sábado, 27 de outubro de 2018

Direito de resposta a uma leitora

Acabo de ler isto e não sabendo se o meu direito de resposta não seria censurado se lá o publicasse, publico aqui:

A leitora tem uma utopia pessoal a que chama «hospedaria» e que na realidade é um blogue pessoal para o qual ela conviddou quem lhe interessou convidar. Uma dessas pessoas convidadas fui eu. Aceitei. Acontece que se a hospedaria é um espaço colectivo e heterogéneo, foi-se tornando ao longo dos tempos um espaço dedicado à leitora ler os textos dos seus colaboradores (podendo ela avaliar da qualidade e bom gosto do colaborador e preencher o seu vazio ou esvaziar a sua ansiedade) e escrever os seus textos e receber apoio e beijinhos por eles (condição necessária para que o comentador não leve com uma assertividade nas trombas). Acontece que a minha ideia de utopia colectiva pressupõe uma horizontalidade na classe e não uma hierarquia em que há uma «hospedeira» e «colaboradores», pressupõe que eu tenha o direito de escrever em iguais circunstâncias ao da hospedeira e tenha o direito de não levar com o que ela chama de assertividade e eu chamo de gongorismo hormonal (se for insulto, a leitora que o chame de «mau humor») em resposta a algo que eu possa escrever e ela não goste.
Compreendendo eu que ninguém deve ser insultado dentro da sua própria casa, resolvi, como ela diz, pirar-me preguiçosamente da hospedaria. Penso que assim a hospedeira já não terá de se incomodar com algo de que não goste e já não terá de se sentir insultada após receber a resposta que não gosta.
Que ela continue a mencionar a minha fuga ocorrida há dois meses, significa que ainda não digeriu bem a situação. A minha vida não é um blogue.

Na sua carta aberta, a leitora faz ainda considerações sobre o meu estado mental e refere a sua experiência de dois anos como assistente de psiquiatria. Aproveito para lhe dizer: não será bom aproveitar a sua experiência e aplicá-la à sua própria condição mental (já que assume a condição de ansiosa) e tentar avaliar se aquilo que a leitora chama de assertividade não a está a prejudicar nas suas relações sociais quer online quer na sua vida real.
Esperemos sem ironia que a leitora nunca precise de reforçar a toma de medicamentos para a sua ansiedade.

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