quinta-feira, 8 de outubro de 2015

O mundo migrou: roda «ao contrário»,
há franco-atiradores cortando asas, raízes esquecidas.
A culpa é de todos, minha e tua também.


Eoghan Bridge,

o escultor diz acerca da sua escultura:
«The dance of life ;) (a sculpture in progress)»

Wilhelm Reich,
escreve em "O assassinato de Cristo" [edição brasileira: Martins Fontes, 1982]:

«O verdadeiro problema do homem é a EVASÃO BÁSICA DO ESSENCIAL. Essa evasão e fuga faz parte da estrutura profunda do homem. Fugir à saída da prisão é resultado dessa estrutura do homem. O homem teme e detesta a saída da prisão. Ele se resguarda acirradamente contra qualquer tentativa de encontrar essa saída. Esse é o grande enigma.
Tudo isso certamente parece louco aos seres vivos encerrados na prisão. Um homem que, dentro da prisão junto com eles, falasse dessas coisas loucas estaria destinado à morte; estaria destinado à morte se fosse membro de uma academia de ciências que consagrasse muito tempo e dinheiro ao estudo detalhado dos muros da prisão. Ou se fosse membro de uma dessas congregações religiosas que oram, resignadas ou cheias de esperança, para sair da prisão. Ou se fosse um desses pais de família preocupados em não deixar os seus morrerem de fome na prisão. Ou se fosse empregado de uma dessas indústrias que se esforçam para tornar a vida na prisão o mais confortável possível. De uma forma ou de outra, ele estaria destinado à morte: pelo ostracismo, pelo aprisionamento por ter transgredido alguma lei, ou, em certos casos, pela cadeira elétrica. Um crminoso é um personagem que achou a saída e por ali se precipita, violentando seus companheiros de prisão. Os loucos que apodrecem nos asilos e que se contorcem, como as feiticeiras da Idade Média, sob o efeito do eletrochoque, também são prisioneiros que viram a saída da prisão e não conseguiram superar o pavor de se aproximar dela.
Fora da prisão, muito perto, descortina-se a Vida viva, em tudo o que se alcança com a visão, a audição, o olfacto. Para os prisioneiros é uma agonia eterna, um suplício de Tântalo. Você a vê, sente, toca nela, você a deseja sem cessar, mas sair tornou-se uma impossibilidade. Só é possível consegui-lo em sonhos, em poemas, na música, na pintura, mas já não está em seus movimentos. As chaves para sair da prisão estão cimentadas na armadura do nosso caráter e na rigidez mecânica do corpo e da alma.(...)
Se você viver durante muito tempo no fundo de uma cava escura, você detestará a luz do sol. É mesmo possível que seus olhos acabem por perder a capacidade de tolerar a luz. Eis por que acaba-se por odiar a luz do sol»

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