente nas nuvens. Repara que recuperou os velhos sapatos e a camisola cinzenta. Agora faz planos para enrolar um cigarro enquanto sobe a rua. Uma medalha de cem metros olímpicos de Bolt à sua frente, o coveiro entra já numa álea em terra batida rodeada por árvores enormes, das quais não recordo o nome, que dão acesso ao cemitério. Quando finalmente R. o apanha, ele. o coveiro, começa a falar:
Ontem, o meu filho contou-me que lera em qualquer sítio a história do regresso malogrado de um homem após uma longa estadia no éter. Aterrara no mesmo lugar de onde tinha partido trinta anos antes, mas agora nada de pompa ou circunstância. Tudo vazio. À saída apenas viu uma pessoa velha de bengala. Pensou em chamar um táxi mas desistiu. Seguiu a pé decidido a encontrar alguém que lhe explicasse o suicídio. Nem sem sequer um ramo de flores. Finalmente entrou na cidade às dez da manhã, a coelhinha da páscoa aproximava-se, ouviam-se os pássaros que saem dos ninhos de uma palmeira. Caminhou pela rua apoiado por uma bengala e tropeçou numa velha vigorosa que se dirigia para a igreja, de olhos cegos falando-lhe em modos incompreensíveis, dizem que era a sua única mãe, diz o coveiro fazendo uma pausa. Então continuou a andar estupefacto, viu três sombras verdes que resolveu ignorar saindo das lojas. À sua frente viu três velhos vestidos de fato e gravata mostrando cartões a meninos e dirigindo-se igualmente para a igreja. Parou nos semáforos que dão prioridade verde aos táxis amarelos e laranjas surgindo desgovernados. Quando finalmente a sua prioridade verde surgiu e atravessou aquela rua, parou numa montra para ver uma série de quadros com o nome de Cenas de um covil. A principio não quis querer mas os seus olhos não o podiam enganar com tanta certeza.
O homem, continua o coveiro, ainda não pronunciara uma única palavra. Foi esse o erro. Quando gritou de espanto não reconheceu a sua própria voz, aquela voz doce que a sua mulher de cabelos ligeiramente pretos lhe dissera que ele possuía. Então acreditou que aquilo que via no espelho quebrado em ângulo recto na montra era mesmo ele. Uma cópia, uma imagem, um ser disforme e retorcido, sem dentes, sem cabelo e verde, muito verde.
Destroçado, continua o coveiro, decidiu largar a bengala, ultrapassou a ponte e chegou à estátua de Cristo, subiu a custo lá cima, observou com calma, com toda a calma possível do momento o espaço, tão diferente de tudo aquilo que deixara para trás em prole da descoberta científica, e atirou-se.
R. interrompeu perguntando: essa história foi inventada ou está escrita?, que idade tem o seu filho, é albino?
O coveiro respondeu que todos o somos um pouco, mas que isso não passa de um pormenor que em nada pode alterar os propósitos pelos quais você me seguiu. Dito isto parou num túmulo e disse: aqui pode ver com os seus próprios olhos a campa desse homem que nunca foi reconhecido, pode ver também que por ele velam dia e noite, consegue ver não consegue?, um anjo com sombra e um pote de flores albinas.
Sim, vejo um anjo azul, lindo como nunca tinha visto antes. Obrigado.

Ik ben a zombie.
'

Claudio Mur em 'Kcoillapso'

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Mother nature


'Mother nature'
óleo sobre tela
80cm por 40cm
2007 - 2017
ZMB

(fotografia de época)


sexta-feira, 14 de julho de 2017

The Robert Frank page


https://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Frank

The Robert Frank page provides visitors with 
Frank's bio, over 60 of his works, exclusive articles, and up-to-date Frank exhibition listings. 
The page also includes related artists and categories, 
allowing viewers to discover art beyond our Frank page
https://www.artsy.net/artist/robert-frank

Bus stop


'Bus stop'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2005 - 2017
ZMB

Este trabalho tal como este:
e este:
lidam com algumas memórias do tempo que passei na Irlanda,
os dois últimos lidam com a lembrança de uma ex e eu num mundo de animais,
e de uma ex com o meu sucedâneo e eu a ver passar os navios enquanto ouvia música ao vivo.

