segunda-feira, 12 de maio de 2014

Xanda





'Xanda'
Desenho a pastel sobre papel, 
28,5cm por 35,5cm (com moldura)
1996
ZMB

Esta mulher foi minha namorada.
Ela não gostava que eu a desenhasse.
Talvez por isso escondesse a cara.
Não acredito que tentasse esconder o seu rosto 
para não ser póstumamente admirada como relíquia extravagante.
Dir-se-ia que ela pensava que, para mim, a pintura estava antes dela.
Mas não foi a pintura que nos separou.
Eu simplesmente entrei em processo de
enlouesquecimento.

Claudio Mur - Decisões

I. Oesmuccmia
O que me pedem
que me denuncie
que renuncie a minha liberdade
que renuncie a minha vontade
Formas, autómatos, máquinas
Máquinas controladas por máquinas, autómatos que
Um dia virão a ser controladores de homens
Um dia virá que serão implantadas máquinas no
Cérebro - a unidade central de processamento-
Será uma raça sem filosofia nem alegria
Univocamente direccionada para...
Interactividade para quê? Segas para quê?
Ah! A laranja mecânica volta a atacar.

II. 543
Mas para que serve isto?
isto é uma merda
não percebo nada disto
Não vou, não quero
Não estou a entrar no jogo deles
Tudo nasce no líder...
... da empresa...
Estou farto
fora
sem interesse destruído extenuado ludibriado
Estou farto
Nada se aprende
A competição aperta a qualidade faz a diferença
é a selva da sobre vivência
A formação é indispensável
Convoluções transformadas em série em séries
oh mas que raio
Já não sei o que hei-de escolher
Talvez
ponha uma pedra definitivamente
digite aquela sequência
... concordas?
Vou pôr qualquer coisa... mudar o estilo
haverá melhor incentivo?
Calibra-te certifica-te obtém marcas
Navega num crescendo de emoção
o futuro
energia talvez maquiavelicamente perigosa
A rondar o abismo o limite
O fim como meio os fins justificam os meios
ou escolha!
O meio para o fim os meios justificam os fins
Visionarismo voyeurismo ou talvez não
Violinos alegria ou máquinas de calcular tristeza
Qual a escolha?
Quem sairá prejudicado?

III. Aquaismja
Anseio por te ver
tenho saudades quero tocar-te
Quero sentir o teu prazer
As responsabilidades os compromissos os afazeres
não o permitem
Aspirar o perfume com que me enebrias o cérebro e inflamas o coração
Isso é melhor que...
Sinto-me totalmente absorto em ti e já nada faz sentido
Minimalmente minimal
já não digo coisa com coisa
aliás se calhar nunca disse
porque
tudo o que parece deixou de o ser.

Claudio Mur: 'Decisões'
publicado em 'Decisões at tasquinha'
edição bilingue com desenhos
(link disponível até final de 2014)

sexta-feira, 9 de maio de 2014

Coil - Worship the glitch 1995


Coil - Worship the Glitch

Quem me fez ouvir este album pela primeira vez foi a S. em sua casa.
Já conhecia Coil mas este é o álbum que mais me diz.
A S. talvez gostasse de mim e mostrava-me as suas compras musicais
na Contraverso e talvez esperasse que eu desse um passo em frente.
Mas eu andava obcecado pela sua colega de apartamento
que por sua vez andava numa fantasia platónica com um vocalista industrial suiço.
S. mais tarde casou e teve filhos e até me tornei amigo de seu marido guitarrista.
Um dia, vejo-o no bar da associação e ele diz para eu escrever algo para S.
e eu num papel escrevo Worship the Glitch ZMB.
Nunca mais soube deles.

Adorar o erro,
 seguir em frente contra todas as consequências
e não olhar para trás.

ZMB - On the way to dinner rapide


'On the way to dinner rapide'
2012
ZMB

Junky Christ num círculo de cores


'Junky Christ num círculo de cores'
óleo e pastel de óleo
32cm por 24cm
1996/2008
ZMB

Infelizmente não disponho de uma melhor fotografia.
Este foi um dos primeiros quadros que pintei.
Na sua versão original não aparecia o charro na boca.
Foi finalizado numa sessão de partilha de ganza e música entre amigos
e oferecido ao Caladinho,
uns anos antes de a sua vida de drogas o conduzir à cadeia.
'Que ele ganhe juízo!'

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cassiber - Man or Monkey, 1982


From Germany 
with laughter and a lot of times with revolt...

A casa-obra que se trabalha


Edições Cassiber é o nome que eu por volta de 1995
comecei a dar à coisa-instituição que germinava na minha cabeça.
Assim, seria basicamente uma editora
a que eu chamava com um sorriso de fictícia.
Não existe oficialmente no mercado do livro.
Editou até hoje vários livros 
em formato papel impresso a laser e encadernado com argolas em espiral
ou em formato electrónico de descarga grátis, livre e anónima.
(O material em formato electrónico continuará disponível no endereço
http://www.edi-cassiber.net até ao final de 2014;
serão igualmente colocadas cópias no archive.org: - pesquisem por
https://archive.org/search.php?query=zmb_mur )

O nome Edições Cassiber surgiu-me como um modo de prestar homenagem
à musica e filosofia da banda alemã Cassiber.
Visualmente associei a estes 
a estrela do caos e
o halber mensch dos Einstuerzende Neubauten crucificado 
pela cruz negra dos costumes e moral capitalista.