Este trabalho tem como memória-base a paragem do autocarro onde saía para entrar ao trabalho.
É um motivo banal ao qual, este ano, adicionei alguns elementos pictóricos
que encontrei em desenhos meus.
Faço também uma referência ao filme 'A máscara', 
um filme que não vi mas que foi popular nas décadas passadas.


(fotografia de época)


terça-feira, 11 de julho de 2017

Moriarty's


'Moriarty's'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2005 - 2017
ZMB

Moriarty é ao que parece o inimigo do Sherlock Holmes
mas é também um bar em Cork na República da Irlanda
onde eu ouvia música ao vivo
quando lá passei um ano num estágio profissional
logo após terminar os estudos universitários em 1997.


(fotografia de época)


domingo, 9 de julho de 2017

A minha paixoneta pela Diamanda

Eu com os meus 21 anos de menino tive uma espécie de paixoneta que não se concretizou e virou obcessão por uma menina da minha idade, ela andava atrás do vocalista de uma banda que tocava na altura em Portugal já há anos e que era uma banda de culto para mim e para muitos de nós, e eu pensava: olha ela não gosta de mim porque anda atrás do F., como se ele fosse deixar a mulher por causa dela, que pode ela querer ser senão uma groupie de Verão?, palhaçada, tanta mulher bonita e eu obcecado por ela. a coisa arrastou-se sem novidades, nova música, novas realidades culturais, novos amores até que dois anos mais tarde, numa nova experiência amorosa, pude dizer à nova ela: olha este disco, olha a Diamanda Galás, olha-te ao espelho, tu pareces a Galás, ela incomodou-se, sentiu-se ofendida, disse que eu não a amava e que amava, isso sim, uma fotografia, uma cantora de ópera marada. anos depois, já esta ela tinha decidido há muito que eu era uma ovelha tresmalhada e só negro eu lhe poderia trazer ao seu futuro tendo por isso decidido seguir a sua vida em frente, anos depois disse-me: encara-me como uma personagem que passou pela tua vida. e eu pensei: olha, afinal eu chamei de fútil uma menina que estava enamorada de um cantor e eu fiz o mesmo, enamorei-me pela cantora, pela sua voz, pela sua música, critiquei e fiz igual, o resultado: solidão.
depois descobri este disco
https://www.discogs.com/Diamanda-Gal%C3%A1s-With-John-Paul-Jones-The-Sporting-Life/master/6747
ela na música 'the sporting life' ela canta palavras em português,
e tudo voltou a fazer sentido. Galás e John Paul Jones, uau!, viva a música.


sábado, 8 de julho de 2017

Capoeira Senzala de Santos



01: Munxaca aos capoeiras
 02: Berim-agopam benguela
     03: Ritmo da capoeira regional
        04: Ritmo da capoeira de angola
                05: Eu já lhe havia falado da capoeira
             06: Deus Deu Capoeira Para Gente
   07: Capoeira É Minha Origem
08: Toques De Berimbau
09: O Escravo É Capoeira
         10: Samba, Brerimbau É Pandeiro
    11: Vida De Negro Da Senzala




Musa estudando


2017
ZMB

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Canto das três raças por Clara Nunes



Letra:

Ninguém ouviu
Um soluçar de dor
No canto do Brasil

Um lamento triste
Sempre ecoou
Desde que o índio guerreiro
Foi pro cativeiro
E de lá cantou

Negro entoou
Um canto de revolta pelos ares
No Quilombo dos Palmares
Onde se refugiou
Fora a luta dos Inconfidentes
Pela quebra das correntes
Nada adiantou

E de guerra em paz
De paz em guerra
Todo o povo dessa terra
Quando pode cantar
Canta de dor

E ecoa noite e dia
É ensurdecedor
Ai, mas que agonia
O canto do trabalhador
Esse canto que devia
Ser um canto de alegria
Soa apenas
Como um soluçar de dor

domingo, 2 de julho de 2017

terça-feira, 27 de junho de 2017

Mensagem do alien no além

Hello radio listeners here's the Moore of the family, I am speaking on behalf of the Mur of the family -- the one that scribbles lousy and shameless nonsense thoughts, and also in behalf of ZMB, I am talking from a lan house unable to reach my own personal computer it just failed permanently and just to say they are now hostages of the alien fresca and the invisible woman, they are without laptops although they keep the hats, rats everywhere, the repair company is saying it will take one more week hope so, we are just waiting to resume the Release The Id Conscience operation, but wait, the train is coming, orgasms and screams, call later, let us now switch on the news update for the future: there will be no J. Alberto Allen Vidal reissue on Edições Cassiber as announced early here in the blog, the reasons remain a property of the author, and also a new audio/video file soon also on vimeo which will deal with trying to understand that what lies behind fascism thoughts sometimes most of the times comes from hidden trauma of early sexual violence or abuse, there will be a new repaint called Moriarty's the liverly enemy of mr. holmes very neat to the days of less intoxicated days of today, call later, entering the train now.
I always like to speak in the third person, I can beat up my self with more effect, so there it goes: John, the Moore of the family was quietly smoking his pipeweed when he received a phone long distance call in his multiverse ring watch, it was Claudio, he had some news, the operation was off, let the team wind up, clean the camels and the tents, leave now on to the desert, we'll always have home, the rival silver was mildly accepted or not acceptd at all, nothing came of it, the future still is in the long shot, just the desire to see the monuments of flesh remains, but really the pyramids of skin are great on photos and I took the chance, her stomach is better, although she refuses to see a doctor she's having tea, I sometimes feel I am evil because if I take the God out of her life she will have to replace it with some and, since genius is silencing, what will be in the equation will be void of meaning to her, will let her feel unbalanced, she will be like me, like a misconstruct, another loser on the loose, She sees joy and goodtalk but I am what she refuses to see or believe, I have no condition barely have for my own self alone, so you see Moore I can't just take out the god of her life because I am no god and I am no good, I will now rest my last wish for tonight, still no orgasms and screams, Mur says bye, texting now:
oh theirs powers are multiverse and my self to rest calm I have to balance one's magic with an other's magic, so just switch the kilombo of Clara Nunes on to the chimney smokes of Coltrane's Be, turning afterwards to Shankar's ragas and Abdul Malik's oud and by constant iterations I finally go asleep feeling calm and relaxed like a baby with the gongs and flute of Aranos Samadhi, she will never be alone, let her be like she wills, I am just an human.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

Anorexia

Olá mundo, estou triste, estou em modo pausa, estou sem fazer nada, hoje não me apetece fazer nada, há alguns dias que ando assim, eu sei porquê, não basta ter espírito positivo, não bastar ter esperança na ilusão d«o meu tempo chegará!», sei que a ilusão acabou, perdi a vontade de continuar a alimentar a ilusão, esta dava-me de vez em quando vontade de viver, de pôr uma cara alegre, era aparência, agora reparo que estou mais uma vez só e nunca deixei de o estar mesmo quando acompanhado, a ilusão dava-me vontade, dava-me força para pintar, ciclicamente perco os estímulos, numa fase decadente disse um dia que estava a ficar sem ideias para pintar, uma amiga minha diz que tem o dom de prever, eu às vezes penso que tenho o dom de prever a minha catástrofe mas não lhe chamo dom, pensava que o meu dom fosse aplicar tinta na tela, um dia verbalizei que este meu dom estava a fenecer, assim são os estímulos, as ilusões que me fazem trabalhar e esquecer os maus futuros que prevejo, só a força da razão me cria vontade, começou tudo muito antes e esse antes, sei-o, não tem solução, o trabalho não resolve, entra em loop com os estímulos e a ilusão, o amor, uma mulher poderia resolver em muitos homens todos os passados, comigo o amor nunca funcionou, foram poucas as vezes em que me senti satisfeito em pleno, tenho a sensação de que dei sempre o máximo e elas sempre deram pouco. um abismo de diferença, cheguei a esta conclusão recentemente, mas houve alturas em que fiquei confuso, talvez não gostasse de mulheres, talvez fosse essa a minha culpa, na minha confusão senti-me curioso, talvez gostasse de homens?, fiz os esforços para o descobrir, sabia que fisicamente nada teria a ganhar, mas interessei-me por algumas causas, li alguma literatura comprometida, tentei até dialogar, mas nunca concretizei nada, nunca aderi ao programa, pus-me sempre na posição de observador, imaginei cenários, imaginei um ' e se...' e cheguei à conclusão que o homem é insuportavelmente pior do que a mulher, não se trata só de um desconforto físico, um real desejo ausente, trata-se do carácter: o homem é salamaleques por interesse e competição, braços-de-ferro por desporto, arrogância em pés de barro, elas, as mulheres, ainda ao menos me deram alguma coisa, deram-me tudo o que tinham, o seu corpo, as suas maneiras de fazer amor tão desajeitadas como a minha, os homens nem para amigos servem, eu sei que o problema também é meu, nasce do facto de não ter uma saudável convivência com o meu pai, para quê ter amigos se não consigo ser amigo do meu pai?, há abismos entre nós e a consequência é que não aprendi o que era a amizade, nunca soube, nunca pude confiar e quando confiei as pessoas não eram de confiança, tive conhecidos e alguns influenciaram-me, deram-me ares de estrangeiro no meu próprio país e depois desprezaram-me quando eu lhes disse «podes falar português comigo», hoje não tenho um amigo com quem beber um café e passar um bocado de tempo, não tenho quem me apresente uma visão válida, coerente, não tenho quem me aconselhe e se porventura tivesse iria cansar-me de nada aprender ou iria esquecer tudo no momento seguinte porque eu tenho um bloqueio, eu não confio, não deixo ninguém entrar, no passado confiava na música e nos livros, procurava as suas histórias, vivia as sua canções, imaginava como seria se essas ficções se tornassem verdade mas infelizmente os meus heróis vão morrendo ao longo dos anos, de modo que as referências e também os estímulos estão a desaparecer, hoje não tenho heróis não tenho amigos tinha uma amiga mas terminei a relação, é por isso que estou triste, andei iludido, cansei-me dela e do seu modo de vida, vejo-a trilhar um caminho semelhante ao meu, vejo-a dar passos que eu dei errado no passado, sei onde fui parar e sinto-me cansado porque impotente porque a minha experiência nada vale como conselho, ela acha que o seu futuro pode ser diferente e em certa medida está certa, somos diferentes, as nossas atitudes, reacções e circunstâncias são diferentes, ela não precisa de passar pelo que eu passei mas ela não me dá ouvidos, eu estou depois do futuro, ela está antes, custa-me ver os seus passos sem poder influenciar, ajudar, persuadir a agir, ela não faz o necessário, ela não faz a sua parte, e eu não tenho nem quero vir a ter a autoridade para a obrigar, de mandar nela, como não quis que mandassem em mim também não lhe vou negar o direito de viver segundo a sua cabeça, nem o papel de marido me daria essa autoridade, e eu sou apenas um amigo, um amigo que andou iludido e pensando que ela me ouviria sempre e faria como eu quero, ela bem me avisou que eu não sou o centro do mundo, é um erro em que caio, pensar que a minha ideia é central, está certa e é a melhor, não o sendo, não o fazendo por livre vontade e não querendo eu obter a sua concordância por métodos coercivos e tiranos, só me resta abdicar porque não posso aceitar que ela se destrua a meu lado, só me resta remeter-me mais uma vez ao meu solitário quadro.
«Faca-se segundo a minha vontade!», poderá o mundo pensar que eu digo, mas há muitas coisas que se não podem contar tal como havia noutras situações passadas, a diferença é que são problemas que não me pertencem nem tenho real poder de voto na matéria, essas coisas não mudam de figura só porque eu existo, eu sou algo de intermédio para ela, a ponte de tédio entre um contrato a cair de podre e um futuro que nunca será comigo, sei-o por convivência, eu sou apenas um amigo que se introduziu num dos compartimentos do seu coração, os outros quartos continuam a ser habitados, novos inquilinos surgem e assim não tenho a exclusividade garantida, sou por isso um amigo com quem ela gosta de estar, de conversar, beber fumar ouvir música, temos até uma playlist de discos que ouvimos sempre que estamos juntos, «parece o paraíso... mas pelo tom a coisa acabou, o que se passou na realidade?», poderia o mundo perguntar e eu diria, digo, respondo «a idade não perdoa», já não tenho paciência para conversa de café, beber não bebo por causa do estômago. ando a enganar os médicos quando digo que não fumo mas na verdade ando a enganar-me a mim mesmo, os fumantes que uso são em tão ínfima quantidade que qualquer fumador ficaria envergonhado e diria que eu ando a falsificar a trip, ando a fumar placebos, concordo que é mais uma acha psicológica para a fogueira da ilusão, eu preciso do ritual de enrolar um fumante, é o meu comprimido contra a depressão, o meu regulador de humor, portanto não bebo, não fumo nem ofereço fumantes de qualidade, não tenho paciência para chachacha de treta e ela é muito intolerante quando se trata de experimentar ouvir um disco diferente e eu fico frustrado e quando chega a hora gosto de jantar, parece tudo razoável e lógico, ainda assim penso que qualquer pessoa poder-se-ia perguntar onde está afinal o problema, mas eu explico: o problema é que ela não come e faz de propósito para não comer, isso custa-me, podemos estar três ou quatro horas a conversar e a beber fumar ouvir música e depois eu vou fazer o jantar e ela não come, acabo sempre por comer sozinho, ela recusa-se a comer, por um lado tem vergonha que cozinhem para ela, por outro lado diz que quando bebe não come, não come contra todas as opiniões, não serei só eu a pensar assim, não come porque ao beber se lhe apetecer vomitar então vomitará e não sujará o chão do amigo, nada a faz mudar de ideia, é uma burra velha à altura de um burro velho como eu, nada aprendemos mais, eu gasto o meu latim a dizer que os líquidos do estômago precisam de comida para agir e se assim não for vão corroer as paredes estomacais e poderão até provocar uma úlcera, sei do que falo, eu tive quase uma igual, safei-me porque passei a alimentar-me melhor, mas isso para ela não vale nada, ela diz que está sob a protecção de deus, que o seu deus a alumia e que cuida do seu destino, e como eu não acredito nesse seu deus não posso aceitar o que me parece uma irracionalidade, faz-me lembrar as famílias antivacinas, devem pensar que o seu sangue é puro e imune e que deus os escolheu, depois vai-se a ver e o carteiro bate uma, duas, três vezes e traz-lhes a morte de um filho em quem tanto futuro estava investido, nada vale que façam promessas de joelhos à virgem, à velha bruxa, morrem e deixam saudades e eu digo «não fizeste o necessário», e com ela passa-se o mesmo, às vezes chama-me ateu de merda e eu respondo-lhe que deus te levará um dia, quando tu mais desejares viver, ela diz faça-se a vontade de deus e engole mais um trago de líquido, um dia começou a beber às três horas da tarde e vomitou o vazio do estômago às três da manhã no meu chão, como não comeu, pouco sujou e a limpeza foi fácil na manhã seguinte, foi apenas um dos momentos desagradáveis, como posso eu frequentar uma mulher que a cada nova noite aumenta a dose e não sabe parar, uma mulher que não cuida da saúde, que está intencionalmente num caminho destrutivo até que deus a leve porque ela sabe que deus não gosta de suicidas, uma mulher que burdosca após burdosca não me quer ouvir, o filme tornou-se repetitivo, cheguei a dizer-lhe: tu tiras-me a tesão, bebes até à inconsciência e depois dormes, não prevês no plano sequer um quarto de hora para fazermos amor, a tua vida é beber mijar e dormir anestesiada, comer ou comer-mo-nos não faz parte do teu vocabulário, quando se acaba a cerveja vais-te embora se tiveres dinheiro para o táxi, estou cansado, ganhei um trauma de te tanto olhar a beber e ver quando a garrafa termina para ver se aí tenho a tua atenção e te dou a volta e te seduzo para fazermos amor, se não te seduzir tu nunca pinarás comigo, estou cansado de seduzir-te ou de o tentar bebedeira após bebedeira, tudo devia ser espontâneo, o amor, o beijo, o toque, a penetração não deveria precisar de expedientes, deveríamos primeiro pinar e só depois fumar e beber, e acontece o contrário com o pormenor importante de já não pinarmos há uma eternidade, está mal, faz-me mal à saúde, não há relação entre um casal saudável que sobreviva sem sexo, sem sexo todo o pormenor é amplificado milhares de vezes, tudo se torna insuportável, sem sexo o amor transforma-se em ciúme, como pode o ciúme não surgir quando a cerveja acaba e tu fazes planos de me deixar para ir continuar a beber na companhia de um novo rival?, e mesmo que não faças sexo com eles eu sinto-me traído como se houvesse entre nós um contrato, como podes gostar de mim, um velho careta?, como posso eu gostar de ti, um pau de virar tripas?, a conclusão a que chego é que a novidade terminou, não fomos feitos um para o outro, o nosso futuro não segue uma linha comum, ah!, mais valia que me traísses de verdade e aproveitasses com eles o que não aproveitas comigo, aí o meu orgulho seria mais válido, poderia odiar-te de verdade, riscar-te do meu mapa, tornares-te uma 'falecida' e não um fantasma, porque eu gosto de ti e sei que tu gostas de mim e sei que nem tu nem eu nem o nosso amor é perfeito, sei que se tudo fosse perfeito nada haveria a construir, estaria já tudo pré-feito logo mal-feito, não haveria sal na minha comida nem álcool na tua cerveja anoréctica, pesas trinta e nove quilos?!, alguém te dê o juízo que eu não consigo dar, alguém te faça comer, alguém te encaminhe para um médico, eu desisto de ti, de nós, não tenho o espírito de evangelizador, desisto de nós, desisto de ti, encontra alguém que te aceite como és.

sexta-feira, 16 de junho de 2017

Remembering


'Remembering'
óleo sobre tela
60cm por 80cm
2004-2017
ZMB

Lembrar um casal de namorados num mundo de animais.
Fosse o mundo a preto e branco e seríamos todos pessoas.



(fotografia de época)



quinta-feira, 15 de junho de 2017

Quantas coisas sucedem neste mundo!...
Há momentos em que os próprios Chichikov se tornam poetas.

'
(...) Só via a jovem loira, muito ocupada em abotoar as compridas luvas e sem dúvida ardendo em desejos de dançar. Quatro pares executavam já a mazurca; os tacões batiam no soalho e um capitão de infantaria entregava-se, de corpo, alma, pés e mãos, a improvisar passos como nem mesmo em sonhos alguém seria capaz de imaginar. Rompendo por entre os dançarinos, Chichikov chegou enfim junto da esposa do governador e da filha. E de súbito toda a audácia e confiança nele se esvaíram, dando lugar à timidez e ao embaraço.
Não queremos afirmar que o nosso herói estivesse enamorado. É duvidoso que homens da sua espécie, isto é, nem gordos nem magros, sejam capazes de amar. No entanto experimentava uma estranha sensação que não podia explicar. Mais tarde confessou que por momentos supôs que o baile, com o seu ruído e agitação, se perdia na distância; que as trompas e os violinos tocavam algures, para além das montanhas; que uma bruma semelhante ao fundo difuso dalguns quadros envolvia todas as coisas; e que nesse fundo impreciso se divisavam os traços finos da sedutora jovem, o seu belo rosto oval, o seu busto gracioso de colegial saída há pouco do internato, o singelo vestido branco que lhe modelava graciosamente as formas harmoniosas e puras. No meio dessa multidão turva e opaca, dir-se-ia uma luminosa aparição, uma figurinha diáfana de marfim...
Quantas coisas sucedem neste mundo!... Há momentos em que os próprios Chichikov se tornam poetas. Poeta é talvez dizer demasiado; em todo o caso o nosso herói sentiu-se de súbito um jovem, quase um hussardo. Viu ao lado das duas damas uma cadeira livre e apoderou-se dela imediatamente. Ao princípio, faltaram-lhe as palavras, a conversa não correu lá muito bem, mas pouco e pouco a língua soltou-se-lhe, foi readquirindo coragem, mas...
Com grande mágoa devo dizer que as pessoas que ocupam altas funções, mostram-se pouco expeditas a falar com as damas; os tenentes e capitães são mais hábeis nessa arte. Só Deus sabe como se arranjam; não dizem nada de especial e no entanto a jovem a quem se dirigem torce-se de riso na cadeira. Um conselheiro de Estado, ao contrário, pouco ou nada consegue: perde-se em considerações sobre a imensidade da Rússia, dirige-lhe algum cumprimento a que não falta espírito mas que tresanda a literatura, e se acaso sucede dizer alguma graça, então ri muito mais do que aquela a quem deseja agradar. Dizemos isto para o leitor compreender a razão por que a formosa loira se pôs a bocejar enquanto Chichikov falava. Aliás o nosso herói não deu por isso e continuou a desfiar um rosário de histórias engraçadas, inúmeras vezes repetidas já em ocasiões semelhantes.
'

página 276-277
'Almas mortas'
Gogol
tradução e prefácio de José António Machado
edição Portugália Editora

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Uma vez agressores, outras vezes vítimas

'
Há agressores e vítimas
e algumas poucas pessoas que nunca foram agressores ou vítimas
Há agressores que agridem,
outros que deixam de agredir quando aprendem a lição da consciência
outros que cumprem pena para sempre sem sentirem culpa
Há agressores que se transformam em vítima quando se trata de fugir com o bico à seringa.
Há vítimas que sofreram, sofrem e sofrerão por terem medo, por sentirem vergonha e culpa de sentirem vergonha por terem sido agredidos
Há vítimas que se tornam deslocados na guerra chamada «viver»
Há vítimas que se tornam agressoras para se vingarem do agressor
Há vítimas que se vingam na pessoa errada
e há vítimas que almoçam, jantam e dormem com o agressor
com um olho direito na faca e a mão esquerda no mamilo.
Há vítimas que serão sempre vítimas e morrerão curvadas pelo desespero: são as únicas por quem sinto pena.
Os pormenores não são da minha competencia.
'

Claudio Mur

Sisters and brothers: dance!



Lyrics:

my sex waits for me
it's very often solo
some times it's automatic
and feel is acrobat
attention attention
do it yourself
do it yourself

terça-feira, 13 de junho de 2017

O Andor em marcha

'
Certamente terás o que mereces.
O meu espírito Madre Teresa de Calcutá esgotou-se.
Não vou sentir remorsos quando te desvaneceres em pó.
Não posso ajudar quem não se ajuda a si próprio.
Vais dançar sozinha, este é o recibo de confirmação,
Boa sorte desejo aos que me fazem bem à saúde.
A ti não desejo nada. Apenas digo: a musa caiu do pedestal.
Risco-te da minha vida para todo o sempre.
Se morreres não deixes mensagem.

'

Claudio Mur

sábado, 10 de junho de 2017

«Mouth of flames» by Jarboe



lyrics by Jarboe:

I am she whom the winds fear
I am she who brings the fire
I am she the lightning and thunder
I am this shower of life
I am she: the mouth of flames
Into the light I fall into grace
Into the light I fall into the mouth of flames


Dois amigos lendo e fumando em minha casa


Jê 
e o poeta J. Alberto Allen Vidal
lendo do seu livro de poemas

2017
foto por ZMB

I paint to keep my sanity clean



'I paint to keep my sanity clean'
óleo sobre tela
81cm por 54cm
2002-2017
ZMB

(fotografia de época)

sexta-feira, 9 de junho de 2017

O Sr. Patinhas

O Sr. Patinhas
Ia a todas as missinhas
Mas não gostava de ladaínhas
Investiu o seu capital
Em frigoríficos, ventoínhas
E nas acções da Petrogal
Mas à Sra. Miquinhas
Que lhe fazia todas as coisinhas
Pagava-lhe mal, muito mal.

O Sr. Patinhas
Não ia em ladaínhas
Apostava nos cavalos
Só depois de ver ganhá-los
Tinha um Rover de três metros
E só um cm. e tal.

Morreu sozinho num Hospital
Sua fortuna ficou
Nas mãos do Banco de Portugal
E viva o capital
E viva o capital
Do Sr. Patinhas
Patriota de Portugal.

J. Alberto Allen Vidal
2014

quinta-feira, 8 de junho de 2017

E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu lugar.



letra:

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
Fé em Deus, DJ

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.

Mas eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz, onde eu
nasci, han.
E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu
lugar.

Minha cara autoridade, eu já não sei o que fazer,
Com tanta violência eu sinto medo de viver.
Pois moro na favela e sou muito desrespeitado,
A tristeza e alegria aqui caminham lado a lado.
Eu faço uma oração para uma santa protetora,
Mas sou interrompido à tiros de metralhadora.
Enquanto os ricos moram numa casa grande e bela,
O pobre é humilhado, esculachado na favela.
Já não aguento mais essa onda de violência,
Só peço a autoridade um pouco mais de competência.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, han.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar.
Mas eu só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz, onde eu
nasci, é.
E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu
lugar.

Diversão hoje em dia, não podemos nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.
Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.
Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, vive passando sufoco.
Trocaram a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar, eu.
Eu, só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz, onde eu
nasci, han.
E poder me orgulhar, é,
O pobre tem o seu lugar.

Diversão hoje em dia, nem pensar.
Pois até lá nos bailes, eles vem nos humilhar.
Fica lá na praça que era tudo tão normal,
Agora virou moda a violência no local.
Pessoas inocentes, que não tem nada a ver,
Estão perdendo hoje o seu direito de viver.
Nunca vi cartão postal que se destaque uma favela,
Só vejo paisagem muito linda e muito bela.
Quem vai pro exterior da favela sente saudade,
O gringo vem aqui e não conhece a realidade.
Vai pra zona sul, pra conhecer água de côco,
E o pobre na favela, passando sufoco.
Trocada a presidência, uma nova esperança,
Sofri na tempestade, agora eu quero abonança.
O povo tem a força, só precisa descobrir,
Se eles lá não fazem nada, faremos tudo daqui.

Eu só quero é ser feliz,
Andar tranquilamente na favela onde eu nasci, é.
E poder me orgulhar,
E ter a consciência que o pobre tem seu lugar, é.
Eu, só quero é ser feliz, feliz, feliz, feliz, feliz, onde eu
nasci, han.
E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu
lugar.

E poder me orgulhar e ter a consciência que o pobre tem seu
lugar.

Parapapapapapapapapa




Letra:

Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clackbum
Parapapapapapapapapa

[Parte 1]
Morro do Dendê é ruim de invadir
Nós com os Alemão vamos nos diverti
Porque no Dendê, eu vou dizer como é que é
Aqui não tem mole, nem pra DRE
Pra subir aqui no morro até a B.O.P.E. treme
Não tem mole pro exército civil nem pra PM
Eu dou o maior conceito, para os amigos meus
Mas morro do Dendê também é terra de Deus

Fé em Deus, Dj

(Vamo lá)

Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clakbum
Parapapapapapapapapa

[Parte 1]
Morro do Dendê é ruim de invadir
Nós com os alemão vamos nos diverti
Porque no Dendê, eu vo dizer como é que é
Aqui não tem mole, nem pra DRE
Pra subir aqui no morro até a B.O.P.E. treme
Não tem mole pro exército civil nem pra PM
Eu dou o maior conceito, pra os amigos meus
Mas morro do Dendê também é terra de Deus

[Parte 2]
Vem um de AR15 e outro de 12 na mão
Vem mais um de pistola e outro com 2-oitão
Um vai de URU na frente, escoltando o camburão
Tem mais dois na retaguarda mas tão de Glock na mão
Amigos que eu não esqueço, nem deixo pra depois
Lá vem dois irmãozinho, de 762
Dando tiro pro alto, só pra fazer teste
De ina-ingratek pisto-uzi ou de winchester
É que eles são bandido ruim, e ninguém trabalha
De AK47 e na outra mão a metralha
Esse rap é maneiro, eu digo pra vocês
Quem é aqueles cara, de M16
A vizinhança dessa massa, já diz que não agüenta
Nas entradas da favela,já tem ponto 50
E se tu toma um pá, será que você grita
Seja de ponto 50 ou então de ponto 30
Mas se for Alemão, eu não deixo pra amanhã
Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã
Porque esses Alemão, são tudo safado
Vem de garrucha velha dá 2 tiro e sai voado
E se não for de revolver, eu quebro na porrada
E finalizo o rap detonando de granada

Parapapapapapapapapa
(Valeu)
Paparapaparapapara clackbum

Vem um de AR15 e outro de 12 na mão
Vem mais um de pistola e outro com 2-oitão
Um de URU na frente, escoltando o camburão
Tem mais dois na retaguarda mas tão de \"Glock\" na mão
Amigos que eu não esqueço, nem deixo pra depois
Lá vem dois irmãozinho, de 762
Dando tiro pro alto, só pra fazer teste
De ina-ingratek pisto uzi ou de winchester (Obrigado, gente)
A vizinhança dessa massa, já diz que não agüenta
Nas entradas da favela,já tem ponto 50
E se tu toma um pá, será que você grita
Seja de ponto 50 ou então de ponto 30
Esse rap é maneiro, eu digo pra vocês
Quem é aqueles cara, de M16
Mas se for Alemão, eu não deixo pra amanhã
Acabo com o safado dou-lhe um tiro de pazã
Porque esses Alemão, são tudo safado
Vem de garrucha velha dá 2 tiro e sai voado
E se não for de revolver, eu quebro na porrada
E finalizo o rap detonando de granada

Parapapapapapapapapa
Parapapapapapapapapa
Paparapaparapapara clackbum
Paraparapapapapapapapa